quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Considerações sobre o futuro de Caranguejo Excêntrico

Era por volta das três horas da madrugada e lá estava Caranguejo Excêntrico no alto de sua agora não tão inatingível – pelo menos para uma certa pessoa em particular – Torre de Marfim, sentada em sua poltrona verde favorita e observando despreocupadamente o Mundo Real com seu telescópio mágico tecido de sonho.

Tentava imaginar, apesar do aperto que aquilo lhe causava, o quê diabos estaria fazendo naquele exato momento dali a uns quatro ou cinco anos.

Ela sempre se arrependia quando começava a voltar seus pensamentos para esse tipo de coisa, era como se um balde de gelo fosse virado em seu estômago e um pelicano gigante fizesse ninho na sua cabeça. Mas agora não havia como voltar atrás, observar o distante Mundo Real empurrara suas já irrefreadas idéias para este caminho e elas sempre foram muito teimosas para que ela conseguisse reconduzi-las rápido o suficiente para um terreno seguro. Só lhe restava, então, pensar no que quer que suas idéias quisessem pensar, até que numa hora ou outra o pensamento se cansasse desse tema em específico e voltasse a atenção para coisas mais agradáveis.

Pois bem, o que seria de Caranguejo Excêntrico dali a uns cinco anos? Teria a Síndrome de Peter Pan ido embora? Poderia ela vestir-se com seus panos sóbrios e adultos sem precisar despir-se dos leves e coloridos véus da inocente fantasia infantil que tanto idolatrava? Conseguiria ela por fim estabilizar-se sem contudo cair na armadilha terrível e hedionda da estagnação? Estaria ela, pois, simplesmente feliz?

Caranguejo Excêntrico balançou a cabeça e serviu-se de uma xícara quadriculada de Berguelotes fresquinhos, apontando seu telescópio para suas psicodélicas e verdejantes terras de Manskaoosin.

Aquele, sim, era o lugar ideal para se viver. Em seu maravilhoso e surreal reino particular de Manskaoosin Caranguejo Excêntrico poderia ser exatamente quem gostaria de ser. Poderia conviver apenas com aquelas pessoas das quais ela apreciava a companhia, poderia ouvir apenas o tipo de música que lhe apetecia, poderia estudar precisamente o que lhe agradava. Ali ela era a Imperatriz. Ali, era única.

Mas ela sabia que seu lindo e confortável mundo paralelo não lhe era acessível senão nas poucas horas durante as quais o poderoso Sol deixava-se cair irresistivelmente hipnotizado pelos mistérios obscuros da sedutora Lua. E, mesmo que pudesse permanecer ali para sempre, será que seria realmente bom? Será que toda aquela sua fantasia maravilhosa não era perfeita demais justamente porque não passava, porque não poderia passar de fantasia?

Manskaoosin havia sido criada para que nela Caranguejo Excêntrico pudesse recarregar suas baterias, arejar seus pensamentos, enlouquecer sem de fato ficar louca. Era seu refúgio. E não havia como ser mais do que isso.

Caranguejo Excêntrico fechou os olhos, já irritantemente cheios d’água, e respirou profundamente algumas vezes.

Precisava tomar coragem para mergulhar de cabeça naquele tal Mundo Real, entretanto o último concentrado desse tipo parecia ter sido entregue ao Leão Covarde pelo Mágico de Oz há algum tempo e andava em falta nos mercados-vermelhos dos mundos paralelos.

— Bem, quem sabe um genérico funcione, não é? — disse para si mesma, espreguiçando-se preguiçosamente enquanto seus pensamentos começavam a entoar um sonolento mantra manskaoosinista e perdiam-se completamente daquele assunto desconfortável do início — Acho que vou tentar fazer bolhas quadradas de sabão, então.

...


“I'm gonna love you ‘till the stars fall from the sky for you and I”.

2 comentários:

thi_elmauer disse...

ahaaa !!
eu suboo !!! leroo lerooooo !!!
uiaiahuiahuiahuiahuia XDDD

Tati disse...

*entra o Gato de Sapatilhas de Balé, ainda meio zonzo pela ressaca*

A Rainha Desvairada de Renorah manda um comunicado extraordinário a Caranguejo Excêntrico, Imperatriz de Manskaoosin, num pedido encarecido para que esta não abandone Manskaoosin nem retorne ao sinistro e obscuro Mundo Real.

Sem mais.

*o Gato de Sapatilhas de Balé sai*