Feliz Ano-Novo-Pessoal pra mim e feliz Dia Internacional do Rock pra vocês!
\m/,
Há exatos vinte e dois anos resolvi, no dia mais frio daquele ano, vir a este mundo complicado e esquisito.
O motivo?
Bem, quem sabe?
Eu gostaria de saber.
Ou não.
Tá, eu gostaria, sim, de saber.
Mas tenho certeza de que tal conhecimento não é algo com o qual eu, humana ridícula e limitada, poderia lidar.
Ou não.
Vai saber.
(Ou não.)
...
"Voar é só uma questão de errar o chão"
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terça-feira, 13 de julho de 2010
quinta-feira, 8 de julho de 2010
E, seis meses depois...
*Chega com alguns baldes de tinta e joga em tudo o que vê pela frente*
Este lugar estava prescisando de um pouco de cor, você não acha?
Talvez tenha sido por isso que minha Inspiração ficou tanto tempo sem aparecer. Não que ela tenha voltado, agora, mas quem sabe algumas mudanças estéticas não a fazem se sentir melhor, né?
Não custa tentar.
Na verdade esse layout foi notadamente influenciado pelo DVD quádruplo sobre Woodstock que ganhei da minha Lagarta Listrada Grunge E Quase Albina de aniversário.
*.*
Ah, os 60's.
Guerra do Vietnã; Contra-Cultura; quebra de padrões estéticos e morais; quase um milhão de pessoas em uma fazenda em Bethel, nos Estados Unidos, sem polícia e sem um único caso de violência; Janis Joplin, Jimmy Hendrix, Jim Morrison...
*Suspiro*
Engraçado sentir saudades de algo que nunca se viveu, né?
Bem, talvez seja por isso que eu estudo História.
Nasci na época errada, mesmo.
...
Só, esse post é apenas para contar que voltei. Não sei por quanto tempo, mas, bem, por enquanto voltei a escrever aqui.
E é isso.
"Não vá se perder por aí"
Este lugar estava prescisando de um pouco de cor, você não acha?
Talvez tenha sido por isso que minha Inspiração ficou tanto tempo sem aparecer. Não que ela tenha voltado, agora, mas quem sabe algumas mudanças estéticas não a fazem se sentir melhor, né?
Não custa tentar.
Na verdade esse layout foi notadamente influenciado pelo DVD quádruplo sobre Woodstock que ganhei da minha Lagarta Listrada Grunge E Quase Albina de aniversário.
*.*
Ah, os 60's.
Guerra do Vietnã; Contra-Cultura; quebra de padrões estéticos e morais; quase um milhão de pessoas em uma fazenda em Bethel, nos Estados Unidos, sem polícia e sem um único caso de violência; Janis Joplin, Jimmy Hendrix, Jim Morrison...
*Suspiro*
Engraçado sentir saudades de algo que nunca se viveu, né?
Bem, talvez seja por isso que eu estudo História.
Nasci na época errada, mesmo.
...
Só, esse post é apenas para contar que voltei. Não sei por quanto tempo, mas, bem, por enquanto voltei a escrever aqui.
E é isso.
"Não vá se perder por aí"
sábado, 9 de janeiro de 2010
Tirando o pó.
*Chega, tira o pó, espanta algumas baratas e besouros que jogavam xadrez e tomavam café, pede reintegração de posse da família aracnídea que a esta altura já havia construído ilegalmente uma megalópole em teias pelo blog, senta-se em uma almofada desbotada e acende um cigarro*
Ai, ai.
Já é ano-novo, mas a inspiração ainda é velha. Continua despreocupadamente caindo na farra e não ligando a mínima para mim.
Ou seja, como sempre, não sei o que escrever.
Sei que quero, que preciso escrever.
Mas não sei o quê.
Palavras, palavras; que são elas se não um amontoado de signos que só dizem de fato alguma coisa para aqueles que sabem decifrá-las?
Ou, talvez, mesmo para esses, não dizem nada.
Se bem que, na verdade, é meio óbvio que palavras não dizem nada, palavras não têm boca. Podem ser ditas, de fato, mas não dizem nada sozinhas. Ou dizem?
Bem, nunca vi uma palavra que tivesse boca.
...
"Raul Seixas comendo peixinho frito"
Ai, ai.
Já é ano-novo, mas a inspiração ainda é velha. Continua despreocupadamente caindo na farra e não ligando a mínima para mim.
Ou seja, como sempre, não sei o que escrever.
Sei que quero, que preciso escrever.
Mas não sei o quê.
Palavras, palavras; que são elas se não um amontoado de signos que só dizem de fato alguma coisa para aqueles que sabem decifrá-las?
Ou, talvez, mesmo para esses, não dizem nada.
Se bem que, na verdade, é meio óbvio que palavras não dizem nada, palavras não têm boca. Podem ser ditas, de fato, mas não dizem nada sozinhas. Ou dizem?
Bem, nunca vi uma palavra que tivesse boca.
...
"Raul Seixas comendo peixinho frito"
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domingo, 6 de setembro de 2009
Passatempo
(Escrito durante uma aula que tinha tudo para ser muito boa, exceto o professor)
E eis a sublime arte da picaretagem, meus caros!
Almanaque Abril, Wikipédia e chamada ao final da aula em pleno terceiro ano de faculdade. Oh, céus. Estaria eu por acaso no terceiro ano do ensino fundamental e não sei?
Francamente.
O melhor a se fazer é, então, escrever para passar o tempo, não?
Ferro de passar roupa, tomada, eletricidade, água, tábua.
Tempo se passa com vinco ou sem vinco?
Droga, minha mãe sempre me disse que eu precisava aprender a passar roupa, não tempo.
Uma borrifada d'água aqui, uma dobradinha ali; não deve ser assim tão difícil, afinal. Só é preciso muito cuidado para não queimar, tempo queimado cheira mal, causa estresse e bolhas nos pés.
Lá lá lá, e, voilá!, um tempinho passadinho rapidinho!
...
Bah. E que faço eu agora com todo o tempo que ainda está por passar?
Tenho a impressão de que ele ficaria muitíssimo melhor passado se eu não estivesse assistindo à essa aula "nem um pouco" picareta.
Sim, de fato.
Sinta o gosto dele, realmente está muito mal-passado, não?
Quase cru, eu diria; veja só todo o sangue que ainda escorre.
E nem adianta deixar mais um pouco no fogo, tempo mal passado é imutável, permanece assim para sempre, como cinza de lembrança.
Para que o tempo fique bem passado é necessário que assim seja desde o início, como você bem deve saber.
Desde o início.
E o quê seria o início?
Ora, o início do tempo relativo é relativo, o início do tempo absoluto é absoluto.
Agora, o que de fato seria tempo, relativo, absoluto e, conseqüentemente, o início, "decifra-me ou te devoro", a resposta para todas as perguntas não passa de um pedaço de queijo suíço com quarenta e dois buracos de diferentes tamanhos. E tamancos brancos. Francos. Aos prantos.
...
"Já houve um tempo em que o tempo parou de passar/ E o tal do Homo sapiens não soube disso aproveitar"
E eis a sublime arte da picaretagem, meus caros!
Almanaque Abril, Wikipédia e chamada ao final da aula em pleno terceiro ano de faculdade. Oh, céus. Estaria eu por acaso no terceiro ano do ensino fundamental e não sei?
Francamente.
O melhor a se fazer é, então, escrever para passar o tempo, não?
Ferro de passar roupa, tomada, eletricidade, água, tábua.
Tempo se passa com vinco ou sem vinco?
Droga, minha mãe sempre me disse que eu precisava aprender a passar roupa, não tempo.
Uma borrifada d'água aqui, uma dobradinha ali; não deve ser assim tão difícil, afinal. Só é preciso muito cuidado para não queimar, tempo queimado cheira mal, causa estresse e bolhas nos pés.
Lá lá lá, e, voilá!, um tempinho passadinho rapidinho!
...
Bah. E que faço eu agora com todo o tempo que ainda está por passar?
Tenho a impressão de que ele ficaria muitíssimo melhor passado se eu não estivesse assistindo à essa aula "nem um pouco" picareta.
Sim, de fato.
Sinta o gosto dele, realmente está muito mal-passado, não?
Quase cru, eu diria; veja só todo o sangue que ainda escorre.
E nem adianta deixar mais um pouco no fogo, tempo mal passado é imutável, permanece assim para sempre, como cinza de lembrança.
Para que o tempo fique bem passado é necessário que assim seja desde o início, como você bem deve saber.
Desde o início.
E o quê seria o início?
Ora, o início do tempo relativo é relativo, o início do tempo absoluto é absoluto.
Agora, o que de fato seria tempo, relativo, absoluto e, conseqüentemente, o início, "decifra-me ou te devoro", a resposta para todas as perguntas não passa de um pedaço de queijo suíço com quarenta e dois buracos de diferentes tamanhos. E tamancos brancos. Francos. Aos prantos.
...
"Já houve um tempo em que o tempo parou de passar/ E o tal do Homo sapiens não soube disso aproveitar"
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Devaneios
sábado, 11 de julho de 2009
A Lagartixa Raio De Sol - Parte III
O Sol se aproximava do horizonte quando a Lagartixa Raio de Sol finalmente chegou aos pés dos Grandiosos Portões Que Teoricamente Não Davam Para Lugar Nenhum.
Um sentimento de missão quase cumprida e contentamento quase pleno apoderou-se dela enquanto estava a observar aqueles imponentes portais de madeira esburacada e dobradiças de aço enferrujado com os olhinhos castanhos marejados de emoção.
— Finalmente... — murmurou a Lagartixa avançando lentamente em direção aos Portões — Vou ser a primeira Lagartixa a descobrir o que diabos tem do Outro Lado dos Grandiosos Portões Que Teoricamente Não Dão Para Lugar Nenhum... o que será que verei? — continuou, encostando as frias patas na madeira velha do portal.
Hesitou ao empurrá-las.
— Por que será que ninguém nunca quis saber disso antes? — perguntou-se.
Então uma onda crescente de pânico começou a tomar lugar em seu peito, corroendo a sensação de missão quase cumprida e esburacando o sentimento de contentamento quase pleno.
E se fosse melhor não saber o que havia do outro lado? E se ela não estivesse preparada para o que cargas d’água poderia haver ali? E se fosse justamente esse o motivo de terem fechado os portões e de ninguém se atrever a ver o que se passava do lado de lá? E se tudo não passasse de uma árvore de maçãs carregada de frutas-do-conde?
— Não entre em pânico, não entre em pânico, NÃO ENTRE EM PÂNICO, PORRA!! — dizia uma vozinha histérica em sua cabeça.
Raio de Sol respirou fundo e retirou de seu bolso a pequena fruta-do-conde que o Mini-Canguru-Dos-Campos lhe jogara na cabeça. Ficou alguns instantes a observá-la, reparando em todos os gominhos esquisitos dispostos em sua casca, pensando o quê diabos Deus estaria pensando quando criou aquela fruta, ou quando criou o kiwi, quando criou o ornitorrinco, quando criou ela mesma.
Voltou novamente o olhar para os Grandiosos Portões.
— E seu Deus não tiver nada a ver com isso? — pensou.
Fechando os olhos, resolveu começar a abri-los lentamente. Quando havia uma pequena fresta aberta, jogou sua fruta-do-conde para o outro lado e fechou-o rapidamente. Esperou, escutando. Não ouviu nada, e sua curiosidade aumentou.
— Que seja o que tiver que ser — pensou, dando de ombros — Afinal, que é que eu tenho a perder?
Empurrou os pedaços de madeira velha com toda a sua força. Eles estalaram e se abriram com um estrondo, deixando uma lagartixa antes assustada completamente estupefata com o que viu.
Era igual.
Exatamente igual.
O outro lado se compunha das mesmas montanhas que ela conhecia desde pequena e que existiam do lado de cá. Eram os mesmos campos verdejantes, as mesmas macieiras que davam frutas-do-conde. O Sol brilhava do mesmo jeito dos dois lados, o céu continuava a ser azul, vermelho e dourado no pôr-do-sol, as nuvens continuavam a ser de algodão doce.
— Eu falei que não tinha nada, não falei? — disse o Mini-Canguru-Dos-Campos, surgido sabe-se-lá de onde.
— Ora — disse a lagartixa — Tem, sim. Muita coisa, aliás. E agora eu sei — respondeu a lagartixa, precipitando-se pelo portal e apanhando a fruta-do-conde que jogara para o outro lado — Tome — entregou-a ao Mini-Canguru-Dos-Campos — Pode ser útil.
Raio de Sol fechou novamente os portões e voltou alegre e contente para o Vilarejo Tranqüilo, assobiando uma bela canção.
[FIM]
Um sentimento de missão quase cumprida e contentamento quase pleno apoderou-se dela enquanto estava a observar aqueles imponentes portais de madeira esburacada e dobradiças de aço enferrujado com os olhinhos castanhos marejados de emoção.
— Finalmente... — murmurou a Lagartixa avançando lentamente em direção aos Portões — Vou ser a primeira Lagartixa a descobrir o que diabos tem do Outro Lado dos Grandiosos Portões Que Teoricamente Não Dão Para Lugar Nenhum... o que será que verei? — continuou, encostando as frias patas na madeira velha do portal.
Hesitou ao empurrá-las.
— Por que será que ninguém nunca quis saber disso antes? — perguntou-se.
Então uma onda crescente de pânico começou a tomar lugar em seu peito, corroendo a sensação de missão quase cumprida e esburacando o sentimento de contentamento quase pleno.
E se fosse melhor não saber o que havia do outro lado? E se ela não estivesse preparada para o que cargas d’água poderia haver ali? E se fosse justamente esse o motivo de terem fechado os portões e de ninguém se atrever a ver o que se passava do lado de lá? E se tudo não passasse de uma árvore de maçãs carregada de frutas-do-conde?
— Não entre em pânico, não entre em pânico, NÃO ENTRE EM PÂNICO, PORRA!! — dizia uma vozinha histérica em sua cabeça.
Raio de Sol respirou fundo e retirou de seu bolso a pequena fruta-do-conde que o Mini-Canguru-Dos-Campos lhe jogara na cabeça. Ficou alguns instantes a observá-la, reparando em todos os gominhos esquisitos dispostos em sua casca, pensando o quê diabos Deus estaria pensando quando criou aquela fruta, ou quando criou o kiwi, quando criou o ornitorrinco, quando criou ela mesma.
Voltou novamente o olhar para os Grandiosos Portões.
— E seu Deus não tiver nada a ver com isso? — pensou.
Fechando os olhos, resolveu começar a abri-los lentamente. Quando havia uma pequena fresta aberta, jogou sua fruta-do-conde para o outro lado e fechou-o rapidamente. Esperou, escutando. Não ouviu nada, e sua curiosidade aumentou.
— Que seja o que tiver que ser — pensou, dando de ombros — Afinal, que é que eu tenho a perder?
Empurrou os pedaços de madeira velha com toda a sua força. Eles estalaram e se abriram com um estrondo, deixando uma lagartixa antes assustada completamente estupefata com o que viu.
Era igual.
Exatamente igual.
O outro lado se compunha das mesmas montanhas que ela conhecia desde pequena e que existiam do lado de cá. Eram os mesmos campos verdejantes, as mesmas macieiras que davam frutas-do-conde. O Sol brilhava do mesmo jeito dos dois lados, o céu continuava a ser azul, vermelho e dourado no pôr-do-sol, as nuvens continuavam a ser de algodão doce.
— Eu falei que não tinha nada, não falei? — disse o Mini-Canguru-Dos-Campos, surgido sabe-se-lá de onde.
— Ora — disse a lagartixa — Tem, sim. Muita coisa, aliás. E agora eu sei — respondeu a lagartixa, precipitando-se pelo portal e apanhando a fruta-do-conde que jogara para o outro lado — Tome — entregou-a ao Mini-Canguru-Dos-Campos — Pode ser útil.
Raio de Sol fechou novamente os portões e voltou alegre e contente para o Vilarejo Tranqüilo, assobiando uma bela canção.
[FIM]
domingo, 5 de julho de 2009
A Lagartixa Raio De Sol - Parte II
Após muito caminhar pela Estrada Que Levava Até Os Grandiosos Portões Que Teoricamente Não Davam Para Lugar Nenhum — estrada esta construída muito, muito tempo antes das Lagartixas Que Se Diziam Modernas E Inteligentes assumirem o poder e proclamarem que os Antigos Portões Construídos Sabe-se Lá Por Quem não davam para lugar nenhum e que seguir por aquela estrada era completa perda de tempo e dinheiro — Raio de Sol resolveu parar para descansar debaixo de uma macieira.
E lá estava ela, de olhos fechados e coração aberto aproveitando a brisa fresca vinda do oeste quando, de repente, uma grande e gorda fruta-do-conde caiu pesadamente em sua cabeça, dando-lhe então o ponto de partida para a hoje tão difundida teoria da relatividade, cuja base antiga foi, justamente, como diabos uma fruta-do-conde poderia cair pesadamente na cabeça de uma lagartixa que se encontrava não debaixo de uma árvore — ou seja lá pé de quê frutas-do-conde gostam de nascer — de frutas-do-conde, mas, sim, debaixo de uma macieira.
A lagartixa Raio de Sol levantou-se cambaleando e olhou em volta. A alguns metros de onde estava havia um Mini-Canguru-Dos-Campos com a cabeça cor-de-abóbora enfiada numa moita e uma sacola cheia de frutas-do-conde segura nas patas.
— Ei, carinha! — disse a lagartixa coçando a cabeça — O que você está fazendo aí?
Silêncio.
— Oi! — continuou Raio de Sol — Eu estou falando com você...?
Mais silêncio.
— Ah... oi? — repetiu a lagartixa, dessa vez cutucando o Mini-Canguru-Dos-Campos.
— AHHH! — gritou o Mini-Canguru-Dos-Campos tirando a cabeça de dentro da moita com um movimento brusco.
— AHHHHHH!!! — gritou Raio de Sol sem saber exatamente por que.
— AAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!! — gritou de novo o canguru.
— AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!! — berrou a plenos pulmões a lagartixa.
— AAHHH... ah... por quê diabos estamos gritando? — disse o canguru.
— Putaqueopariuvaisefoderfilhodaputa!! — resmungou Raio de Sol enquanto se recuperava do susto — Eu é que pergunto, pombas! Você...
— Ah, sim! Como foi que você me achou? Eu estava escondido, droga.
— Como assim como foi que eu te achei? Só a sua cabeça estava escondida, o resto...
— Era a parte mais importante a ser escondida, não? Digo, como você pode me ver, se eu não vejo você?
— ...
— Você deve ter sétimo sentido... não?
— ...
— Em todo o caso, o que faz uma Lagartixa Tranqüila perambulando sozinha pela Estrada Que Leva Até Os Grandiosos Portões Que Teoricamente Não Dão Para Lugar Nenhum? Isso não é coisa de lagartixas. É coisa de Mini-Cangurus-Dos-Campos.
— E jogar frutas-do-conde nas cabeças das lagartixas tranqüilas que resolvem perambular sozinhas pela Estrada Que Leva Até Os Grandiosos Portões Que Teoricamente Não Dão Para Lugar Nenhum também é coisa de Mini-Cangurus-Dos-Campos?
— É claro que é. Todo mundo sabe disso. Mas o que importa é: você está a procura dos Grandiosos Portões Que Teoricamente Não Dão Para Lugar Nenhum?
— Ah... é... é, é sim, estou, sim.
— Pois então desista, pequena lagartixa. Não tem nada do lado de lá. Eu já vi, meus companheiros Mini-Cangurus também já viram. É perda de tempo.
— Hum. Ora, se você viu que não há nada do lado de lá, significa que alguma coisa há para se ver, nem que essa coisa seja o nada, concorda?
— Bem... de que importa, também? Tome, leve uma fruta-do-conde com você. Pode ser importante. Ou não — disse o Mini-Canguru-Dos-Campos, entregando-lhe uma fruta e pulando para longe logo em seguida — Até mais, pequena lagartixa! Só não vá se perder por aí! — gritou ele um pouco antes de sumir por entre as folhagens do bosque próximo à estrada.
— Cada um... — pensou Raio de Sol, continuando sua jornada.
(Continua)
E lá estava ela, de olhos fechados e coração aberto aproveitando a brisa fresca vinda do oeste quando, de repente, uma grande e gorda fruta-do-conde caiu pesadamente em sua cabeça, dando-lhe então o ponto de partida para a hoje tão difundida teoria da relatividade, cuja base antiga foi, justamente, como diabos uma fruta-do-conde poderia cair pesadamente na cabeça de uma lagartixa que se encontrava não debaixo de uma árvore — ou seja lá pé de quê frutas-do-conde gostam de nascer — de frutas-do-conde, mas, sim, debaixo de uma macieira.
A lagartixa Raio de Sol levantou-se cambaleando e olhou em volta. A alguns metros de onde estava havia um Mini-Canguru-Dos-Campos com a cabeça cor-de-abóbora enfiada numa moita e uma sacola cheia de frutas-do-conde segura nas patas.
— Ei, carinha! — disse a lagartixa coçando a cabeça — O que você está fazendo aí?
Silêncio.
— Oi! — continuou Raio de Sol — Eu estou falando com você...?
Mais silêncio.
— Ah... oi? — repetiu a lagartixa, dessa vez cutucando o Mini-Canguru-Dos-Campos.
— AHHH! — gritou o Mini-Canguru-Dos-Campos tirando a cabeça de dentro da moita com um movimento brusco.
— AHHHHHH!!! — gritou Raio de Sol sem saber exatamente por que.
— AAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!! — gritou de novo o canguru.
— AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!! — berrou a plenos pulmões a lagartixa.
— AAHHH... ah... por quê diabos estamos gritando? — disse o canguru.
— Putaqueopariuvaisefoderfilhodaputa!! — resmungou Raio de Sol enquanto se recuperava do susto — Eu é que pergunto, pombas! Você...
— Ah, sim! Como foi que você me achou? Eu estava escondido, droga.
— Como assim como foi que eu te achei? Só a sua cabeça estava escondida, o resto...
— Era a parte mais importante a ser escondida, não? Digo, como você pode me ver, se eu não vejo você?
— ...
— Você deve ter sétimo sentido... não?
— ...
— Em todo o caso, o que faz uma Lagartixa Tranqüila perambulando sozinha pela Estrada Que Leva Até Os Grandiosos Portões Que Teoricamente Não Dão Para Lugar Nenhum? Isso não é coisa de lagartixas. É coisa de Mini-Cangurus-Dos-Campos.
— E jogar frutas-do-conde nas cabeças das lagartixas tranqüilas que resolvem perambular sozinhas pela Estrada Que Leva Até Os Grandiosos Portões Que Teoricamente Não Dão Para Lugar Nenhum também é coisa de Mini-Cangurus-Dos-Campos?
— É claro que é. Todo mundo sabe disso. Mas o que importa é: você está a procura dos Grandiosos Portões Que Teoricamente Não Dão Para Lugar Nenhum?
— Ah... é... é, é sim, estou, sim.
— Pois então desista, pequena lagartixa. Não tem nada do lado de lá. Eu já vi, meus companheiros Mini-Cangurus também já viram. É perda de tempo.
— Hum. Ora, se você viu que não há nada do lado de lá, significa que alguma coisa há para se ver, nem que essa coisa seja o nada, concorda?
— Bem... de que importa, também? Tome, leve uma fruta-do-conde com você. Pode ser importante. Ou não — disse o Mini-Canguru-Dos-Campos, entregando-lhe uma fruta e pulando para longe logo em seguida — Até mais, pequena lagartixa! Só não vá se perder por aí! — gritou ele um pouco antes de sumir por entre as folhagens do bosque próximo à estrada.
— Cada um... — pensou Raio de Sol, continuando sua jornada.
(Continua)
segunda-feira, 29 de junho de 2009
A Lagartixa Raio De Sol - Parte I
Há muito tempo atrás, numa terra distante, além do bosque dos gnomos cor-de-abóbora, bem depois das planícies geladas do sul, lá por onde os animais ainda falam e as nuvens são feitas de algodão-doce vivia alegremente no tranqüilo Vilarejo Tranqüilo uma linda e meiga lagartixa chamada Raio de Sol.
Raio de Sol não era uma lagartixa qualquer, daquelas que acordavam todos os dias às sete horas da manhã para ver o que seu vizinho estaria fazendo acordado àquela hora da manhã e passavam o resto de seus dias tranquilamente fazendo coisas tranqüilas no Vilarejo Tranqüilo.
Ah, não.
Em primeiro lugar, Raio de Sol era filha de lagartixas hippies. Como qualquer um sabe, ser filho de lagartixas hippies implica em nomes mágicos, bolos de aniversário temperados e poucos amigos na infância.
Em segundo lugar, ela era a única em todo o Vilarejo que se perguntava se existiria alguma coisa para além dos muros da cidadela. Todos os outros assumiam a postura do “se não posso ver é porque não preciso saber” e continuavam a mexer a massa dos seus bolinhos de girassol.
Um belo dia Raio de Sol acordou às sete horas da manhã com a claridade do dia entrando pela sua janela aberta, calçou suas botas vermelhas de andarilho, deixou um bilhete para seus pais — que estavam dormindo na sala completamente chapados — e resolveu ir descobrir por conta própria o que haveria para além dos muros do seu vilarejo, possibilitando, para felicidade de seus vizinhos, que as conversas destes finalmente girassem em torno de algum assunto mais empolgante do que a consistência das massas de seus bolinhos de girassol.
(Continua)
Raio de Sol não era uma lagartixa qualquer, daquelas que acordavam todos os dias às sete horas da manhã para ver o que seu vizinho estaria fazendo acordado àquela hora da manhã e passavam o resto de seus dias tranquilamente fazendo coisas tranqüilas no Vilarejo Tranqüilo.
Ah, não.
Em primeiro lugar, Raio de Sol era filha de lagartixas hippies. Como qualquer um sabe, ser filho de lagartixas hippies implica em nomes mágicos, bolos de aniversário temperados e poucos amigos na infância.
Em segundo lugar, ela era a única em todo o Vilarejo que se perguntava se existiria alguma coisa para além dos muros da cidadela. Todos os outros assumiam a postura do “se não posso ver é porque não preciso saber” e continuavam a mexer a massa dos seus bolinhos de girassol.
Um belo dia Raio de Sol acordou às sete horas da manhã com a claridade do dia entrando pela sua janela aberta, calçou suas botas vermelhas de andarilho, deixou um bilhete para seus pais — que estavam dormindo na sala completamente chapados — e resolveu ir descobrir por conta própria o que haveria para além dos muros do seu vilarejo, possibilitando, para felicidade de seus vizinhos, que as conversas destes finalmente girassem em torno de algum assunto mais empolgante do que a consistência das massas de seus bolinhos de girassol.
(Continua)
terça-feira, 23 de junho de 2009
Divagação
Ao observarmos a imensidão negra do céu à noite vemos nada mais nada menos do que pálidos reflexos do fogo de titânicas constelações muitas delas extintas há milênios.
Ao observarmos o espelho...
...
O que você vê?
Ao observarmos o espelho...
...
O que você vê?
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Filosofia de Bar
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Pensamentos Livres e Idéias Intraduzíveis
Um mundo de idéias passeava pelo meu cérebro.
Pensamentos dançantes saracoteavam sem pudores por todos os lados, despidos de toda e qualquer regra gramatical ou coerência verbal.
Eram simples idéias existindo, pulsando, dançando a Macarena.
Pensamentos intraduzíveis vestidos de piratas jogando dominó.
Pensamentos apalavreados bebendo Dinamites Pangalácticas e cantando Roberto Carlos.
Pensamentos livres.
Pensamentos pura e simplesmente livres.
Tive então a ousadia de sentar-me à frente do computador para escrevê-los.
Forcei-os a parar, enfileirei-os, etiquetei-os.
Tentei persuadi-los a se submeterem à gramática, às letras, às palavras.
Mas eles eram livres.
Eram meus pensamentos livres e minhas idéias intraduzíveis.
Se os explicasse e os transformasse em palavras eles não mais seriam meus, não mais seriam livres.
Acabariam por se tornar apenas outra idéia jogada na prateleira do supermercado de idéias, comum, barata e empoeirada.
Não teriam mais a menor graça!
Resolvi então deixar que eles continuassem a fazer o que quer que um pensamento livre gosta de fazer com uma idéia intraduzível altas horas da madrugada e ir procurar por vida inteligente na mancha verde de mofo que surgiu no pedaço de pizza esquecido na geladeira desde o mês passado.
...
Pensamentos dançantes saracoteavam sem pudores por todos os lados, despidos de toda e qualquer regra gramatical ou coerência verbal.
Eram simples idéias existindo, pulsando, dançando a Macarena.
Pensamentos intraduzíveis vestidos de piratas jogando dominó.
Pensamentos apalavreados bebendo Dinamites Pangalácticas e cantando Roberto Carlos.
Pensamentos livres.
Pensamentos pura e simplesmente livres.
Tive então a ousadia de sentar-me à frente do computador para escrevê-los.
Forcei-os a parar, enfileirei-os, etiquetei-os.
Tentei persuadi-los a se submeterem à gramática, às letras, às palavras.
Mas eles eram livres.
Eram meus pensamentos livres e minhas idéias intraduzíveis.
Se os explicasse e os transformasse em palavras eles não mais seriam meus, não mais seriam livres.
Acabariam por se tornar apenas outra idéia jogada na prateleira do supermercado de idéias, comum, barata e empoeirada.
Não teriam mais a menor graça!
Resolvi então deixar que eles continuassem a fazer o que quer que um pensamento livre gosta de fazer com uma idéia intraduzível altas horas da madrugada e ir procurar por vida inteligente na mancha verde de mofo que surgiu no pedaço de pizza esquecido na geladeira desde o mês passado.
...
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quarta-feira, 20 de maio de 2009
Matemática?!
Não, não adianta.
Os números não vão com a minha cara.
Nem com chantagem, suborno ou reza braba.
E eu juro que não é culpa minha.
Já tentei socializar com eles, chamando-os humildemente para tomar algumas xícaras de berguelotes feitos na hora em Manskaoosin. Servi-os em porcelana chinesa e bandeja de prata, mandei meu cozinheiro Pierre Pierrô preparar as melhores receitas de biscoitos recheados que ele pudesse imaginar, coloquei discos de música clássica para tocar, até penteei meu cabelo.
Nada disso adiantou.
Eles foram arrogantes, olharam-me com expressões de descaso, beberam meus berguelotes fazendo careta, zombaram dos biscoitos recheados do meu cozinheiro, apontaram mil defeitos na disposição das minhas terras e na arquitetura do meu castelo, chutaram meu dragão de estimação dizendo que ele não existia e que nada daquilo ali existia e foram embora carrancudos e cochichando entre si.
- Ela nem ao menos penteia os cabelos! - ouvi um deles dizer.
É.
Desde então a única coisa relacionada à matemática que eu de fato tenho certeza de estar calculando corretamente é o troco do dinheiro da cerveja.
Ok.
Às vezes nem isso.
...
Os números não vão com a minha cara.
Nem com chantagem, suborno ou reza braba.
E eu juro que não é culpa minha.
Já tentei socializar com eles, chamando-os humildemente para tomar algumas xícaras de berguelotes feitos na hora em Manskaoosin. Servi-os em porcelana chinesa e bandeja de prata, mandei meu cozinheiro Pierre Pierrô preparar as melhores receitas de biscoitos recheados que ele pudesse imaginar, coloquei discos de música clássica para tocar, até penteei meu cabelo.
Nada disso adiantou.
Eles foram arrogantes, olharam-me com expressões de descaso, beberam meus berguelotes fazendo careta, zombaram dos biscoitos recheados do meu cozinheiro, apontaram mil defeitos na disposição das minhas terras e na arquitetura do meu castelo, chutaram meu dragão de estimação dizendo que ele não existia e que nada daquilo ali existia e foram embora carrancudos e cochichando entre si.
- Ela nem ao menos penteia os cabelos! - ouvi um deles dizer.
É.
Desde então a única coisa relacionada à matemática que eu de fato tenho certeza de estar calculando corretamente é o troco do dinheiro da cerveja.
Ok.
Às vezes nem isso.
...
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segunda-feira, 11 de maio de 2009
Objetivo de vida:
Ser tão foda no quê diabos eu resolver fazer da vida a ponto de poder ir trabalhar de pantufas de garras de dinossauro laranjas, tiara de anteninhas brilhantes e uma ressaca féladaputa e todo mundo achar isso a coisa mais bacana do mundo.
...
...
quarta-feira, 6 de maio de 2009
Blá blá blá
Muito, muito tempo depois do último post eis que esta que aqui vos escreve resolve que vai voltar às suas atividades pseudo-literárias.
Dei até uma mudada na foto do layout pra ver se me animo de novo com isso aqui, vocês viram?
Blé.
O fato é que atualmente minhas palavras deram para se organizar em frases soltas, assim, e só; a idéia de juntá-las em uma só história lhes parece abominável.
Sacumé, né?
Eu não sei.
De qualquer forma, decidi que é melhor escrevê-las. Se é só assim que essas teimosas dão as caras, que assim seja.
(Quem sabe assim elas ficam animadinhas umas com as outras e resolvem dar uma grande festa cheia de palavras de todos os tipos em uma só organização?)
...
Dei até uma mudada na foto do layout pra ver se me animo de novo com isso aqui, vocês viram?
Blé.
O fato é que atualmente minhas palavras deram para se organizar em frases soltas, assim, e só; a idéia de juntá-las em uma só história lhes parece abominável.
Sacumé, né?
Eu não sei.
De qualquer forma, decidi que é melhor escrevê-las. Se é só assim que essas teimosas dão as caras, que assim seja.
(Quem sabe assim elas ficam animadinhas umas com as outras e resolvem dar uma grande festa cheia de palavras de todos os tipos em uma só organização?)
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segunda-feira, 30 de março de 2009
De uma Vontade de escrever
Estou com vontade de escrever.
Entretanto não é aquela vontade a qual se pode controlar, sabe?
Não gosta de amarras, essa minha vontade.
Nunca gostou.
E está se recusando terminantemente a me ajudar com o final da história da Inspiração.
Na verdade eu acho que ela está com ciúmes.
Sim, é por todos sabido que Vontades e Inspirações têm suas rixas pessoais.
Isso ocorre desde os tempos imemoriais em que os animais falavam e as nuvens eram feitas de algodão-doce.
Até hoje não superaram essa desavença, pobrezinhas.
E quem sai perdendo com isso sou eu.
(Ou vocês, que eu tenho certeza de que estão fervendo de curiosidade para saber o que aconteceu quando fui resgatar minha Inspiração naquela cadeia perdida de Roshgrangeon U.U”)
Entretanto não é aquela vontade a qual se pode controlar, sabe?
Não gosta de amarras, essa minha vontade.
Nunca gostou.
E está se recusando terminantemente a me ajudar com o final da história da Inspiração.
Na verdade eu acho que ela está com ciúmes.
Sim, é por todos sabido que Vontades e Inspirações têm suas rixas pessoais.
Isso ocorre desde os tempos imemoriais em que os animais falavam e as nuvens eram feitas de algodão-doce.
Até hoje não superaram essa desavença, pobrezinhas.
E quem sai perdendo com isso sou eu.
(Ou vocês, que eu tenho certeza de que estão fervendo de curiosidade para saber o que aconteceu quando fui resgatar minha Inspiração naquela cadeia perdida de Roshgrangeon U.U”)
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quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
Sobre as coisas como elas não são
Ao amanhecer de uma noite ligeiramente ébria estava esta que aqui vos escreve sentada num dos bancos azuis do fundo de um Terminal Capelinha, olhando pela janela sem realmente ver o que se passava por trás do vidro e ouvindo o álbum Division Bell, do Pink Floyd.
Não pensava em nada em específico, só ouvia a música e lutava contra o insistente sono.
Em uma das paradas do ônibus, eis que sobe no veículo uma senhora baixa, meio gorducha, de cabelos gritantemente vermelhos e roupas que combinavam muito bem: calças amarelo marca-texto e uma camisa azul-marinho com bolotas coloridas.
Não tive como não reparar. Talvez se ela tivesse pendurado uma melancia no pescoço o visual ficasse ligeiramente mais apresentável, mas, em todo o caso, o fato foi que aquela explosão de cores fez-me pensar sobre algumas coisas.
Não, não foi que talvez a pobre mulher não tivesse dinheiro o suficiente para possuir um espelho de corpo inteiro em casa ou em como o mundo poderia ser muito mais esteticamente agradável se fosse possível adquirir um concentrado de Senso de Ridículo em qualquer farmácia.
Lá, sentada num dos últimos bancos azuis do ônibus, observando com ligeiro ar de riso aquela explosão de cores que se materializava na gorducha senhora ridiculamente vestida, pensamentos obscuros sobre a relatividade das coisas começaram a dançar uma ciranda na varanda do meu cérebro.
A vermelhidão do cabelo da senhora, por exemplo.
Será que aquela cor intensa e vívida que eu enxergava com meus míopes e astigmáticos olhos castanhos era a mesma cor que o garoto de boné postado em frente à porta via quando olhava para aquela mulher?
Será que o vermelho que eu vejo é o mesmo vermelho que ele vê, que você vê, que qualquer um vê?
Se uma pessoa, desde que se entende por gente, acostuma-se a dizer que a cor do céu é azul, a cor do céu, para aquela pessoa, será azul, mesmo que o que ela veja seja o que eu chamaria de verde. Estando ela acostumada a chamar o que eu chamaria de verde de azul, o verde, para aquela pessoa, seria azul.
Ou não.
As relatividades e as dependências dos pontos de vista para qualquer situação são um tanto quanto frustrantes, não são?
Digo, até hoje não tenho a certeza absoluta de que aqueles que me cercam existem realmente.
Talvez vocês todos sejam apenas um fruto da minha imaginação.
Talvez eu mesma seja um fruto da minha imaginação.
Como posso ter a certeza de que alguma coisa é realmente alguma coisa, seja lá que alguma coisa essa alguma coisa gostaria de ser, se é da minha percepção que irei me valer ao analisar essa alguma coisa?
O que eu quero dizer – se é que quero mesmo dizer alguma coisa e não simplesmente escrever palavras a esmo numa página em branco do Blogger – é que esse é o tipo de coisa sobre a qual o melhor a se fazer é varrê-la para debaixo do tapete e ir assistir à uma partida de bocha alienígena bebendo vodkas Alkällesiahnas.
Ou não, também.
42.
Não pensava em nada em específico, só ouvia a música e lutava contra o insistente sono.
Em uma das paradas do ônibus, eis que sobe no veículo uma senhora baixa, meio gorducha, de cabelos gritantemente vermelhos e roupas que combinavam muito bem: calças amarelo marca-texto e uma camisa azul-marinho com bolotas coloridas.
Não tive como não reparar. Talvez se ela tivesse pendurado uma melancia no pescoço o visual ficasse ligeiramente mais apresentável, mas, em todo o caso, o fato foi que aquela explosão de cores fez-me pensar sobre algumas coisas.
Não, não foi que talvez a pobre mulher não tivesse dinheiro o suficiente para possuir um espelho de corpo inteiro em casa ou em como o mundo poderia ser muito mais esteticamente agradável se fosse possível adquirir um concentrado de Senso de Ridículo em qualquer farmácia.
Lá, sentada num dos últimos bancos azuis do ônibus, observando com ligeiro ar de riso aquela explosão de cores que se materializava na gorducha senhora ridiculamente vestida, pensamentos obscuros sobre a relatividade das coisas começaram a dançar uma ciranda na varanda do meu cérebro.
A vermelhidão do cabelo da senhora, por exemplo.
Será que aquela cor intensa e vívida que eu enxergava com meus míopes e astigmáticos olhos castanhos era a mesma cor que o garoto de boné postado em frente à porta via quando olhava para aquela mulher?
Será que o vermelho que eu vejo é o mesmo vermelho que ele vê, que você vê, que qualquer um vê?
Se uma pessoa, desde que se entende por gente, acostuma-se a dizer que a cor do céu é azul, a cor do céu, para aquela pessoa, será azul, mesmo que o que ela veja seja o que eu chamaria de verde. Estando ela acostumada a chamar o que eu chamaria de verde de azul, o verde, para aquela pessoa, seria azul.
Ou não.
As relatividades e as dependências dos pontos de vista para qualquer situação são um tanto quanto frustrantes, não são?
Digo, até hoje não tenho a certeza absoluta de que aqueles que me cercam existem realmente.
Talvez vocês todos sejam apenas um fruto da minha imaginação.
Talvez eu mesma seja um fruto da minha imaginação.
Como posso ter a certeza de que alguma coisa é realmente alguma coisa, seja lá que alguma coisa essa alguma coisa gostaria de ser, se é da minha percepção que irei me valer ao analisar essa alguma coisa?
O que eu quero dizer – se é que quero mesmo dizer alguma coisa e não simplesmente escrever palavras a esmo numa página em branco do Blogger – é que esse é o tipo de coisa sobre a qual o melhor a se fazer é varrê-la para debaixo do tapete e ir assistir à uma partida de bocha alienígena bebendo vodkas Alkällesiahnas.
Ou não, também.
42.
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terça-feira, 9 de dezembro de 2008
O Primeiro Beijo
(Nota: Remexendo em gavetas velhas e mofadas em busca de alguma coisa da qual não me lembro mais o que era, encontrei alguns textos por mim escritos nos idos anos de 2004 e 2005.
Um deles é este aqui, escrito para uma aula de redação.
Como ficou bonitinho e estou meio sem criatividade ultimamente, resolvi postá-lo como memória aos tempos de colegial.
E é isso aí.)
***
A garota permanecia parada no jardim, as mãos pequeninas suando frio e as pernas ligeiramente tortas tremendo levemente. Percebia as figuras imóveis à sua volta, bancos e mesas misturando-se às plantas na escuridão iluminada apenas pela lâmpada elétrica acima da sua cabeça. Ouvia os risinhos femininos abafados vindo por todos os lados, mas fingia não saber do que se tratava.
Enfiou às pressas uma bala de menta na boca, enquanto tentava o mais dissimuladamente possível controlar os pensamentos frenéticos que lhe assaltavam o cérebro. Esperava por aquele momento há tanto tempo e, finalmente, aquele seria o dia! Por tantas vezes havia visto nos filmes e novelas aqueles beijos dos casais apaixonados, sonhando com o dia em que... e ela já era quase uma moça, havia acabado de completar seus doze anos!
Aquela festinha não fora por acaso. Tivera todo o cuidado de planejá-la com antecedência, com a ajuda de suas melhores amigas, para que caísse no dia certo em que ele pudesse comparecer. Arranjaram CDs de música para se dançar pertinho, fizeram bailinho, tudo conforme o figurino. Ela se arrumara como quase nunca fazia, passando batom, repartindo o cabelo encaracolado em duas tranças, escolhendo sua melhor roupinha. Até então ia tudo de acordo, eles já haviam dançado, já haviam conversado, suas amigas já haviam falado com os amigos dele...
E ali estava ele, bem à sua frente.
Seu pequeno pé batia insistentemente no chão, acompanhando o descompasso acelerado de seu coração. Começou a brincar com o cabelo numa vã tentativa de esconder a timidez, pensando em alguma coisa para dizer-lhe enquanto tentava tomar coragem para olhar bem diretamente para aqueles olhos tão bonitos e tão simpáticos. Sua voz, porém, parecia ter tirado férias, enquanto seus olhos pareciam ter sido hipnotizados pelo botão amarelo da camiseta do garoto.
Endireitou sua blusinha cor-de-rosa, então, percebendo que seu acompanhante, prendendo a respiração, dava um passo em sua direção. Olhou para o lado, enrubescendo, seu hálito de hortelã se misturando com o perfume cítrico do menino. Via que suas cabeças agora se aproximavam cada vez mais, estavam a cada segundo mais perto. Estavam cada vez mais perto, cada vez mais perto... podia contar as sardas do rosto dele, se quisesse... mas, obviamente, ela preferiu fazer outra coisa.
...
Um deles é este aqui, escrito para uma aula de redação.
Como ficou bonitinho e estou meio sem criatividade ultimamente, resolvi postá-lo como memória aos tempos de colegial.
E é isso aí.)
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A garota permanecia parada no jardim, as mãos pequeninas suando frio e as pernas ligeiramente tortas tremendo levemente. Percebia as figuras imóveis à sua volta, bancos e mesas misturando-se às plantas na escuridão iluminada apenas pela lâmpada elétrica acima da sua cabeça. Ouvia os risinhos femininos abafados vindo por todos os lados, mas fingia não saber do que se tratava.
Enfiou às pressas uma bala de menta na boca, enquanto tentava o mais dissimuladamente possível controlar os pensamentos frenéticos que lhe assaltavam o cérebro. Esperava por aquele momento há tanto tempo e, finalmente, aquele seria o dia! Por tantas vezes havia visto nos filmes e novelas aqueles beijos dos casais apaixonados, sonhando com o dia em que... e ela já era quase uma moça, havia acabado de completar seus doze anos!
Aquela festinha não fora por acaso. Tivera todo o cuidado de planejá-la com antecedência, com a ajuda de suas melhores amigas, para que caísse no dia certo em que ele pudesse comparecer. Arranjaram CDs de música para se dançar pertinho, fizeram bailinho, tudo conforme o figurino. Ela se arrumara como quase nunca fazia, passando batom, repartindo o cabelo encaracolado em duas tranças, escolhendo sua melhor roupinha. Até então ia tudo de acordo, eles já haviam dançado, já haviam conversado, suas amigas já haviam falado com os amigos dele...
E ali estava ele, bem à sua frente.
Seu pequeno pé batia insistentemente no chão, acompanhando o descompasso acelerado de seu coração. Começou a brincar com o cabelo numa vã tentativa de esconder a timidez, pensando em alguma coisa para dizer-lhe enquanto tentava tomar coragem para olhar bem diretamente para aqueles olhos tão bonitos e tão simpáticos. Sua voz, porém, parecia ter tirado férias, enquanto seus olhos pareciam ter sido hipnotizados pelo botão amarelo da camiseta do garoto.
Endireitou sua blusinha cor-de-rosa, então, percebendo que seu acompanhante, prendendo a respiração, dava um passo em sua direção. Olhou para o lado, enrubescendo, seu hálito de hortelã se misturando com o perfume cítrico do menino. Via que suas cabeças agora se aproximavam cada vez mais, estavam a cada segundo mais perto. Estavam cada vez mais perto, cada vez mais perto... podia contar as sardas do rosto dele, se quisesse... mas, obviamente, ela preferiu fazer outra coisa.
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quinta-feira, 27 de novembro de 2008
Considerações sobre o futuro de Caranguejo Excêntrico
Era por volta das três horas da madrugada e lá estava Caranguejo Excêntrico no alto de sua agora não tão inatingível – pelo menos para uma certa pessoa em particular – Torre de Marfim, sentada em sua poltrona verde favorita e observando despreocupadamente o Mundo Real com seu telescópio mágico tecido de sonho.
Tentava imaginar, apesar do aperto que aquilo lhe causava, o quê diabos estaria fazendo naquele exato momento dali a uns quatro ou cinco anos.
Ela sempre se arrependia quando começava a voltar seus pensamentos para esse tipo de coisa, era como se um balde de gelo fosse virado em seu estômago e um pelicano gigante fizesse ninho na sua cabeça. Mas agora não havia como voltar atrás, observar o distante Mundo Real empurrara suas já irrefreadas idéias para este caminho e elas sempre foram muito teimosas para que ela conseguisse reconduzi-las rápido o suficiente para um terreno seguro. Só lhe restava, então, pensar no que quer que suas idéias quisessem pensar, até que numa hora ou outra o pensamento se cansasse desse tema em específico e voltasse a atenção para coisas mais agradáveis.
Pois bem, o que seria de Caranguejo Excêntrico dali a uns cinco anos? Teria a Síndrome de Peter Pan ido embora? Poderia ela vestir-se com seus panos sóbrios e adultos sem precisar despir-se dos leves e coloridos véus da inocente fantasia infantil que tanto idolatrava? Conseguiria ela por fim estabilizar-se sem contudo cair na armadilha terrível e hedionda da estagnação? Estaria ela, pois, simplesmente feliz?
Caranguejo Excêntrico balançou a cabeça e serviu-se de uma xícara quadriculada de Berguelotes fresquinhos, apontando seu telescópio para suas psicodélicas e verdejantes terras de Manskaoosin.
Aquele, sim, era o lugar ideal para se viver. Em seu maravilhoso e surreal reino particular de Manskaoosin Caranguejo Excêntrico poderia ser exatamente quem gostaria de ser. Poderia conviver apenas com aquelas pessoas das quais ela apreciava a companhia, poderia ouvir apenas o tipo de música que lhe apetecia, poderia estudar precisamente o que lhe agradava. Ali ela era a Imperatriz. Ali, era única.
Mas ela sabia que seu lindo e confortável mundo paralelo não lhe era acessível senão nas poucas horas durante as quais o poderoso Sol deixava-se cair irresistivelmente hipnotizado pelos mistérios obscuros da sedutora Lua. E, mesmo que pudesse permanecer ali para sempre, será que seria realmente bom? Será que toda aquela sua fantasia maravilhosa não era perfeita demais justamente porque não passava, porque não poderia passar de fantasia?
Manskaoosin havia sido criada para que nela Caranguejo Excêntrico pudesse recarregar suas baterias, arejar seus pensamentos, enlouquecer sem de fato ficar louca. Era seu refúgio. E não havia como ser mais do que isso.
Caranguejo Excêntrico fechou os olhos, já irritantemente cheios d’água, e respirou profundamente algumas vezes.
Precisava tomar coragem para mergulhar de cabeça naquele tal Mundo Real, entretanto o último concentrado desse tipo parecia ter sido entregue ao Leão Covarde pelo Mágico de Oz há algum tempo e andava em falta nos mercados-vermelhos dos mundos paralelos.
— Bem, quem sabe um genérico funcione, não é? — disse para si mesma, espreguiçando-se preguiçosamente enquanto seus pensamentos começavam a entoar um sonolento mantra manskaoosinista e perdiam-se completamente daquele assunto desconfortável do início — Acho que vou tentar fazer bolhas quadradas de sabão, então.
...
“I'm gonna love you ‘till the stars fall from the sky for you and I”.
Tentava imaginar, apesar do aperto que aquilo lhe causava, o quê diabos estaria fazendo naquele exato momento dali a uns quatro ou cinco anos.
Ela sempre se arrependia quando começava a voltar seus pensamentos para esse tipo de coisa, era como se um balde de gelo fosse virado em seu estômago e um pelicano gigante fizesse ninho na sua cabeça. Mas agora não havia como voltar atrás, observar o distante Mundo Real empurrara suas já irrefreadas idéias para este caminho e elas sempre foram muito teimosas para que ela conseguisse reconduzi-las rápido o suficiente para um terreno seguro. Só lhe restava, então, pensar no que quer que suas idéias quisessem pensar, até que numa hora ou outra o pensamento se cansasse desse tema em específico e voltasse a atenção para coisas mais agradáveis.
Pois bem, o que seria de Caranguejo Excêntrico dali a uns cinco anos? Teria a Síndrome de Peter Pan ido embora? Poderia ela vestir-se com seus panos sóbrios e adultos sem precisar despir-se dos leves e coloridos véus da inocente fantasia infantil que tanto idolatrava? Conseguiria ela por fim estabilizar-se sem contudo cair na armadilha terrível e hedionda da estagnação? Estaria ela, pois, simplesmente feliz?
Caranguejo Excêntrico balançou a cabeça e serviu-se de uma xícara quadriculada de Berguelotes fresquinhos, apontando seu telescópio para suas psicodélicas e verdejantes terras de Manskaoosin.
Aquele, sim, era o lugar ideal para se viver. Em seu maravilhoso e surreal reino particular de Manskaoosin Caranguejo Excêntrico poderia ser exatamente quem gostaria de ser. Poderia conviver apenas com aquelas pessoas das quais ela apreciava a companhia, poderia ouvir apenas o tipo de música que lhe apetecia, poderia estudar precisamente o que lhe agradava. Ali ela era a Imperatriz. Ali, era única.
Mas ela sabia que seu lindo e confortável mundo paralelo não lhe era acessível senão nas poucas horas durante as quais o poderoso Sol deixava-se cair irresistivelmente hipnotizado pelos mistérios obscuros da sedutora Lua. E, mesmo que pudesse permanecer ali para sempre, será que seria realmente bom? Será que toda aquela sua fantasia maravilhosa não era perfeita demais justamente porque não passava, porque não poderia passar de fantasia?
Manskaoosin havia sido criada para que nela Caranguejo Excêntrico pudesse recarregar suas baterias, arejar seus pensamentos, enlouquecer sem de fato ficar louca. Era seu refúgio. E não havia como ser mais do que isso.
Caranguejo Excêntrico fechou os olhos, já irritantemente cheios d’água, e respirou profundamente algumas vezes.
Precisava tomar coragem para mergulhar de cabeça naquele tal Mundo Real, entretanto o último concentrado desse tipo parecia ter sido entregue ao Leão Covarde pelo Mágico de Oz há algum tempo e andava em falta nos mercados-vermelhos dos mundos paralelos.
— Bem, quem sabe um genérico funcione, não é? — disse para si mesma, espreguiçando-se preguiçosamente enquanto seus pensamentos começavam a entoar um sonolento mantra manskaoosinista e perdiam-se completamente daquele assunto desconfortável do início — Acho que vou tentar fazer bolhas quadradas de sabão, então.
...
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segunda-feira, 24 de novembro de 2008
Insonho
Sonhos!
Sono?
Insone.
Sony!
Sono.
Sonhos?
Insônia...
Sônia...
Sonha.
Sono!
Sem som?
Sem sono?
Sem sonho.
Sono?
Insone.
Sony!
Sono.
Sonhos?
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terça-feira, 11 de novembro de 2008
Devaneios no Metrô
Metrô de São Paulo, linha que leva nada a lugar nenhum, sete horas da noite.
Estava eu praticando meu esporte predileto nesse tipo de situação – esporte este que consiste em observar e analisar descaradamente as pessoas à minha volta – quando notei, bem à minha frente, sentado em um dos bancos reservado para idosos e deficientes, um homem barrigudo de cabelos grisalhos que lia um livrinho fino de aparência comum.
Gutembergomaníaca que sou, pus-me então a tentar decifrar qual livro aquele tal seria.
Um livro de auto-ajuda, talvez? Do tipo “Como perder 10 kg em uma semana”? Sua pequena barriga certamente acharia um desses muito útil.
Poderia também ser um daqueles livros melosos e românticos de banca-de-jornal, tipo Sabrina, Stéphanie, Paola... não, não; quem costuma ler esses livros são garotinhas fúteis e velhinhas frustradas. (!)
Ah! E se fosse um livro erótico daqueles “Kama-Sutra para iniciantes” ou “Livros para se ler com uma mão só”? Hohoho, isso seria interessante; poderia aquele distinto senhor barrigudo ser um tiozão pervertido que—
Hum. Deixa pra lá.
Finalmente o homem pousou o livro em seu protuberante abdome, de capa virada, permitindo-me então que lesse o título: “O porquê do himem – Este é um livro que deve ser lido! Todos os homens e mulheres que foram adolescentes na década de 1960 devem ler este livro para aprender como ter de volta tudo aquilo que o Diabo roubou. O amor livre foi o pior erro dessa geração, as conseqüências disso são o grande numero de divórcios—
Fiquei alguns instantes em choque. Precisei virar-me de costas e me esconder entre alguns pares de braços e mãos para não rir abertamente e correr o risco de ouvir um sermão inflamado do homem barrigudo dono do livro sobre o “porquê do himem”.
Voltei a observar o tal senhor. Cabelos grisalhos, rugas de expressão, olhos escuros e fundos. Quantos anos teria? Uns sessenta? Teria ele sido jovem durante a liberação sexual do meio do século XX? Teria ele ouvido Beatles, usado LSD e sido hippie naquela época? Estaria ele passando por dificuldades no casamento e, não sabendo mais em quê se apoiar, voltando-se para a religião, resolveu colocar a culpa em coisas que aconteceram há quase cinqüenta anos atrás, com o agravante de ter sido levado pelo diabo?
É, não sei como ainda me surpreendo com certos exemplares da minha espécie. Muito mais fácil pôr a culpa no demônio do que arcar com as conseqüências dos próprios atos.
Sim, é claro, porque foi justamente isso. O Diabo que roubou a moral e a decência dos adolescentes dos anos 60, por isso tem tanta gente se divorciando hoje em dia.
Obviamente; nada mais natural. E foi nisso que fiquei pensando enquanto voltava para casa e colocava-me a escrever sobre o ocorrido.
Deveríamos ainda casar todas virgens, os garotos sendo iniciados por prostitutas, uma vez que precisavam chegar ao casamento sabendo desse tipo de coisa.
Deveríamos continuar com um casamento, por mais infeliz e perturbado que fosse, apenas para manter as aparências, porque a igreja e a sociedade diziam ser o casamento uma união única e indissolúvel.
É, deveríamos mesmo voltar a viver como famílias do século XIX; naquela época não havia tanto divórcio, não é? Mas isso significa necessariamente que as pessoas eram mais felizes?
Nada contra o casamento ou a virgindade, desde que a pessoa tenha optado por isso por livre e espontânea vontade em busca da própria felicidade. Acontece que foi justamente só depois das revoluções culturais da década de sessenta que foi possível ao indivíduo escolher. E se Deus é amor e quer o bem à Sua criação, privilegiando-a até mesmo com o próprio Livre-Arbítrio, não entendo qual o problema em se ter a possibilidade de escolher, não entre o pecado e a pureza, mas sim entre a felicidade e a frustração.
E não me venham com discursos prontos de felicidade da matéria X felicidade do espírito, não acredito que se possa ser verdadeiramente feliz sem que haja equilíbrio entre as duas.
E... e chega, que cansei de escrever.
Estava eu praticando meu esporte predileto nesse tipo de situação – esporte este que consiste em observar e analisar descaradamente as pessoas à minha volta – quando notei, bem à minha frente, sentado em um dos bancos reservado para idosos e deficientes, um homem barrigudo de cabelos grisalhos que lia um livrinho fino de aparência comum.
Gutembergomaníaca que sou, pus-me então a tentar decifrar qual livro aquele tal seria.
Um livro de auto-ajuda, talvez? Do tipo “Como perder 10 kg em uma semana”? Sua pequena barriga certamente acharia um desses muito útil.
Poderia também ser um daqueles livros melosos e românticos de banca-de-jornal, tipo Sabrina, Stéphanie, Paola... não, não; quem costuma ler esses livros são garotinhas fúteis e velhinhas frustradas. (!)
Ah! E se fosse um livro erótico daqueles “Kama-Sutra para iniciantes” ou “Livros para se ler com uma mão só”? Hohoho, isso seria interessante; poderia aquele distinto senhor barrigudo ser um tiozão pervertido que—
Hum. Deixa pra lá.
Finalmente o homem pousou o livro em seu protuberante abdome, de capa virada, permitindo-me então que lesse o título: “O porquê do himem – Este é um livro que deve ser lido! Todos os homens e mulheres que foram adolescentes na década de 1960 devem ler este livro para aprender como ter de volta tudo aquilo que o Diabo roubou. O amor livre foi o pior erro dessa geração, as conseqüências disso são o grande numero de divórcios—
Fiquei alguns instantes em choque. Precisei virar-me de costas e me esconder entre alguns pares de braços e mãos para não rir abertamente e correr o risco de ouvir um sermão inflamado do homem barrigudo dono do livro sobre o “porquê do himem”.
Voltei a observar o tal senhor. Cabelos grisalhos, rugas de expressão, olhos escuros e fundos. Quantos anos teria? Uns sessenta? Teria ele sido jovem durante a liberação sexual do meio do século XX? Teria ele ouvido Beatles, usado LSD e sido hippie naquela época? Estaria ele passando por dificuldades no casamento e, não sabendo mais em quê se apoiar, voltando-se para a religião, resolveu colocar a culpa em coisas que aconteceram há quase cinqüenta anos atrás, com o agravante de ter sido levado pelo diabo?
É, não sei como ainda me surpreendo com certos exemplares da minha espécie. Muito mais fácil pôr a culpa no demônio do que arcar com as conseqüências dos próprios atos.
Sim, é claro, porque foi justamente isso. O Diabo que roubou a moral e a decência dos adolescentes dos anos 60, por isso tem tanta gente se divorciando hoje em dia.
Obviamente; nada mais natural. E foi nisso que fiquei pensando enquanto voltava para casa e colocava-me a escrever sobre o ocorrido.
Deveríamos ainda casar todas virgens, os garotos sendo iniciados por prostitutas, uma vez que precisavam chegar ao casamento sabendo desse tipo de coisa.
Deveríamos continuar com um casamento, por mais infeliz e perturbado que fosse, apenas para manter as aparências, porque a igreja e a sociedade diziam ser o casamento uma união única e indissolúvel.
É, deveríamos mesmo voltar a viver como famílias do século XIX; naquela época não havia tanto divórcio, não é? Mas isso significa necessariamente que as pessoas eram mais felizes?
Nada contra o casamento ou a virgindade, desde que a pessoa tenha optado por isso por livre e espontânea vontade em busca da própria felicidade. Acontece que foi justamente só depois das revoluções culturais da década de sessenta que foi possível ao indivíduo escolher. E se Deus é amor e quer o bem à Sua criação, privilegiando-a até mesmo com o próprio Livre-Arbítrio, não entendo qual o problema em se ter a possibilidade de escolher, não entre o pecado e a pureza, mas sim entre a felicidade e a frustração.
E não me venham com discursos prontos de felicidade da matéria X felicidade do espírito, não acredito que se possa ser verdadeiramente feliz sem que haja equilíbrio entre as duas.
E... e chega, que cansei de escrever.
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quinta-feira, 30 de outubro de 2008
Tutorial de Como Matar Uma Mariposa Gigante
Estávamos nós, eu e Thiago, calmamente sentados no sofá da casa da minha avó em Águas de São Pedro, altas horas da madrugada, assistindo ao Novo Tele Curso – que, aliás, é realmente muito novo, diga-se de passagem; as placas dos carros que passavam na gravação ainda eram amarelas, os ônibus eram brancos com uma linha vermelha no meio e as pessoas usavam aqueles penteados cheios lindos do começo dos anos 90 e aquelas calças de cintura alta coloridas – quando, de repente, eis que essa que aqui vos escreve nota alguma coisa muito preta e muito nojenta delicadamente (?!) pousada no vidro da janela.
— Thi... Aquilo ali é uma barata ou uma borboleta? — perguntei, temendo a resposta.
Como todos bem sabem, eu tenho um certo, hum, como poderia dizer?, receio de borboletas.
Na verdade, não é bem um receio.
É medo, mesmo.
Pavor.
E não tem explicação nenhuma pra isso, exceto que minha avó também tem.
Já me disseram que, de acordo com a psicanálise, pode ser que esse meu pé atrás em relação às borboletas (escrever aqui “meu pavor de” seria mais correto, mas faria com que me sentisse idiota, então, deixa pra lá) e qualquer coisa que voe de maneira geral seja porque eu tenho inveja da liberdade que esses animais têm por poderem voar.
Talvez.
Mas se voar for mesmo só uma questão de errar o chão, então...
Ah, deixa pra lá.
Voltando ao que aconteceu.
— Thi... Aquilo ali é uma barata ou uma borboleta?
— Acho que é uma borboleta... ai, não, acho que é uma mariposa!
Foi o tempo de processar a palavra “mariposa” e ligar o nome ao bicho que os dois corajosos urbaninhos puseram-se de pé num pulo e foram refugiar-se no extremo oposto da sala, quase que atrás da mesa.
— E agora? Você vai matar? — perguntei, em meu desespero crescente.
— Matar isso aí? Ai. Tem SBP? Ai.
Bom ter um namorado que tem tanto medo de mariposa quanto eu.
Lá foi a garota do cabelo roxo desbotado em busca da salvação e do alívio que se materializavam em um vidro de SBP.
— Olha, tá aqui. E o pano. — eu disse, entregando-lhe as armas, assumindo uma expressão de “eu confio que você vai voltar vivo” digna de esposa de soldado em véspera de batalha e tratando de sair rapidinho dali.
Pobre Thiago. Foi-se chegando de mansinho ali perto da janela, entrincheirando-se atrás do sofá, as armas em punho, uma expressão de determinação no rosto. Engatilhou o vidro de SBP e disparou uma, duas, três vezes, dando um passo para trás a cada vez que a mariposa esboçava qualquer sinal de tentar se mexer.
— Ô Thi... acho que você tem que espirrar mais em cima dela, não? — balbuciei do meu esconderijo na cozinha.
— Tô tentando!! — disse ele, e espirrou uma quarta vez. Oh, céus. Para quê. E não foi que a mariposa maldita resolveu levantar vôo?
Não deu nem uns três segundos e eu já estava escondida atrás da porta da lavanderia, com um cachorro poddle preto com cara de sono a me observar desaprovadoramente e um sentimento nada propício de que não deveria ter deixado meu pobre namorado lutando sozinho com aquele monstro.
Cadê sua coragem, Carolina!
Juntei minhas forças, ou o que sobrara delas, e voltei para o campo de batalha.
— Thi?
— É melhor você ficar aí. Ela tava voando; agora tá pendurada no sofá.
— Ai. Vou tentar abrir a porta pra ela sair!
Brilhante idéia, Carolina. Brilhante. Como você pretendia fazer aquilo sem passar por aquele monstro mutante?
Mas lá fui eu, exemplo da coragem feminina, pulando a qualquer tremida de asas da mariposa, abrir a porta. E consegui sair ilesa da missão, vivas para mim! Entretanto, quem não quis entrar na brincadeira foi a mariposa. Lá ela continuou, pousada no sofá, parece que zombando das nossas tentativas frustradas de fazê-la ir embora.
— Taca mais SBP! — eu disse.
Acabamos com o vidro de SBP; nada. Busquei outro. No que o Thiago abriu o frasco aquele demônio alado, talvez prevendo outra tentativa homicida da nossa parte, abriu suas enormes asas negras e amareladas e partiu para cima do coitado.
— AH! AHHH! ELA TÁ ME ATACANDO!!!
— AAAAHHHHH!!!!
Corremos para a cozinha. De lá, observávamos a astúcia da mariposa, voando calmamente pela sala. Depois de algum tempo, ela se escondeu em baixo da mesa.
— É agora! — eu disse — Mais SBP!
Espirramos mais SBP naquela mutação genética, que começou a se debater freneticamente. Esboçou mais algumas tentativas de vôo, frustradas pelo veneno, e pôs-se a cambalear pelo chão da sala.
— Ah, agora fica mais fácil, né? — eu disse.
— É, né... — respondeu o Thiago, e ficou me olhando — Mas ela ainda tá fugindo.
Depois de algumas tentativas frustradas de tiro ao alvo com meus chinelos, eis que Thiago teve a brilhante idéia de jogar o pano em cima da mariposa.
— Você joga — falei.
E ele jogou. Acertou em cheio as asonas pretas e nojentas da mariposa.
E lá ficou, aquele monstro diabólico e perverso, debatendo-se debaixo do pano de chão sujo.
— Você vai pegar a bichinha? — perguntei, suplicante, mas já sabendo a resposta.
— Há. De jeito nenhum. Deixa ela aí!
Mas eu não podia deixá-la ali.
Ela se debatia, o pano mexia, começava a me dar uma agonia danada de ver a agonia da pobrezinha.
Sim, ela era um monstro vindo direto do inferno, mas, ainda assim, a hora da morte de qualquer ser vivo deve ser respeitada.
E foi por isso, por piedade, que eu não tive dúvidas e pisei em cima do pano. Uma, duas, três vezes. Dancei um sapateado romeno em cima da bicha, até ter certeza de que ela não iria se mexer mais.
— Pronto. Agora você pega? — perguntei.
— Eu, heim!! — respondeu Thiago se afastando.
Então, como não havia mais jeito, fiz eu o trabalho sujo de me livrar do corpo. Deitei-o no jardim, com pano e tudo, da maneira mais rápida e limpa que pude encontrar.
E foi assim que se deu a batalha épica de dois urbaninhos guerreiros e extremamente corajosos com um terrível monstro alado saído direto dos últimos círculos do inferno.
Por favor, crianças, não tentem isso em casa. Um negócio desses pode causar danos psicológicos irreversíveis...
E fim.
— Thi... Aquilo ali é uma barata ou uma borboleta? — perguntei, temendo a resposta.
Como todos bem sabem, eu tenho um certo, hum, como poderia dizer?, receio de borboletas.
Na verdade, não é bem um receio.
É medo, mesmo.
Pavor.
E não tem explicação nenhuma pra isso, exceto que minha avó também tem.
Já me disseram que, de acordo com a psicanálise, pode ser que esse meu pé atrás em relação às borboletas (escrever aqui “meu pavor de” seria mais correto, mas faria com que me sentisse idiota, então, deixa pra lá) e qualquer coisa que voe de maneira geral seja porque eu tenho inveja da liberdade que esses animais têm por poderem voar.
Talvez.
Mas se voar for mesmo só uma questão de errar o chão, então...
Ah, deixa pra lá.
Voltando ao que aconteceu.
— Thi... Aquilo ali é uma barata ou uma borboleta?
— Acho que é uma borboleta... ai, não, acho que é uma mariposa!
Foi o tempo de processar a palavra “mariposa” e ligar o nome ao bicho que os dois corajosos urbaninhos puseram-se de pé num pulo e foram refugiar-se no extremo oposto da sala, quase que atrás da mesa.
— E agora? Você vai matar? — perguntei, em meu desespero crescente.
— Matar isso aí? Ai. Tem SBP? Ai.
Bom ter um namorado que tem tanto medo de mariposa quanto eu.
Lá foi a garota do cabelo roxo desbotado em busca da salvação e do alívio que se materializavam em um vidro de SBP.
— Olha, tá aqui. E o pano. — eu disse, entregando-lhe as armas, assumindo uma expressão de “eu confio que você vai voltar vivo” digna de esposa de soldado em véspera de batalha e tratando de sair rapidinho dali.
Pobre Thiago. Foi-se chegando de mansinho ali perto da janela, entrincheirando-se atrás do sofá, as armas em punho, uma expressão de determinação no rosto. Engatilhou o vidro de SBP e disparou uma, duas, três vezes, dando um passo para trás a cada vez que a mariposa esboçava qualquer sinal de tentar se mexer.
— Ô Thi... acho que você tem que espirrar mais em cima dela, não? — balbuciei do meu esconderijo na cozinha.
— Tô tentando!! — disse ele, e espirrou uma quarta vez. Oh, céus. Para quê. E não foi que a mariposa maldita resolveu levantar vôo?
Não deu nem uns três segundos e eu já estava escondida atrás da porta da lavanderia, com um cachorro poddle preto com cara de sono a me observar desaprovadoramente e um sentimento nada propício de que não deveria ter deixado meu pobre namorado lutando sozinho com aquele monstro.
Cadê sua coragem, Carolina!
Juntei minhas forças, ou o que sobrara delas, e voltei para o campo de batalha.
— Thi?
— É melhor você ficar aí. Ela tava voando; agora tá pendurada no sofá.
— Ai. Vou tentar abrir a porta pra ela sair!
Brilhante idéia, Carolina. Brilhante. Como você pretendia fazer aquilo sem passar por aquele monstro mutante?
Mas lá fui eu, exemplo da coragem feminina, pulando a qualquer tremida de asas da mariposa, abrir a porta. E consegui sair ilesa da missão, vivas para mim! Entretanto, quem não quis entrar na brincadeira foi a mariposa. Lá ela continuou, pousada no sofá, parece que zombando das nossas tentativas frustradas de fazê-la ir embora.
— Taca mais SBP! — eu disse.
Acabamos com o vidro de SBP; nada. Busquei outro. No que o Thiago abriu o frasco aquele demônio alado, talvez prevendo outra tentativa homicida da nossa parte, abriu suas enormes asas negras e amareladas e partiu para cima do coitado.
— AH! AHHH! ELA TÁ ME ATACANDO!!!
— AAAAHHHHH!!!!
Corremos para a cozinha. De lá, observávamos a astúcia da mariposa, voando calmamente pela sala. Depois de algum tempo, ela se escondeu em baixo da mesa.
— É agora! — eu disse — Mais SBP!
Espirramos mais SBP naquela mutação genética, que começou a se debater freneticamente. Esboçou mais algumas tentativas de vôo, frustradas pelo veneno, e pôs-se a cambalear pelo chão da sala.
— Ah, agora fica mais fácil, né? — eu disse.
— É, né... — respondeu o Thiago, e ficou me olhando — Mas ela ainda tá fugindo.
Depois de algumas tentativas frustradas de tiro ao alvo com meus chinelos, eis que Thiago teve a brilhante idéia de jogar o pano em cima da mariposa.
— Você joga — falei.
E ele jogou. Acertou em cheio as asonas pretas e nojentas da mariposa.
E lá ficou, aquele monstro diabólico e perverso, debatendo-se debaixo do pano de chão sujo.
— Você vai pegar a bichinha? — perguntei, suplicante, mas já sabendo a resposta.
— Há. De jeito nenhum. Deixa ela aí!
Mas eu não podia deixá-la ali.
Ela se debatia, o pano mexia, começava a me dar uma agonia danada de ver a agonia da pobrezinha.
Sim, ela era um monstro vindo direto do inferno, mas, ainda assim, a hora da morte de qualquer ser vivo deve ser respeitada.
E foi por isso, por piedade, que eu não tive dúvidas e pisei em cima do pano. Uma, duas, três vezes. Dancei um sapateado romeno em cima da bicha, até ter certeza de que ela não iria se mexer mais.
— Pronto. Agora você pega? — perguntei.
— Eu, heim!! — respondeu Thiago se afastando.
Então, como não havia mais jeito, fiz eu o trabalho sujo de me livrar do corpo. Deitei-o no jardim, com pano e tudo, da maneira mais rápida e limpa que pude encontrar.
E foi assim que se deu a batalha épica de dois urbaninhos guerreiros e extremamente corajosos com um terrível monstro alado saído direto dos últimos círculos do inferno.
Por favor, crianças, não tentem isso em casa. Um negócio desses pode causar danos psicológicos irreversíveis...
E fim.
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segunda-feira, 15 de setembro de 2008
Pen Samen Tosjo Gado SP Oraí
Fujam, fujam para os promontórios!
As cascas dos ovos das gansas albinas dos Alpes estão nevando de novo!
Cuidado com o que desejam aos três-quartos dos ventos, às vezes moinhos são só dragões ao relento.
Um duende de barba branca me disse que eu deveria dizer que não dizia nada que dissesse alguma coisa dita. Mas, de qualquer forma, não consigo me lembrar direito do que foi que ele falou.
Alguém quer morangos?
Ambrósio era um bom rapaz, até que começou a comer morangos. Sua vida nunca mais foi a mesma...
Só.
E uma vida aos brindes simples das coisas.
...
"Mandei plantar folhas de sonho no jardim do solar"
As cascas dos ovos das gansas albinas dos Alpes estão nevando de novo!
Cuidado com o que desejam aos três-quartos dos ventos, às vezes moinhos são só dragões ao relento.
Um duende de barba branca me disse que eu deveria dizer que não dizia nada que dissesse alguma coisa dita. Mas, de qualquer forma, não consigo me lembrar direito do que foi que ele falou.
Alguém quer morangos?
Ambrósio era um bom rapaz, até que começou a comer morangos. Sua vida nunca mais foi a mesma...
Só.
E uma vida aos brindes simples das coisas.
...
"Mandei plantar folhas de sonho no jardim do solar"
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