quarta-feira, 16 de abril de 2008

Epifania

Uma cidade, uma bairro, uma rua.
Gente, fumaça, barulho, carro, ônibus, caminhão, prédio, ponte, avião, muro.
Pessoas cabisbaixas, isoladas em seus mundos particulares, apreensivas, apressadas, tristes, bravas, correndo, correndo, correndo.
Uma escadaria suja, poças líquidas com procedência desconhecida, alguma palavra ilegível pintada na parede.
Cinza, chumbo, asfalto, branco, preto, marrom, amarelado, esverdeado, desbotado, cor-de-rosa.
Cor-de-rosa?
Flores cor-de-rosa chapadas num céu incolor, emolduradas por estruturas acinzentadas, seguras por cordas emborrachadas e observadas por mentalidades metálicas.
Tudo pareceu fazer sentido, ficar colorido, ser desigualmente igual, anormalmente perfeito e perfeitamente anormal.
Segundos de uma visão única, muito movimentada e completamente parada, destoante, deslumbrante, desoladoramente fugaz.
No momento seguinte era só um mais um ipê cor-de-rosa florescendo em meio a prédios e carros na cidade de São Paulo.

...

"Você é bem grandinho, já pode se cuidar/ Ir seguindo seu caminho, sempre errando até um dia acertar"

3 comentários:

Tati disse...

Epifania sempre me lembra o cego mascando chiclete. Sempre.
Ou um ipê cor-de-rosa.

(detalhe para a verificação de palavras: yzamycuk... esse sim eu vou pôr no meu filho!!)

Mari L.ee Jones disse...

retornando depois de um longo tempo de literal recuperação...
sobre os dois posts... o que tenho a falar é...
*-*
só...

Fraturas Expostas disse...

"Uma flor nasceu na rua!
(...)
furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio."

Adorei o blog, tô morrendo de saudades, apareça!