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sábado, 9 de janeiro de 2010

Tirando o pó.

*Chega, tira o pó, espanta algumas baratas e besouros que jogavam xadrez e tomavam café, pede reintegração de posse da família aracnídea que a esta altura já havia construído ilegalmente uma megalópole em teias pelo blog, senta-se em uma almofada desbotada e acende um cigarro*

Ai, ai.

Já é ano-novo, mas a inspiração ainda é velha. Continua despreocupadamente caindo na farra e não ligando a mínima para mim.

Ou seja, como sempre, não sei o que escrever.

Sei que quero, que preciso escrever.

Mas não sei o quê.

Palavras, palavras; que são elas se não um amontoado de signos que só dizem de fato alguma coisa para aqueles que sabem decifrá-las?

Ou, talvez, mesmo para esses, não dizem nada.

Se bem que, na verdade, é meio óbvio que palavras não dizem nada, palavras não têm boca. Podem ser ditas, de fato, mas não dizem nada sozinhas. Ou dizem?

Bem, nunca vi uma palavra que tivesse boca.

...

"Raul Seixas comendo peixinho frito"

domingo, 6 de setembro de 2009

Passatempo

(Escrito durante uma aula que tinha tudo para ser muito boa, exceto o professor)

E eis a sublime arte da picaretagem, meus caros!

Almanaque Abril, Wikipédia e chamada ao final da aula em pleno terceiro ano de faculdade. Oh, céus. Estaria eu por acaso no terceiro ano do ensino fundamental e não sei?

Francamente.

O melhor a se fazer é, então, escrever para passar o tempo, não?

Ferro de passar roupa, tomada, eletricidade, água, tábua.

Tempo se passa com vinco ou sem vinco?

Droga, minha mãe sempre me disse que eu precisava aprender a passar roupa, não tempo.

Uma borrifada d'água aqui, uma dobradinha ali; não deve ser assim tão difícil, afinal. Só é preciso muito cuidado para não queimar, tempo queimado cheira mal, causa estresse e bolhas nos pés.

Lá lá lá, e, voilá!, um tempinho passadinho rapidinho!

...

Bah. E que faço eu agora com todo o tempo que ainda está por passar?

Tenho a impressão de que ele ficaria muitíssimo melhor passado se eu não estivesse assistindo à essa aula "nem um pouco" picareta.

Sim, de fato.

Sinta o gosto dele, realmente está muito mal-passado, não?

Quase cru, eu diria; veja só todo o sangue que ainda escorre.

E nem adianta deixar mais um pouco no fogo, tempo mal passado é imutável, permanece assim para sempre, como cinza de lembrança.

Para que o tempo fique bem passado é necessário que assim seja desde o início, como você bem deve saber.

Desde o início.

E o quê seria o início?

Ora, o início do tempo relativo é relativo, o início do tempo absoluto é absoluto.

Agora, o que de fato seria tempo, relativo, absoluto e, conseqüentemente, o início, "decifra-me ou te devoro", a resposta para todas as perguntas não passa de um pedaço de queijo suíço com quarenta e dois buracos de diferentes tamanhos. E tamancos brancos. Francos. Aos prantos.

...

"Já houve um tempo em que o tempo parou de passar/ E o tal do Homo sapiens não soube disso aproveitar"

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Pensamentos Livres e Idéias Intraduzíveis

Um mundo de idéias passeava pelo meu cérebro.

Pensamentos dançantes saracoteavam sem pudores por todos os lados, despidos de toda e qualquer regra gramatical ou coerência verbal.

Eram simples idéias existindo, pulsando, dançando a Macarena.

Pensamentos intraduzíveis vestidos de piratas jogando dominó.

Pensamentos apalavreados bebendo Dinamites Pangalácticas e cantando Roberto Carlos.

Pensamentos livres.

Pensamentos pura e simplesmente livres.

Tive então a ousadia de sentar-me à frente do computador para escrevê-los.

Forcei-os a parar, enfileirei-os, etiquetei-os.

Tentei persuadi-los a se submeterem à gramática, às letras, às palavras.

Mas eles eram livres.

Eram meus pensamentos livres e minhas idéias intraduzíveis.

Se os explicasse e os transformasse em palavras eles não mais seriam meus, não mais seriam livres.

Acabariam por se tornar apenas outra idéia jogada na prateleira do supermercado de idéias, comum, barata e empoeirada.

Não teriam mais a menor graça!

Resolvi então deixar que eles continuassem a fazer o que quer que um pensamento livre gosta de fazer com uma idéia intraduzível altas horas da madrugada e ir procurar por vida inteligente na mancha verde de mofo que surgiu no pedaço de pizza esquecido na geladeira desde o mês passado.

...

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Matemática?!

Não, não adianta.

Os números não vão com a minha cara.

Nem com chantagem, suborno ou reza braba.

E eu juro que não é culpa minha.

Já tentei socializar com eles, chamando-os humildemente para tomar algumas xícaras de berguelotes feitos na hora em Manskaoosin. Servi-os em porcelana chinesa e bandeja de prata, mandei meu cozinheiro Pierre Pierrô preparar as melhores receitas de biscoitos recheados que ele pudesse imaginar, coloquei discos de música clássica para tocar, até penteei meu cabelo.

Nada disso adiantou.

Eles foram arrogantes, olharam-me com expressões de descaso, beberam meus berguelotes fazendo careta, zombaram dos biscoitos recheados do meu cozinheiro, apontaram mil defeitos na disposição das minhas terras e na arquitetura do meu castelo, chutaram meu dragão de estimação dizendo que ele não existia e que nada daquilo ali existia e foram embora carrancudos e cochichando entre si.

- Ela nem ao menos penteia os cabelos! - ouvi um deles dizer.

É.

Desde então a única coisa relacionada à matemática que eu de fato tenho certeza de estar calculando corretamente é o troco do dinheiro da cerveja.

Ok.

Às vezes nem isso.

...

segunda-feira, 30 de março de 2009

De uma Vontade de escrever

Estou com vontade de escrever.
Entretanto não é aquela vontade a qual se pode controlar, sabe?
Não gosta de amarras, essa minha vontade.
Nunca gostou.
E está se recusando terminantemente a me ajudar com o final da história da Inspiração.
Na verdade eu acho que ela está com ciúmes.
Sim, é por todos sabido que Vontades e Inspirações têm suas rixas pessoais.
Isso ocorre desde os tempos imemoriais em que os animais falavam e as nuvens eram feitas de algodão-doce.
Até hoje não superaram essa desavença, pobrezinhas.
E quem sai perdendo com isso sou eu.

(Ou vocês, que eu tenho certeza de que estão fervendo de curiosidade para saber o que aconteceu quando fui resgatar minha Inspiração naquela cadeia perdida de Roshgrangeon U.U”)

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Sobre as coisas como elas não são

Ao amanhecer de uma noite ligeiramente ébria estava esta que aqui vos escreve sentada num dos bancos azuis do fundo de um Terminal Capelinha, olhando pela janela sem realmente ver o que se passava por trás do vidro e ouvindo o álbum Division Bell, do Pink Floyd.

Não pensava em nada em específico, só ouvia a música e lutava contra o insistente sono.

Em uma das paradas do ônibus, eis que sobe no veículo uma senhora baixa, meio gorducha, de cabelos gritantemente vermelhos e roupas que combinavam muito bem: calças amarelo marca-texto e uma camisa azul-marinho com bolotas coloridas.

Não tive como não reparar. Talvez se ela tivesse pendurado uma melancia no pescoço o visual ficasse ligeiramente mais apresentável, mas, em todo o caso, o fato foi que aquela explosão de cores fez-me pensar sobre algumas coisas.

Não, não foi que talvez a pobre mulher não tivesse dinheiro o suficiente para possuir um espelho de corpo inteiro em casa ou em como o mundo poderia ser muito mais esteticamente agradável se fosse possível adquirir um concentrado de Senso de Ridículo em qualquer farmácia.

Lá, sentada num dos últimos bancos azuis do ônibus, observando com ligeiro ar de riso aquela explosão de cores que se materializava na gorducha senhora ridiculamente vestida, pensamentos obscuros sobre a relatividade das coisas começaram a dançar uma ciranda na varanda do meu cérebro.

A vermelhidão do cabelo da senhora, por exemplo.

Será que aquela cor intensa e vívida que eu enxergava com meus míopes e astigmáticos olhos castanhos era a mesma cor que o garoto de boné postado em frente à porta via quando olhava para aquela mulher?

Será que o vermelho que eu vejo é o mesmo vermelho que ele vê, que você vê, que qualquer um vê?

Se uma pessoa, desde que se entende por gente, acostuma-se a dizer que a cor do céu é azul, a cor do céu, para aquela pessoa, será azul, mesmo que o que ela veja seja o que eu chamaria de verde. Estando ela acostumada a chamar o que eu chamaria de verde de azul, o verde, para aquela pessoa, seria azul.

Ou não.

As relatividades e as dependências dos pontos de vista para qualquer situação são um tanto quanto frustrantes, não são?

Digo, até hoje não tenho a certeza absoluta de que aqueles que me cercam existem realmente.

Talvez vocês todos sejam apenas um fruto da minha imaginação.

Talvez eu mesma seja um fruto da minha imaginação.

Como posso ter a certeza de que alguma coisa é realmente alguma coisa, seja lá que alguma coisa essa alguma coisa gostaria de ser, se é da minha percepção que irei me valer ao analisar essa alguma coisa?

O que eu quero dizer – se é que quero mesmo dizer alguma coisa e não simplesmente escrever palavras a esmo numa página em branco do Blogger – é que esse é o tipo de coisa sobre a qual o melhor a se fazer é varrê-la para debaixo do tapete e ir assistir à uma partida de bocha alienígena bebendo vodkas Alkällesiahnas.

Ou não, também.

42.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

08.08.08

O Profeta Zé Apocalipse, meu intergaláctico guru espiritual, disse-me agora a pouco:

Hoje, caríssima Mestra Carolina, abrir-se-á o Portal de Órion, exatamente às 08 horas e 08 minutos da manhã.

Deste magnânimo portal emanarão as justiceiras energias do o número 8, potencializando todo e qualquer pensamento, seja ele positivo ou negativo.

Portanto, Carolina, aconselho-a a inspecionar seus pensamentos muito bem inspecionados.

Sim, eu sei que isso não é tarefa fácil, uma vez que ainda não se sabe se é você quem pensa nos seus pensamentos ou se são eles que pensam em você.

De qualquer maneira, fique alerta para aonde o vento sopra.

É necessário lembrar, também, que há uma ligeira possibilidade deste Portal Energético Universal se transmutar em um Portal Físico-Energético Multidimensional, permitindo o contato com alguns pontos inespecíficos de regiões localizadas em dimensões diferentes da dimensão terrestre. A probabilidade é ínfima, mas a possibilidade é considerável, uma vez que possibilidades são sempre consideráveis.

Em todo o caso, deixe sua toalha em um local de fácil acesso e programe-se para usar o Grande Chapéu de Alumínio Prateado nesse horário.

Cuidado com o fluxo de algumas ondas eletro-magnéticas com nomes de letras gregas, elas podem estar vestidas de dançarinas de cabaré e lhe intimarem a coçar os ouvidos com os dedos do pé.

Fique em paz, não coma cera de ouvido, jogue abóboras nos feriados e observe as estrelas sempre que puder!

Namastê!

Profeta Zé Apocalipse.

***

Huuuum.

Acho melhor eu me preparar.


*Karol indo buscar sua toalha, rolos de papel alumínio, uma lanterna, algumas pilhas e um pacote de pipoca-de-microondas*

sábado, 14 de junho de 2008

Diálogo

- Tô de saco cheio.
- Saco cheio de quê?
- Hum. Sabe que eu não sei? Espera que eu vou olhar.
- Vá pela sombra! Os Zepelins estão atarefados, hoje.

*Alguns minutos depois*

- E aí, descobriu?
- Sim, sim! Tô de saco cheinho de bolinhas de gude cor-de-laranja.
- Puxa, maneiro, né?
- Na verdade não.
- Imaginei. As verdes-limão são bem mais cheirosas.
- É.
- Vamos fazer alguma coisa pra passar o tempo?
- Pra quê? Ele vai passar, independente da gente fazer ounão alguma coisa.
- Ah, mas quando estamos fazendo alguma coisa ele parece que passa mais rápido.
- Você acha isso legal?
- Como assim?
- Que o tempo passe mais rápido?
- É...
- Você quer morrer mais rápido?
- Na verdade eu gostaria de não pensar sobre isso.
- Sabe, eu também. Vamos beber alguma coisa bem alcoólica?
- Ah, é claro! Os guarda-chuvas cintilantes estão muito convidativos, hoje.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Sobre aquilo que eu queria muito escrever mas não sei o que é


Ah, que horror.
Tem coisa pior do que querer escrever, mas não ter inspiração?
Bem, até tem; mas no momento...
As palavras estão ali; vejo-as dançando conga com macacos vestidos de bailarinas e voando nas costas de besouros verdes encapuzados.
Mas, por Zeus, não consigo escrevê-las!
Hum.
Eu estou escrevendo, agora; é verdade.
E isso são palavras, não são?
São; com certeza são.
Ah, que ótimo, estou escrevendo!
Bem.
Na verdade não são as palavras que eu queria escrever.
Não são aquelas, lá, que dançam e voam, sabe?
Não, são outras, completamente diferentes.
São mais... menos.
Entende?
Não?
Ah, que coisa.
Eu também não.

"Oh, Lord, won't you buy me a Mercedez-Benz?"

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Epifania

Uma cidade, uma bairro, uma rua.
Gente, fumaça, barulho, carro, ônibus, caminhão, prédio, ponte, avião, muro.
Pessoas cabisbaixas, isoladas em seus mundos particulares, apreensivas, apressadas, tristes, bravas, correndo, correndo, correndo.
Uma escadaria suja, poças líquidas com procedência desconhecida, alguma palavra ilegível pintada na parede.
Cinza, chumbo, asfalto, branco, preto, marrom, amarelado, esverdeado, desbotado, cor-de-rosa.
Cor-de-rosa?
Flores cor-de-rosa chapadas num céu incolor, emolduradas por estruturas acinzentadas, seguras por cordas emborrachadas e observadas por mentalidades metálicas.
Tudo pareceu fazer sentido, ficar colorido, ser desigualmente igual, anormalmente perfeito e perfeitamente anormal.
Segundos de uma visão única, muito movimentada e completamente parada, destoante, deslumbrante, desoladoramente fugaz.
No momento seguinte era só um mais um ipê cor-de-rosa florescendo em meio a prédios e carros na cidade de São Paulo.

...

"Você é bem grandinho, já pode se cuidar/ Ir seguindo seu caminho, sempre errando até um dia acertar"

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Inspiração

*Batidas na porta*

- Inspiração? Você tá aí?
- Não tô, não.
- Ahh, Inspiração, vem cá falar comigo!
- Já disse que não tô.
- Mas você tá me respondendo!
- Não tô, não. Isso é uma gravação.

*Alguns minutos e uma xícara de café depois*

- Inspiraçã-ão?!!
Iu-hu?!!
Cadê você-êê!?
Vem cá com a titia, vem?
Hum, hum?

- Patético - diz a Inspiração, saindo de sua Toca.

- Inspiração?
Oi!
Resolveu sair pra conversar comigo?
Inspiração?
Foge não, Inspiração!
Volta aqui, eu preciso de você!
Inspiração!
INSPIRAÇÃÃÃÃÃÃO!!??

*Silêncio*

Droga.
Ela fugiu, de novo.

...

"Faz parte do meu show"