Feliz Ano-Novo-Pessoal pra mim e feliz Dia Internacional do Rock pra vocês!
\m/,
Há exatos vinte e dois anos resolvi, no dia mais frio daquele ano, vir a este mundo complicado e esquisito.
O motivo?
Bem, quem sabe?
Eu gostaria de saber.
Ou não.
Tá, eu gostaria, sim, de saber.
Mas tenho certeza de que tal conhecimento não é algo com o qual eu, humana ridícula e limitada, poderia lidar.
Ou não.
Vai saber.
(Ou não.)
...
"Voar é só uma questão de errar o chão"
terça-feira, 13 de julho de 2010
quinta-feira, 8 de julho de 2010
E, seis meses depois...
*Chega com alguns baldes de tinta e joga em tudo o que vê pela frente*
Este lugar estava prescisando de um pouco de cor, você não acha?
Talvez tenha sido por isso que minha Inspiração ficou tanto tempo sem aparecer. Não que ela tenha voltado, agora, mas quem sabe algumas mudanças estéticas não a fazem se sentir melhor, né?
Não custa tentar.
Na verdade esse layout foi notadamente influenciado pelo DVD quádruplo sobre Woodstock que ganhei da minha Lagarta Listrada Grunge E Quase Albina de aniversário.
*.*
Ah, os 60's.
Guerra do Vietnã; Contra-Cultura; quebra de padrões estéticos e morais; quase um milhão de pessoas em uma fazenda em Bethel, nos Estados Unidos, sem polícia e sem um único caso de violência; Janis Joplin, Jimmy Hendrix, Jim Morrison...
*Suspiro*
Engraçado sentir saudades de algo que nunca se viveu, né?
Bem, talvez seja por isso que eu estudo História.
Nasci na época errada, mesmo.
...
Só, esse post é apenas para contar que voltei. Não sei por quanto tempo, mas, bem, por enquanto voltei a escrever aqui.
E é isso.
"Não vá se perder por aí"
Este lugar estava prescisando de um pouco de cor, você não acha?
Talvez tenha sido por isso que minha Inspiração ficou tanto tempo sem aparecer. Não que ela tenha voltado, agora, mas quem sabe algumas mudanças estéticas não a fazem se sentir melhor, né?
Não custa tentar.
Na verdade esse layout foi notadamente influenciado pelo DVD quádruplo sobre Woodstock que ganhei da minha Lagarta Listrada Grunge E Quase Albina de aniversário.
*.*
Ah, os 60's.
Guerra do Vietnã; Contra-Cultura; quebra de padrões estéticos e morais; quase um milhão de pessoas em uma fazenda em Bethel, nos Estados Unidos, sem polícia e sem um único caso de violência; Janis Joplin, Jimmy Hendrix, Jim Morrison...
*Suspiro*
Engraçado sentir saudades de algo que nunca se viveu, né?
Bem, talvez seja por isso que eu estudo História.
Nasci na época errada, mesmo.
...
Só, esse post é apenas para contar que voltei. Não sei por quanto tempo, mas, bem, por enquanto voltei a escrever aqui.
E é isso.
"Não vá se perder por aí"
sábado, 9 de janeiro de 2010
Tirando o pó.
*Chega, tira o pó, espanta algumas baratas e besouros que jogavam xadrez e tomavam café, pede reintegração de posse da família aracnídea que a esta altura já havia construído ilegalmente uma megalópole em teias pelo blog, senta-se em uma almofada desbotada e acende um cigarro*
Ai, ai.
Já é ano-novo, mas a inspiração ainda é velha. Continua despreocupadamente caindo na farra e não ligando a mínima para mim.
Ou seja, como sempre, não sei o que escrever.
Sei que quero, que preciso escrever.
Mas não sei o quê.
Palavras, palavras; que são elas se não um amontoado de signos que só dizem de fato alguma coisa para aqueles que sabem decifrá-las?
Ou, talvez, mesmo para esses, não dizem nada.
Se bem que, na verdade, é meio óbvio que palavras não dizem nada, palavras não têm boca. Podem ser ditas, de fato, mas não dizem nada sozinhas. Ou dizem?
Bem, nunca vi uma palavra que tivesse boca.
...
"Raul Seixas comendo peixinho frito"
Ai, ai.
Já é ano-novo, mas a inspiração ainda é velha. Continua despreocupadamente caindo na farra e não ligando a mínima para mim.
Ou seja, como sempre, não sei o que escrever.
Sei que quero, que preciso escrever.
Mas não sei o quê.
Palavras, palavras; que são elas se não um amontoado de signos que só dizem de fato alguma coisa para aqueles que sabem decifrá-las?
Ou, talvez, mesmo para esses, não dizem nada.
Se bem que, na verdade, é meio óbvio que palavras não dizem nada, palavras não têm boca. Podem ser ditas, de fato, mas não dizem nada sozinhas. Ou dizem?
Bem, nunca vi uma palavra que tivesse boca.
...
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domingo, 6 de setembro de 2009
Passatempo
(Escrito durante uma aula que tinha tudo para ser muito boa, exceto o professor)
E eis a sublime arte da picaretagem, meus caros!
Almanaque Abril, Wikipédia e chamada ao final da aula em pleno terceiro ano de faculdade. Oh, céus. Estaria eu por acaso no terceiro ano do ensino fundamental e não sei?
Francamente.
O melhor a se fazer é, então, escrever para passar o tempo, não?
Ferro de passar roupa, tomada, eletricidade, água, tábua.
Tempo se passa com vinco ou sem vinco?
Droga, minha mãe sempre me disse que eu precisava aprender a passar roupa, não tempo.
Uma borrifada d'água aqui, uma dobradinha ali; não deve ser assim tão difícil, afinal. Só é preciso muito cuidado para não queimar, tempo queimado cheira mal, causa estresse e bolhas nos pés.
Lá lá lá, e, voilá!, um tempinho passadinho rapidinho!
...
Bah. E que faço eu agora com todo o tempo que ainda está por passar?
Tenho a impressão de que ele ficaria muitíssimo melhor passado se eu não estivesse assistindo à essa aula "nem um pouco" picareta.
Sim, de fato.
Sinta o gosto dele, realmente está muito mal-passado, não?
Quase cru, eu diria; veja só todo o sangue que ainda escorre.
E nem adianta deixar mais um pouco no fogo, tempo mal passado é imutável, permanece assim para sempre, como cinza de lembrança.
Para que o tempo fique bem passado é necessário que assim seja desde o início, como você bem deve saber.
Desde o início.
E o quê seria o início?
Ora, o início do tempo relativo é relativo, o início do tempo absoluto é absoluto.
Agora, o que de fato seria tempo, relativo, absoluto e, conseqüentemente, o início, "decifra-me ou te devoro", a resposta para todas as perguntas não passa de um pedaço de queijo suíço com quarenta e dois buracos de diferentes tamanhos. E tamancos brancos. Francos. Aos prantos.
...
"Já houve um tempo em que o tempo parou de passar/ E o tal do Homo sapiens não soube disso aproveitar"
E eis a sublime arte da picaretagem, meus caros!
Almanaque Abril, Wikipédia e chamada ao final da aula em pleno terceiro ano de faculdade. Oh, céus. Estaria eu por acaso no terceiro ano do ensino fundamental e não sei?
Francamente.
O melhor a se fazer é, então, escrever para passar o tempo, não?
Ferro de passar roupa, tomada, eletricidade, água, tábua.
Tempo se passa com vinco ou sem vinco?
Droga, minha mãe sempre me disse que eu precisava aprender a passar roupa, não tempo.
Uma borrifada d'água aqui, uma dobradinha ali; não deve ser assim tão difícil, afinal. Só é preciso muito cuidado para não queimar, tempo queimado cheira mal, causa estresse e bolhas nos pés.
Lá lá lá, e, voilá!, um tempinho passadinho rapidinho!
...
Bah. E que faço eu agora com todo o tempo que ainda está por passar?
Tenho a impressão de que ele ficaria muitíssimo melhor passado se eu não estivesse assistindo à essa aula "nem um pouco" picareta.
Sim, de fato.
Sinta o gosto dele, realmente está muito mal-passado, não?
Quase cru, eu diria; veja só todo o sangue que ainda escorre.
E nem adianta deixar mais um pouco no fogo, tempo mal passado é imutável, permanece assim para sempre, como cinza de lembrança.
Para que o tempo fique bem passado é necessário que assim seja desde o início, como você bem deve saber.
Desde o início.
E o quê seria o início?
Ora, o início do tempo relativo é relativo, o início do tempo absoluto é absoluto.
Agora, o que de fato seria tempo, relativo, absoluto e, conseqüentemente, o início, "decifra-me ou te devoro", a resposta para todas as perguntas não passa de um pedaço de queijo suíço com quarenta e dois buracos de diferentes tamanhos. E tamancos brancos. Francos. Aos prantos.
...
"Já houve um tempo em que o tempo parou de passar/ E o tal do Homo sapiens não soube disso aproveitar"
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Devaneios
sábado, 11 de julho de 2009
A Lagartixa Raio De Sol - Parte III
O Sol se aproximava do horizonte quando a Lagartixa Raio de Sol finalmente chegou aos pés dos Grandiosos Portões Que Teoricamente Não Davam Para Lugar Nenhum.
Um sentimento de missão quase cumprida e contentamento quase pleno apoderou-se dela enquanto estava a observar aqueles imponentes portais de madeira esburacada e dobradiças de aço enferrujado com os olhinhos castanhos marejados de emoção.
— Finalmente... — murmurou a Lagartixa avançando lentamente em direção aos Portões — Vou ser a primeira Lagartixa a descobrir o que diabos tem do Outro Lado dos Grandiosos Portões Que Teoricamente Não Dão Para Lugar Nenhum... o que será que verei? — continuou, encostando as frias patas na madeira velha do portal.
Hesitou ao empurrá-las.
— Por que será que ninguém nunca quis saber disso antes? — perguntou-se.
Então uma onda crescente de pânico começou a tomar lugar em seu peito, corroendo a sensação de missão quase cumprida e esburacando o sentimento de contentamento quase pleno.
E se fosse melhor não saber o que havia do outro lado? E se ela não estivesse preparada para o que cargas d’água poderia haver ali? E se fosse justamente esse o motivo de terem fechado os portões e de ninguém se atrever a ver o que se passava do lado de lá? E se tudo não passasse de uma árvore de maçãs carregada de frutas-do-conde?
— Não entre em pânico, não entre em pânico, NÃO ENTRE EM PÂNICO, PORRA!! — dizia uma vozinha histérica em sua cabeça.
Raio de Sol respirou fundo e retirou de seu bolso a pequena fruta-do-conde que o Mini-Canguru-Dos-Campos lhe jogara na cabeça. Ficou alguns instantes a observá-la, reparando em todos os gominhos esquisitos dispostos em sua casca, pensando o quê diabos Deus estaria pensando quando criou aquela fruta, ou quando criou o kiwi, quando criou o ornitorrinco, quando criou ela mesma.
Voltou novamente o olhar para os Grandiosos Portões.
— E seu Deus não tiver nada a ver com isso? — pensou.
Fechando os olhos, resolveu começar a abri-los lentamente. Quando havia uma pequena fresta aberta, jogou sua fruta-do-conde para o outro lado e fechou-o rapidamente. Esperou, escutando. Não ouviu nada, e sua curiosidade aumentou.
— Que seja o que tiver que ser — pensou, dando de ombros — Afinal, que é que eu tenho a perder?
Empurrou os pedaços de madeira velha com toda a sua força. Eles estalaram e se abriram com um estrondo, deixando uma lagartixa antes assustada completamente estupefata com o que viu.
Era igual.
Exatamente igual.
O outro lado se compunha das mesmas montanhas que ela conhecia desde pequena e que existiam do lado de cá. Eram os mesmos campos verdejantes, as mesmas macieiras que davam frutas-do-conde. O Sol brilhava do mesmo jeito dos dois lados, o céu continuava a ser azul, vermelho e dourado no pôr-do-sol, as nuvens continuavam a ser de algodão doce.
— Eu falei que não tinha nada, não falei? — disse o Mini-Canguru-Dos-Campos, surgido sabe-se-lá de onde.
— Ora — disse a lagartixa — Tem, sim. Muita coisa, aliás. E agora eu sei — respondeu a lagartixa, precipitando-se pelo portal e apanhando a fruta-do-conde que jogara para o outro lado — Tome — entregou-a ao Mini-Canguru-Dos-Campos — Pode ser útil.
Raio de Sol fechou novamente os portões e voltou alegre e contente para o Vilarejo Tranqüilo, assobiando uma bela canção.
[FIM]
Um sentimento de missão quase cumprida e contentamento quase pleno apoderou-se dela enquanto estava a observar aqueles imponentes portais de madeira esburacada e dobradiças de aço enferrujado com os olhinhos castanhos marejados de emoção.
— Finalmente... — murmurou a Lagartixa avançando lentamente em direção aos Portões — Vou ser a primeira Lagartixa a descobrir o que diabos tem do Outro Lado dos Grandiosos Portões Que Teoricamente Não Dão Para Lugar Nenhum... o que será que verei? — continuou, encostando as frias patas na madeira velha do portal.
Hesitou ao empurrá-las.
— Por que será que ninguém nunca quis saber disso antes? — perguntou-se.
Então uma onda crescente de pânico começou a tomar lugar em seu peito, corroendo a sensação de missão quase cumprida e esburacando o sentimento de contentamento quase pleno.
E se fosse melhor não saber o que havia do outro lado? E se ela não estivesse preparada para o que cargas d’água poderia haver ali? E se fosse justamente esse o motivo de terem fechado os portões e de ninguém se atrever a ver o que se passava do lado de lá? E se tudo não passasse de uma árvore de maçãs carregada de frutas-do-conde?
— Não entre em pânico, não entre em pânico, NÃO ENTRE EM PÂNICO, PORRA!! — dizia uma vozinha histérica em sua cabeça.
Raio de Sol respirou fundo e retirou de seu bolso a pequena fruta-do-conde que o Mini-Canguru-Dos-Campos lhe jogara na cabeça. Ficou alguns instantes a observá-la, reparando em todos os gominhos esquisitos dispostos em sua casca, pensando o quê diabos Deus estaria pensando quando criou aquela fruta, ou quando criou o kiwi, quando criou o ornitorrinco, quando criou ela mesma.
Voltou novamente o olhar para os Grandiosos Portões.
— E seu Deus não tiver nada a ver com isso? — pensou.
Fechando os olhos, resolveu começar a abri-los lentamente. Quando havia uma pequena fresta aberta, jogou sua fruta-do-conde para o outro lado e fechou-o rapidamente. Esperou, escutando. Não ouviu nada, e sua curiosidade aumentou.
— Que seja o que tiver que ser — pensou, dando de ombros — Afinal, que é que eu tenho a perder?
Empurrou os pedaços de madeira velha com toda a sua força. Eles estalaram e se abriram com um estrondo, deixando uma lagartixa antes assustada completamente estupefata com o que viu.
Era igual.
Exatamente igual.
O outro lado se compunha das mesmas montanhas que ela conhecia desde pequena e que existiam do lado de cá. Eram os mesmos campos verdejantes, as mesmas macieiras que davam frutas-do-conde. O Sol brilhava do mesmo jeito dos dois lados, o céu continuava a ser azul, vermelho e dourado no pôr-do-sol, as nuvens continuavam a ser de algodão doce.
— Eu falei que não tinha nada, não falei? — disse o Mini-Canguru-Dos-Campos, surgido sabe-se-lá de onde.
— Ora — disse a lagartixa — Tem, sim. Muita coisa, aliás. E agora eu sei — respondeu a lagartixa, precipitando-se pelo portal e apanhando a fruta-do-conde que jogara para o outro lado — Tome — entregou-a ao Mini-Canguru-Dos-Campos — Pode ser útil.
Raio de Sol fechou novamente os portões e voltou alegre e contente para o Vilarejo Tranqüilo, assobiando uma bela canção.
[FIM]
domingo, 5 de julho de 2009
A Lagartixa Raio De Sol - Parte II
Após muito caminhar pela Estrada Que Levava Até Os Grandiosos Portões Que Teoricamente Não Davam Para Lugar Nenhum — estrada esta construída muito, muito tempo antes das Lagartixas Que Se Diziam Modernas E Inteligentes assumirem o poder e proclamarem que os Antigos Portões Construídos Sabe-se Lá Por Quem não davam para lugar nenhum e que seguir por aquela estrada era completa perda de tempo e dinheiro — Raio de Sol resolveu parar para descansar debaixo de uma macieira.
E lá estava ela, de olhos fechados e coração aberto aproveitando a brisa fresca vinda do oeste quando, de repente, uma grande e gorda fruta-do-conde caiu pesadamente em sua cabeça, dando-lhe então o ponto de partida para a hoje tão difundida teoria da relatividade, cuja base antiga foi, justamente, como diabos uma fruta-do-conde poderia cair pesadamente na cabeça de uma lagartixa que se encontrava não debaixo de uma árvore — ou seja lá pé de quê frutas-do-conde gostam de nascer — de frutas-do-conde, mas, sim, debaixo de uma macieira.
A lagartixa Raio de Sol levantou-se cambaleando e olhou em volta. A alguns metros de onde estava havia um Mini-Canguru-Dos-Campos com a cabeça cor-de-abóbora enfiada numa moita e uma sacola cheia de frutas-do-conde segura nas patas.
— Ei, carinha! — disse a lagartixa coçando a cabeça — O que você está fazendo aí?
Silêncio.
— Oi! — continuou Raio de Sol — Eu estou falando com você...?
Mais silêncio.
— Ah... oi? — repetiu a lagartixa, dessa vez cutucando o Mini-Canguru-Dos-Campos.
— AHHH! — gritou o Mini-Canguru-Dos-Campos tirando a cabeça de dentro da moita com um movimento brusco.
— AHHHHHH!!! — gritou Raio de Sol sem saber exatamente por que.
— AAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!! — gritou de novo o canguru.
— AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!! — berrou a plenos pulmões a lagartixa.
— AAHHH... ah... por quê diabos estamos gritando? — disse o canguru.
— Putaqueopariuvaisefoderfilhodaputa!! — resmungou Raio de Sol enquanto se recuperava do susto — Eu é que pergunto, pombas! Você...
— Ah, sim! Como foi que você me achou? Eu estava escondido, droga.
— Como assim como foi que eu te achei? Só a sua cabeça estava escondida, o resto...
— Era a parte mais importante a ser escondida, não? Digo, como você pode me ver, se eu não vejo você?
— ...
— Você deve ter sétimo sentido... não?
— ...
— Em todo o caso, o que faz uma Lagartixa Tranqüila perambulando sozinha pela Estrada Que Leva Até Os Grandiosos Portões Que Teoricamente Não Dão Para Lugar Nenhum? Isso não é coisa de lagartixas. É coisa de Mini-Cangurus-Dos-Campos.
— E jogar frutas-do-conde nas cabeças das lagartixas tranqüilas que resolvem perambular sozinhas pela Estrada Que Leva Até Os Grandiosos Portões Que Teoricamente Não Dão Para Lugar Nenhum também é coisa de Mini-Cangurus-Dos-Campos?
— É claro que é. Todo mundo sabe disso. Mas o que importa é: você está a procura dos Grandiosos Portões Que Teoricamente Não Dão Para Lugar Nenhum?
— Ah... é... é, é sim, estou, sim.
— Pois então desista, pequena lagartixa. Não tem nada do lado de lá. Eu já vi, meus companheiros Mini-Cangurus também já viram. É perda de tempo.
— Hum. Ora, se você viu que não há nada do lado de lá, significa que alguma coisa há para se ver, nem que essa coisa seja o nada, concorda?
— Bem... de que importa, também? Tome, leve uma fruta-do-conde com você. Pode ser importante. Ou não — disse o Mini-Canguru-Dos-Campos, entregando-lhe uma fruta e pulando para longe logo em seguida — Até mais, pequena lagartixa! Só não vá se perder por aí! — gritou ele um pouco antes de sumir por entre as folhagens do bosque próximo à estrada.
— Cada um... — pensou Raio de Sol, continuando sua jornada.
(Continua)
E lá estava ela, de olhos fechados e coração aberto aproveitando a brisa fresca vinda do oeste quando, de repente, uma grande e gorda fruta-do-conde caiu pesadamente em sua cabeça, dando-lhe então o ponto de partida para a hoje tão difundida teoria da relatividade, cuja base antiga foi, justamente, como diabos uma fruta-do-conde poderia cair pesadamente na cabeça de uma lagartixa que se encontrava não debaixo de uma árvore — ou seja lá pé de quê frutas-do-conde gostam de nascer — de frutas-do-conde, mas, sim, debaixo de uma macieira.
A lagartixa Raio de Sol levantou-se cambaleando e olhou em volta. A alguns metros de onde estava havia um Mini-Canguru-Dos-Campos com a cabeça cor-de-abóbora enfiada numa moita e uma sacola cheia de frutas-do-conde segura nas patas.
— Ei, carinha! — disse a lagartixa coçando a cabeça — O que você está fazendo aí?
Silêncio.
— Oi! — continuou Raio de Sol — Eu estou falando com você...?
Mais silêncio.
— Ah... oi? — repetiu a lagartixa, dessa vez cutucando o Mini-Canguru-Dos-Campos.
— AHHH! — gritou o Mini-Canguru-Dos-Campos tirando a cabeça de dentro da moita com um movimento brusco.
— AHHHHHH!!! — gritou Raio de Sol sem saber exatamente por que.
— AAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!! — gritou de novo o canguru.
— AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!! — berrou a plenos pulmões a lagartixa.
— AAHHH... ah... por quê diabos estamos gritando? — disse o canguru.
— Putaqueopariuvaisefoderfilhodaputa!! — resmungou Raio de Sol enquanto se recuperava do susto — Eu é que pergunto, pombas! Você...
— Ah, sim! Como foi que você me achou? Eu estava escondido, droga.
— Como assim como foi que eu te achei? Só a sua cabeça estava escondida, o resto...
— Era a parte mais importante a ser escondida, não? Digo, como você pode me ver, se eu não vejo você?
— ...
— Você deve ter sétimo sentido... não?
— ...
— Em todo o caso, o que faz uma Lagartixa Tranqüila perambulando sozinha pela Estrada Que Leva Até Os Grandiosos Portões Que Teoricamente Não Dão Para Lugar Nenhum? Isso não é coisa de lagartixas. É coisa de Mini-Cangurus-Dos-Campos.
— E jogar frutas-do-conde nas cabeças das lagartixas tranqüilas que resolvem perambular sozinhas pela Estrada Que Leva Até Os Grandiosos Portões Que Teoricamente Não Dão Para Lugar Nenhum também é coisa de Mini-Cangurus-Dos-Campos?
— É claro que é. Todo mundo sabe disso. Mas o que importa é: você está a procura dos Grandiosos Portões Que Teoricamente Não Dão Para Lugar Nenhum?
— Ah... é... é, é sim, estou, sim.
— Pois então desista, pequena lagartixa. Não tem nada do lado de lá. Eu já vi, meus companheiros Mini-Cangurus também já viram. É perda de tempo.
— Hum. Ora, se você viu que não há nada do lado de lá, significa que alguma coisa há para se ver, nem que essa coisa seja o nada, concorda?
— Bem... de que importa, também? Tome, leve uma fruta-do-conde com você. Pode ser importante. Ou não — disse o Mini-Canguru-Dos-Campos, entregando-lhe uma fruta e pulando para longe logo em seguida — Até mais, pequena lagartixa! Só não vá se perder por aí! — gritou ele um pouco antes de sumir por entre as folhagens do bosque próximo à estrada.
— Cada um... — pensou Raio de Sol, continuando sua jornada.
(Continua)
segunda-feira, 29 de junho de 2009
A Lagartixa Raio De Sol - Parte I
Há muito tempo atrás, numa terra distante, além do bosque dos gnomos cor-de-abóbora, bem depois das planícies geladas do sul, lá por onde os animais ainda falam e as nuvens são feitas de algodão-doce vivia alegremente no tranqüilo Vilarejo Tranqüilo uma linda e meiga lagartixa chamada Raio de Sol.
Raio de Sol não era uma lagartixa qualquer, daquelas que acordavam todos os dias às sete horas da manhã para ver o que seu vizinho estaria fazendo acordado àquela hora da manhã e passavam o resto de seus dias tranquilamente fazendo coisas tranqüilas no Vilarejo Tranqüilo.
Ah, não.
Em primeiro lugar, Raio de Sol era filha de lagartixas hippies. Como qualquer um sabe, ser filho de lagartixas hippies implica em nomes mágicos, bolos de aniversário temperados e poucos amigos na infância.
Em segundo lugar, ela era a única em todo o Vilarejo que se perguntava se existiria alguma coisa para além dos muros da cidadela. Todos os outros assumiam a postura do “se não posso ver é porque não preciso saber” e continuavam a mexer a massa dos seus bolinhos de girassol.
Um belo dia Raio de Sol acordou às sete horas da manhã com a claridade do dia entrando pela sua janela aberta, calçou suas botas vermelhas de andarilho, deixou um bilhete para seus pais — que estavam dormindo na sala completamente chapados — e resolveu ir descobrir por conta própria o que haveria para além dos muros do seu vilarejo, possibilitando, para felicidade de seus vizinhos, que as conversas destes finalmente girassem em torno de algum assunto mais empolgante do que a consistência das massas de seus bolinhos de girassol.
(Continua)
Raio de Sol não era uma lagartixa qualquer, daquelas que acordavam todos os dias às sete horas da manhã para ver o que seu vizinho estaria fazendo acordado àquela hora da manhã e passavam o resto de seus dias tranquilamente fazendo coisas tranqüilas no Vilarejo Tranqüilo.
Ah, não.
Em primeiro lugar, Raio de Sol era filha de lagartixas hippies. Como qualquer um sabe, ser filho de lagartixas hippies implica em nomes mágicos, bolos de aniversário temperados e poucos amigos na infância.
Em segundo lugar, ela era a única em todo o Vilarejo que se perguntava se existiria alguma coisa para além dos muros da cidadela. Todos os outros assumiam a postura do “se não posso ver é porque não preciso saber” e continuavam a mexer a massa dos seus bolinhos de girassol.
Um belo dia Raio de Sol acordou às sete horas da manhã com a claridade do dia entrando pela sua janela aberta, calçou suas botas vermelhas de andarilho, deixou um bilhete para seus pais — que estavam dormindo na sala completamente chapados — e resolveu ir descobrir por conta própria o que haveria para além dos muros do seu vilarejo, possibilitando, para felicidade de seus vizinhos, que as conversas destes finalmente girassem em torno de algum assunto mais empolgante do que a consistência das massas de seus bolinhos de girassol.
(Continua)
terça-feira, 23 de junho de 2009
Divagação
Ao observarmos a imensidão negra do céu à noite vemos nada mais nada menos do que pálidos reflexos do fogo de titânicas constelações muitas delas extintas há milênios.
Ao observarmos o espelho...
...
O que você vê?
Ao observarmos o espelho...
...
O que você vê?
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Filosofia de Bar
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Pensamentos Livres e Idéias Intraduzíveis
Um mundo de idéias passeava pelo meu cérebro.
Pensamentos dançantes saracoteavam sem pudores por todos os lados, despidos de toda e qualquer regra gramatical ou coerência verbal.
Eram simples idéias existindo, pulsando, dançando a Macarena.
Pensamentos intraduzíveis vestidos de piratas jogando dominó.
Pensamentos apalavreados bebendo Dinamites Pangalácticas e cantando Roberto Carlos.
Pensamentos livres.
Pensamentos pura e simplesmente livres.
Tive então a ousadia de sentar-me à frente do computador para escrevê-los.
Forcei-os a parar, enfileirei-os, etiquetei-os.
Tentei persuadi-los a se submeterem à gramática, às letras, às palavras.
Mas eles eram livres.
Eram meus pensamentos livres e minhas idéias intraduzíveis.
Se os explicasse e os transformasse em palavras eles não mais seriam meus, não mais seriam livres.
Acabariam por se tornar apenas outra idéia jogada na prateleira do supermercado de idéias, comum, barata e empoeirada.
Não teriam mais a menor graça!
Resolvi então deixar que eles continuassem a fazer o que quer que um pensamento livre gosta de fazer com uma idéia intraduzível altas horas da madrugada e ir procurar por vida inteligente na mancha verde de mofo que surgiu no pedaço de pizza esquecido na geladeira desde o mês passado.
...
Pensamentos dançantes saracoteavam sem pudores por todos os lados, despidos de toda e qualquer regra gramatical ou coerência verbal.
Eram simples idéias existindo, pulsando, dançando a Macarena.
Pensamentos intraduzíveis vestidos de piratas jogando dominó.
Pensamentos apalavreados bebendo Dinamites Pangalácticas e cantando Roberto Carlos.
Pensamentos livres.
Pensamentos pura e simplesmente livres.
Tive então a ousadia de sentar-me à frente do computador para escrevê-los.
Forcei-os a parar, enfileirei-os, etiquetei-os.
Tentei persuadi-los a se submeterem à gramática, às letras, às palavras.
Mas eles eram livres.
Eram meus pensamentos livres e minhas idéias intraduzíveis.
Se os explicasse e os transformasse em palavras eles não mais seriam meus, não mais seriam livres.
Acabariam por se tornar apenas outra idéia jogada na prateleira do supermercado de idéias, comum, barata e empoeirada.
Não teriam mais a menor graça!
Resolvi então deixar que eles continuassem a fazer o que quer que um pensamento livre gosta de fazer com uma idéia intraduzível altas horas da madrugada e ir procurar por vida inteligente na mancha verde de mofo que surgiu no pedaço de pizza esquecido na geladeira desde o mês passado.
...
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quarta-feira, 20 de maio de 2009
Matemática?!
Não, não adianta.
Os números não vão com a minha cara.
Nem com chantagem, suborno ou reza braba.
E eu juro que não é culpa minha.
Já tentei socializar com eles, chamando-os humildemente para tomar algumas xícaras de berguelotes feitos na hora em Manskaoosin. Servi-os em porcelana chinesa e bandeja de prata, mandei meu cozinheiro Pierre Pierrô preparar as melhores receitas de biscoitos recheados que ele pudesse imaginar, coloquei discos de música clássica para tocar, até penteei meu cabelo.
Nada disso adiantou.
Eles foram arrogantes, olharam-me com expressões de descaso, beberam meus berguelotes fazendo careta, zombaram dos biscoitos recheados do meu cozinheiro, apontaram mil defeitos na disposição das minhas terras e na arquitetura do meu castelo, chutaram meu dragão de estimação dizendo que ele não existia e que nada daquilo ali existia e foram embora carrancudos e cochichando entre si.
- Ela nem ao menos penteia os cabelos! - ouvi um deles dizer.
É.
Desde então a única coisa relacionada à matemática que eu de fato tenho certeza de estar calculando corretamente é o troco do dinheiro da cerveja.
Ok.
Às vezes nem isso.
...
Os números não vão com a minha cara.
Nem com chantagem, suborno ou reza braba.
E eu juro que não é culpa minha.
Já tentei socializar com eles, chamando-os humildemente para tomar algumas xícaras de berguelotes feitos na hora em Manskaoosin. Servi-os em porcelana chinesa e bandeja de prata, mandei meu cozinheiro Pierre Pierrô preparar as melhores receitas de biscoitos recheados que ele pudesse imaginar, coloquei discos de música clássica para tocar, até penteei meu cabelo.
Nada disso adiantou.
Eles foram arrogantes, olharam-me com expressões de descaso, beberam meus berguelotes fazendo careta, zombaram dos biscoitos recheados do meu cozinheiro, apontaram mil defeitos na disposição das minhas terras e na arquitetura do meu castelo, chutaram meu dragão de estimação dizendo que ele não existia e que nada daquilo ali existia e foram embora carrancudos e cochichando entre si.
- Ela nem ao menos penteia os cabelos! - ouvi um deles dizer.
É.
Desde então a única coisa relacionada à matemática que eu de fato tenho certeza de estar calculando corretamente é o troco do dinheiro da cerveja.
Ok.
Às vezes nem isso.
...
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