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terça-feira, 12 de maio de 2009

Sobre o Universo

O Universo é grande. Grande mesmo. Não dá pra acreditar o quanto ele é desmesuradamente inconcebivelmente estonteantemente grande.
[Guia do Mochileiro das Galáxias]

...

Matriculei-me em uma aula de Introdução à Astronomia no começo desse semestre.

Para aqueles que não sabem, eu faço faculdade de História.

Pois bem, o quê diabos Astronomia tem a ver com História?

Nada, de fato.

Mas fez-me pensar sobre algumas questões pseudo-filosóficas e, como sou uma pessoa que adora compartilhar seus pensamentos pseudo-filosóficos, compartilhá-los-ei com vocês — ou com aqueles que tiverem a santa paciência de ler.

Enfim.

Estou a fim de escrever sobre o Universo.

Não sei se você sabe, mas ele é grande. Muito grande. Desmesurada, inconcebível e estonteantemente grande.

Para se ter uma idéia, os astrônomos dignos desse título conhecem menos de 30% da totalidade da massa do Universo.

Cerca de 4% dessa massa, de acordo com eles, é composta pela junção de todas as galáxias conhecidas, enquanto 23% é composta do que eles chamam de “Matéria Escura”, uma “coisa” que não se sabe exatamente o que é mas que se sabe que existe porque causa uma certa distorção quando um objeto é observado através dela.
Os outros 73% ninguém faz a mínima idéia do quê diabos pode ser, apesar de alguns acreditarem ser um tipo de “Energia Escura” que meio que serviria para fazer a ligação entre todas as coisas do Universo.

Ou seja, de toda a alucinante totalidade do Universo só se conhece realmente 4% do que existe por aí, uma vez que os outros 23% são “alguma coisa que eu sei que tá ali porque faz com que a galáxia ali atrás fique distorcida, mas, ah!, que pena, não sei o quê diabos ela é” e o resto é um tipo de “energia escura” que ligaria todas as coisas mas, “ah!, que pena de novo, não fazemos a mínima idéia do quê cargas d’água isso pode ser”.

De fato, há muito mais coisas até mesmo no próprio céu do que pode supor a nossa vã filosofia.

O que seriam essas tais “Matérias Escuras”?
O que seria essa tal “Energia Escura”?
Será que um dia chegaremos a compreender do que elas são compostas, para que servem, o que fazem?

É claro que com o decorrer da evolução humana conseguimos conhecer cada vez mais o céu, os planetas, as galáxias; com o passar do tempo conseguimos compreender cada vez mais esse gigante misterioso que nos cerca.

Entretanto, eu não consigo imaginar que um dia chegaremos à ciência de tudo o que existe por aí afora.

Acho que talvez possamos chegar ao nível de compreensão avançada de toda a nossa galáxia ou quem sabe até da nossa vizinha Andrômeda.

Mas, o Universo inteiro?

Ah, cara.

Na minha concepção a total compreensão do Universo está completamente fora dos padrões humanos de conhecimento.

Isso porque, em primeiro lugar, esses padrões estariam vinculados ao que eu — e o Guia do Mochileiro das Galáxias — chamaria de “filtro”, que serviria para impossibilitar que nossos cérebros se rebelassem e saíssem derretidos pelas nossas orelhas a fim de beber uma xícara de café ao tomarem consciência do quão ínfimos nós somos em relação a este Universo tão desmesurada, inconcebível e estonteantemente grande.

Depois, eu não sei nem se estaríamos preparados para conhecer a totalidade da Vida, do Universo e Tudo o Mais.

E se não fosse nada do que estávamos esperando?
E se fosse justamente o que estávamos esperando?
E se tudo se resumisse a um grande pedaço de abóbora moranga?

...

Acho que existem coisas que devem permanecer quietas debaixo do tapete até o dia da grande faxina.
Seria ela em 2012?

...

“Júpiter and Saturn, Oberon, Miranda and Titanium. Neptune, Titan; stars can frighten..."

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Sobre as coisas como elas não são

Ao amanhecer de uma noite ligeiramente ébria estava esta que aqui vos escreve sentada num dos bancos azuis do fundo de um Terminal Capelinha, olhando pela janela sem realmente ver o que se passava por trás do vidro e ouvindo o álbum Division Bell, do Pink Floyd.

Não pensava em nada em específico, só ouvia a música e lutava contra o insistente sono.

Em uma das paradas do ônibus, eis que sobe no veículo uma senhora baixa, meio gorducha, de cabelos gritantemente vermelhos e roupas que combinavam muito bem: calças amarelo marca-texto e uma camisa azul-marinho com bolotas coloridas.

Não tive como não reparar. Talvez se ela tivesse pendurado uma melancia no pescoço o visual ficasse ligeiramente mais apresentável, mas, em todo o caso, o fato foi que aquela explosão de cores fez-me pensar sobre algumas coisas.

Não, não foi que talvez a pobre mulher não tivesse dinheiro o suficiente para possuir um espelho de corpo inteiro em casa ou em como o mundo poderia ser muito mais esteticamente agradável se fosse possível adquirir um concentrado de Senso de Ridículo em qualquer farmácia.

Lá, sentada num dos últimos bancos azuis do ônibus, observando com ligeiro ar de riso aquela explosão de cores que se materializava na gorducha senhora ridiculamente vestida, pensamentos obscuros sobre a relatividade das coisas começaram a dançar uma ciranda na varanda do meu cérebro.

A vermelhidão do cabelo da senhora, por exemplo.

Será que aquela cor intensa e vívida que eu enxergava com meus míopes e astigmáticos olhos castanhos era a mesma cor que o garoto de boné postado em frente à porta via quando olhava para aquela mulher?

Será que o vermelho que eu vejo é o mesmo vermelho que ele vê, que você vê, que qualquer um vê?

Se uma pessoa, desde que se entende por gente, acostuma-se a dizer que a cor do céu é azul, a cor do céu, para aquela pessoa, será azul, mesmo que o que ela veja seja o que eu chamaria de verde. Estando ela acostumada a chamar o que eu chamaria de verde de azul, o verde, para aquela pessoa, seria azul.

Ou não.

As relatividades e as dependências dos pontos de vista para qualquer situação são um tanto quanto frustrantes, não são?

Digo, até hoje não tenho a certeza absoluta de que aqueles que me cercam existem realmente.

Talvez vocês todos sejam apenas um fruto da minha imaginação.

Talvez eu mesma seja um fruto da minha imaginação.

Como posso ter a certeza de que alguma coisa é realmente alguma coisa, seja lá que alguma coisa essa alguma coisa gostaria de ser, se é da minha percepção que irei me valer ao analisar essa alguma coisa?

O que eu quero dizer – se é que quero mesmo dizer alguma coisa e não simplesmente escrever palavras a esmo numa página em branco do Blogger – é que esse é o tipo de coisa sobre a qual o melhor a se fazer é varrê-la para debaixo do tapete e ir assistir à uma partida de bocha alienígena bebendo vodkas Alkällesiahnas.

Ou não, também.

42.

domingo, 5 de outubro de 2008

A Criação

No início, era a Água.
Não havia sensação alguma, apenas Água.
Aos poucos, formou-se no horizonte um pequeno ponto brilhante.
Não que aquele fosse, realmente, o Horizonte, ou que o pequeno ponto brilhante fosse, exatamente, um pequeno ponto brilhante.
Mas era alguma coisa; alguma coisa que abalava a estaticidade da Água.
E aumentava.
Cada vez maior, cada vez mais brilhante.
Cada vez mais perto.
Um som surdo, absurdamente alto e quase que completamente imperceptível, começou a tomar forma.
Era o Som do Silêncio.
O Som do Silêncio Vivo.
A Água agitava-se.
Tons de azul e violeta tomavam lugar na transparência das bolhas que se formavam.
Um frio metálico foi sentido.
A Água, então, passou a sentir.
O que antes era um pequeno ponto brilhante agora já se tornara uma imensa e ofuscante bola de luz branca.
E foi então que aconteceu.
A imensa e ofuscante bola de luz branca chocou-se estrondosamente com a Água.
E foi então que, da explosão de cores e sons jamais imaginados e nunca mais vistos que tal impacto causou, surgiu o Tudo-O-Que-Conhecemos-E-Ou-Não-Temos-A-Mínima-Idéia-Do-Que-Seja-Hoje-Em-Dia.

...

"Amanheceu um lindo dia, cheirando alegria"...

segunda-feira, 31 de março de 2008

Besteirol

Ó, céus!!
Por quê cargas d'água eu fico completamente sem inspiração nesta época do ano?
Estive lendo alguns textos meus dos últimos anos. Por algum motivo obscuro - mais ou menos parecido com aquele que explicaria o porquê do poste de luz que há ao lado da estação de metrô do Campo Limpo sempre apagar (ou acender, se antes da minha gloriosa passagem ele estivesse aceso) quando estou passando alegre e saltitante (bem, às vezes nem tão alegre e saltitante assim) por baixo dele, bem como fazia antigamente o poste de luz da rodoviária de São Pedro - fico em crise pelos meses de Março e Abril.
Sei lá, vai ver as energias astrais não me são criativamente favoráveis.
Energias astrais...
Vai ver são as minhas energias astrais que acendem ou apagam os postes de luz!
Isso, grande Karol!
Você deveria ganhar um prêmio Nobel por isso, e... hum.
Energias astrais não seriam aquelas vindas dos astros?
Hum, devem ser as minhas energias VITAIS, então.
Vital vem de Vida, não é?
Então pronto, são as minhas Energias Vitais que fazem os postes acenderem ou apagarem.
E por quê, então, não são todos os postes de luz os afetados?
Ah, vai ver que as minhas Energia Vitais são muito seletivas, preferindo influenciar somente aqueles postes que consideram Especiais.
Obviamente eu não sei seu critério de seleção; é algo por demais importante para que minhas Energias fiquem divulgando por aí.
Sabe como é, se tal informação vazasse todos os postes iriam se portar como os Especiais, aí nenhum seria mais verdadeiramente Especial; Especiais seriam aqueles que fossem exatamente o oposto do conceito de Especial.
Isso geraria um caos tão profundo, tão denso, que acabaria por criar um novo Universo, fazendo com que o nosso Universo se desintegrasse, uma vez que não é permitido, de acordo com a Lei Universal do Universo, que dois ou mais Universos coexistam em uma mesma dimensão.
Tendo nosso Universo se desintegrado nessa suposição, o novo Universo, criado a partir do Caos gerado pelo conceito de Especial-Não Especial dos postes de luz que haviam em NOSSO Universo, acabaria por desintegrar-se alguns segundos depois, visto que o impulso gerador de seu Universo não existiria mais.
É claro que poderia haver uma fusão entre o nosso e o novo Universo, mas isso acabaria por gerar um ciclo de criação-destruição que só poderia cessar com o sacrifício de um humano, e, como todo o mundo sabe, humanos não são muito favoráveis a esse tipo de coisa, apesar de gostarem de se matar uns aos outros de vez em quando.
É, pois é.
Hum.
Assumindo que são minhas Energias Vitais que acendem/apagam os postes de luz indefesos, devem ser elas as responsáveis pela minha falta de inspiração nesta época do ano.
Talvez esses meses sejam seu período de hibernação, para que recarreguem as baterias. Eu devo fazê-las trabalhar muito durante o ano.
Ou, então, estão ocupadas demais atualizando seu conceito de Postes Especiais e não podem me dar a devida atenção.
É.
Pode ser.
Ou não.
Ah...
Alguém quer alguns amendoins?

"Minha força não é bruta/ Não sou freira nem sou puta"

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Religião Beû-deh-råa: Deuses e Culto

Início
Beû-deh-råa é uma religião politeísta que prega pelo princípio do Carpe Diem, ou Hakuna Matata. Formulada racionalmente pouco antes da Idade Média pelo filósofo Bottkho Bähr, na Europa Setentrional, espalhou-se por todo o mundo nos séculos XIX e XX e hoje é encontrada em todos os cinco continentes conhecidos.
Bähr afirmava ter recebido um chamado divino de Bhrëdjah, a Grande Deusa de Älkholl, durante um transe que lhe foi por ela mandado em uma taverna da região. Em seu pedido, instruía-o a pregar a Beû-deh-råa como religião de fraternidade, amor, confraternização e diversão.
Bähr levou seu chamado muito a sério, dedicando sua vida à pesquisa dos conceitos beû-deh-råasi e à arrecadação de fiéis para cultuar seus deuses.
Morreu cedo, porém, de alguma doença desconhecida no fígado.

Deuses
Beû-dheh-råa conta com um panteão divino muito diversificado:
Bhrëdjah, a Grande Deusa, o princípio de tudo, muito cultuada no Brasil;
Wynnhö, o Grande Deus, que em alguns lugares é tão ou mais poderoso que Bhrëdjah;
Uyhskyii, deus do poder, do dinheiro e das coisas materiais, muito invocado pela alta aristocracia;
Rwuhn, deus dos Mares, especialmente cultuado pelos antigos piratas;
Phyng-aäh, deusa da agricultura e das coisas simples, muito popular entre as classes menos favorecidas economicamente;
Wvodhkcå, deusa do inverno e da neve, cultuada principalmente na Rússia;
Âbbsy-nntoh, deus do submundo, altamente poderoso e inflamável, apreciado por alguns e temido por muitos; entre outros.

Cultos
Os cultos de Beû-dheh-råa acontecem em templos especializados chamados Bährs ou Bottkhos, cujos nomes são em homenagem justamente ao filósofo e Primo Sacerdote beû-deh-råasi Bottkho Bähr.
A freqüência dos cultos depende muito da devoção do fiel, podendo ser de uma a cinco vezes por semana, ou mais, geralmente às sextas e sábados.
Durante esses cultos os fiéis seguidores de Bhrëdjah, reunidos nos Bähr, purificam suas almas ingerindo o Líquido Sagrado da Vida, Cërrvhe-jâh, que, na medida certa, torna-os capazes de se comunicar com a Grande Deusa. É então que ela os inspira com as Idéias Divinas e o próprio Bähr manda-lhes suas concepções filosóficas, proporcionando a diversão pretendida por Bhrëdjah e alto conhecimento.
É proibido terminantemente a utilização de automóveis após os cultos.
Os seguidores dos outros deuses também utilizam Poções próprias para a comunicação divina, mas não foi encontrado nenhum registro oficial sobre.
Geralmente todos os fiéis beû-deh-råasi cultuam a todos os deuses do panteão, divergindo apenas no fato de se identificarem mais com determinados deuses em determinadas épocas.

"No cume calmo do meu olho que vê assenta a sombra sonora de um disco voador"