terça-feira, 19 de agosto de 2008

08.08.08 III - Os Sacanas Que Ficam Brincando Com O Destino Da Humanidade

- Meu - disse um deles - Acho que ela é um daqueles lá.

Fiquei a observar, completamente sem reação, aqueles peculiares seres de olhos grandes e rostos compridos, sem ter a mínima idéia do que diabos aquilo queria dizer.

Por que cargas d’água o Zé sempre some nessas horas?

- Sóóóó... – falou o do moicano verde, cujo nome, pelo que estava escrito em sua camiseta, devia ser Zod – E agora? – continuou, bebendo um longo gole do líquido da garrafa azul.

- Hum... ah... – comecei – Er... Oi, eu... é... sou a Carol, e... hã...

- Tá vendo! – exclamou Bob, o que usava um boné de beisebol – É aquela lá!!

- Sabemos quem você é – disse Tod, o dos óculos de aro preto.

- Ah! – falei – Vocês sabem quem eu sou... – repeti, tentando compreender alguma coisa além do fato de que eu estava mais perdida do que um historiador fefelechento na Daslu. Talvez se me oferecessem uma Heineken, ou um gole daquela garrafa azul...

- Opa, pegue uma Heineken, Carol – disse Tod, entregando-me uma lata – Talvez ela ajude a pôr os pensamentos em ordem.

Ai, caramba! Eles lêem os meus pensamentos?! O Zé bem que me avisou dos chapéus de alumínio; quem mandou ser tão esquecida, Carolina!?!

- Ih, relaxa, moça; só lemos os pensamentos que você nos permite ler – disse Tod acendendo um cigarro preto – E o chapéu de alumínio do seu amigo Zé de nada iria adiantar, de qualquer forma.

Abri a latinha e tomei um longo gole.

Utilizando um método antigo e prático de Oclumancia, método este passado de geração para geração na Antiga Civilização de Bähbd e que o Zé, sabe Zeus como, aprendeu e me ensinou há algum tempo para que meus pensamentos não fossem ouvidos por cabeças alheias, pus-me a conjecturar:

Quem seriam esses caras?
Quem seriam os “aqueles lá” dos quais eu fazia parte?
Que maldito lugar era aquele?
Aonde o Zé teria se enfiado?
O que haveria naquela garrafa azul?
Que horas seriam agora?
Por que as joaninhas vermelhas com bolinhas pretas estão desaparecendo?
Quem seriam os sacanas que ficam brincando com o destino da humanidade?

*Clique!*

- Os Sacanas que ficam brincando com o destino da Humanidade! – exclamei de repente, virando o resto da cerveja goela a baixo e encarando-os.

- Quem? – disse Zod.

- Vocês! – eu disse, pegando outra Heineken e bebendo quase tudo em um gole só – Vocês são os caras que daqui de cima controlam a humanidade toda lá em baixo e ficam se divertindo às nossas custas!!

- Humanidade! – disse Bob, empolgado – Eu sabia que esse nome ia pegar!

- Hum, pelo jeito ela sabe mais do que a gente imaginava – disse Tod enquanto dava uma longa tragada no cigarro – Sente-se, Carol – continuou, encarando-me – E pegue mais uma Heineken. Acho que temos muito que conversar.


(Continua, de novo... juro que a próxima é o final xD)

terça-feira, 12 de agosto de 2008

08.08.08 II - Através do Portal

Saudações, caros e insanos freqüentadores do Idéias Mirabolantes!

Como havia escrito no post anterior, Profeta Zé Apocalipse avisou-me da abertura do Portal de Órion.

Estava eu, confortavelmente sentada em minha poltrona azul-marinho, preparadíssima para a abertura do Portal de Órion, que, segundo o Zé, ocorreria exatamente às 08 horas e 08 minutos daquele dia quando, tendo eu caído em um ligeiro cochilo, eis que surge a figura já conhecida de meu guru despenteado adentrando espalhafatosamente pela porta da varanda.

- Carolina! - dizia ele - Acorde, Carolina! São oito horas e cinco minutos!

- Hã? Ah! Oi, Zé! E aí?

- Pois então, Carolina! Preparou-se adequadamente para a abertura do Portal?

- Você acha que ainda precisa de mais alguma coisa? - perguntei, mostrando-lhe a toalha, o saco de pipocas, a lanterna e as pilhas.

- Não, acho que não. De qualquer forma, não temos mais tempo! Venha, acho que o melhor lugar para se estar durante a abertura é ao pé de uma samambaia.

- Ao pé de uma samambaia? Mas...

- Em baixo de uma também serve. Venha.

Pegando-me pelo braço, levou-me até o hall de entrada do prédio, aonde havia uma pequena samambaia pendurada na parede.

- Oito horas, sete minutos e cinqüenta segundos. Dentro de alguns instantes...

Foi então que aconteceu.

Primeiro tudo a minha volta parou, depois as cores ficaram ridiculamente mais intensas. Uma névoa púrpura começou a sair do vasinho de samambaia e Shine On Your Crazy Diamond começou a tocar, sabe-se lá de onde.

- Zé... - eu comecei a dizer.

- Shh! Tá funcionando! Vê? Depois dessa névoa púrpura encontram-se...

E então, quando eu menos esperava, aquela sensação básica de estar sendo sugada por um aspirador de pó gigante acometeu meu corpo, e tudo ficou escuro.

***

Quando finalmente resolvi que a situação parecia ter-se normalizado - na medida do possível - abri meus olhos.

O Zé havia sumido, e eu me encontrava em uma sala circular, enorme, com incontáveis janelas, poltronas e almofadas coloridas. Haviam telescópios posicionados em todas as janelas. Latinhas de Pringles estavam espalhadas pelo chão, ao lado de várias revistas-em-quadrinhos; um vídeo-game de realidade virtual estava conectado a um grande televisor de plasma, várias garrafas vazias de Heineken estavam jogadas por aí - e muitas outras cheias estavam empilhadas em um canto - e três seres indefiníveis observavam-me com sincero interesse.

- Hum. Oi? - tentei.

Os três eram figuras bem interessantes. Eram bem altos e bem magros, com a cabeça oval meio puxada para trás e olhos realmente grandes.

Um deles tinha os cabelos compridos e claros, e deixava-os soltos. Usava óculos de aro preto e grosso envolvendo os olhos azulados e uma camiseta listrada aonde se lia “Tod”.

O outro, que segurava uma garrafa azulada com o líquido pela metade, tinha um moicano verde e olhos púrpuras. Vestia uma blusa vermelha onde estava escrito “Zod” em letras de grafitti.

O último, que estava mais à frente dos outros, tinhas olhos castanho-avermelhados, usava um boné de beisebol e uma camiseta branca com o nome “Bob”, em vermelho, e uma seta apontando para cima.

- Meu - disse um deles - Acho que ela é um daqueles lá.


(Continua...)


"A verdade do Universo é prestação que vai vencer"

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

08.08.08

O Profeta Zé Apocalipse, meu intergaláctico guru espiritual, disse-me agora a pouco:

Hoje, caríssima Mestra Carolina, abrir-se-á o Portal de Órion, exatamente às 08 horas e 08 minutos da manhã.

Deste magnânimo portal emanarão as justiceiras energias do o número 8, potencializando todo e qualquer pensamento, seja ele positivo ou negativo.

Portanto, Carolina, aconselho-a a inspecionar seus pensamentos muito bem inspecionados.

Sim, eu sei que isso não é tarefa fácil, uma vez que ainda não se sabe se é você quem pensa nos seus pensamentos ou se são eles que pensam em você.

De qualquer maneira, fique alerta para aonde o vento sopra.

É necessário lembrar, também, que há uma ligeira possibilidade deste Portal Energético Universal se transmutar em um Portal Físico-Energético Multidimensional, permitindo o contato com alguns pontos inespecíficos de regiões localizadas em dimensões diferentes da dimensão terrestre. A probabilidade é ínfima, mas a possibilidade é considerável, uma vez que possibilidades são sempre consideráveis.

Em todo o caso, deixe sua toalha em um local de fácil acesso e programe-se para usar o Grande Chapéu de Alumínio Prateado nesse horário.

Cuidado com o fluxo de algumas ondas eletro-magnéticas com nomes de letras gregas, elas podem estar vestidas de dançarinas de cabaré e lhe intimarem a coçar os ouvidos com os dedos do pé.

Fique em paz, não coma cera de ouvido, jogue abóboras nos feriados e observe as estrelas sempre que puder!

Namastê!

Profeta Zé Apocalipse.

***

Huuuum.

Acho melhor eu me preparar.


*Karol indo buscar sua toalha, rolos de papel alumínio, uma lanterna, algumas pilhas e um pacote de pipoca-de-microondas*

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Ah, Futuro!

Ah, Futuro!
Por que me olhas assim, meio de lado, com esse sorriso enigmático?
Tens realmente que abrir a cortina por meio segundo e depois fugir, em teu cavalo alado, rindo histericamente aquele riso gelado?
Não, não te quero conhecer, Futuro.
Não, não me venhas com essas brincadeiras fugidias, cortejando-me como a uma prostituta do século XIX, bebendo vinho barato em uma taberna cheia de ratos engravatados.
Não, eu já disse que não quero saber.
Eu não quero.
Deixa-me terminar em paz meu último cigarro e beber meu último gole de vinho.
E não te demores, quando a hora finalmente chegar.
Porque o que tiver que ser, inevitavelmente, será.

...

"Já tá tudo armado, o jogo dos caçadores canibais"

domingo, 20 de julho de 2008

Borboleta Cor-de-rosa

O grande senhor de bigodes negros acordou no meio da noite, com uma dor-de-cabeça terrível.
Levantou-se vagarosamente, apertando as têmporas com suas mãos gordas e, piscando seus lacrimejantes olhos castanhos, cambaleou até a cozinha cirurgicamente limpa, onde, então, tomou duas aspirinas muito brancas e muito redondas.
Estivera sonhando com o quê, mesmo?
Parecia algo relacionado a borboletas, mas ele não estava muito certo. A única coisa da qual se lembrava era um par de asas cor-de-rosa, mas isso não fazia muito sentido. Fazia?
Dirigiu-se para a sala-de-estar e deixou-se afundar pesadamente nas almofadas de uma poltrona de veludo vermelho, muito fofa e muito alta.
Parecia, por algum motivo inexplicável, ser de vital importância que se lembrasse do quê diabos estivera sonhando.
Fechou os olhos e tentou se lembrar.
Um par de asas de borboleta cor-de-rosa. Sim. Era cor-de-rosa, disso tinha certeza. E também que era um par de asas. E não haveria por acaso um jardim? Não, achava que o que havia era um castelo. Sim, um castelo de cristal, não era? Ou era uma bola de cristal? Havia mesmo alguma coisa de cristal? Agora ele não tinha sequer tanta certeza de que as asas eram mesmo cor-de-rosas... será que eram, mesmo, asas?
Levantou-se irritado e resolveu procurar pelo controle remoto da televisão.
- Que diabos, Nogueira! - reclamou consigo mesmo - Você é um homem de negócios tão bem-sucedido, vive se gabando de que nunca nenhum mínimo detalhe, de qualquer coisa que seja, lhe passou despercebido; e agora não consegue sequer se lembrar do que estava sonhando!?
Deu um pontapé dolorido em sua mesinha de centro, fazendo com que alguma coisa bem pequenina saísse voando dalí.
- Uma... uma borboleta?
A pequena borboleta cor-de-rosa voou alegre e indiferente por todo o recinto, pousando delicadamente, após alguns instantes, em cima de um cinzeiro de cristal.
Aquela borboleta, por conta de alguma coisa daquelas que nunca se sabe nem nunca se vai saber o que exatamente é, ocasionou no senhor Nogueira uma avalanche de pensamentos e lembranças que lhe atingiu como um soco no estômago, fazendo-o cair, completamente entorpecido, com um baque surdo no chão.
Ele, aquele que nunca precisou de ninguém pra alcançar o sucesso que possuía hoje, aquele que se vangloriava por haver conquistado tudo às custas de um trabalho duro e esforçado, aquele que se achava independente e auto-suficiente; agora estava caído no chão, completamente sozinho, ao lado de móveis antiqüíssimos e caríssimos, de eletroeletrônicos de última geração e de tapetes e cortinas de luxo, chorando feito um bebê.
- O que será... por quê... eu... só sei... liberdade... - balbuciava.
Ergueu a cabeça do chão e olhou, por sobre a mesa, a pequena borboleta cor-de-rosa, imóvel, ainda pousada em cima do cinzeiro de cristal. Ficou assim pelo que pareceram horas, completamente parado, apenas observando.
Finalmente levantou-se com cuidado e dirigiu-se até ela.
Observou-a durante mais alguns instantes; ela continuava imóvel.
Prendendo a respiração, com uma expressão indefinível no olhar, decidiu-se. Levantou uma de suas grandes e gordas mãos e baixou-a, num golpe rápido e pesado, esmagando a borboleta cor-de-rosa antes mesmo que ela tivesse tempo de perceber o que estava se passando.
Lançando uma última olhada para a poça vermelha e rosa que sobrara em seu cinzeiro de cristal, virou as costas e dirigiu-se para o seu quarto.
Agora não importava mais o que iria ou não sonhar.
Sua dor-de-cabeça havia passado.

...

"Trancado dentro de mim mesmo eu sou um canceriano sem lar"

terça-feira, 8 de julho de 2008

Mero recado:

Os Duendes Espaciais Ordenhadores das Vacas Sagradas da Via-Láctea vêm por meio desta avisar que a autora dos textos dessa coisa que vocês, meros terráqueos, chamam de blog encontra-se temporariamente ausente do que parece ser o Reino Virtual por motivos de greve, não por parte dela, mas sim por conta de seu essencial assistente Roger, O Computador.

Fiquem em paz, e lembrem-se de que o Fim está próximo.

Atenciosamente,
Abelardo
(Duende Espacial Ordenhador das Vacas Sagradas da Via-Láctea, Ordem 7, N° 1248856)

quinta-feira, 26 de junho de 2008

A lagartixa

A lagartixa permanecia estática no alto da parede.
De sua posição elevada possuía uma visão privilegiada do recinto.
Observava atenta o ir e vir daqueles seres enormes, desengonçados e de difícil compreenção.
Eles estavam sempre por ali, por lá, por todos os lugares. Era impossível ir à qualquer lugar sem encontrar pelo menos um deles, nem que fossem daqueles menorzinhos com cara de bolacha que ela imaginava que fossem os filhotes.
Isso se aqueles seres realmente fossem bichos que pudessem ter filhotes.
Porque se fossem mesmo bichos, eram bichos tão... tão inúteis!
Os outros bichos dos quais ela tinha conhecimento pelo menos serviam para alguma coisa na grande cadeia alimentar do ciclo da natureza.
Agora, aqueles lá...
Eles apareciam, iam, vinham, faziam, aconteciam, desapareciam e não serviam pra nada.
Ela nunca havia realmente conseguido entender qual era o objetivo da existência daqueles seres tão grandes, tão desengonçados e tão sem-graça.
Vai ver que eles...
Observou então uma barata muito gorda e com aparência muito apetitosa.
Sem pensar duas vezes, resolveu deixar essas pseudo-filosofias de lado preparar-se para exercer mais uma vez o seu papel na cadeia alimentar.

"Fantasiando um segredo, o ponto onde quer chegar"

terça-feira, 17 de junho de 2008

Thing Think Thin

Estava calmamente mascando um chiclete de pensamentos abstratos quando alguma coisa lhe chamou a antenção.
Não saberia dizer exatamente o que era, só que era alguma coisa, e que era muito chamativa.
Olhou em volta.
Elefantes dançavam balé em um lago congelado, um grupo de cigarras reivindicava seus direitos trabalhistas em frente a um bolo de desaniversário, duas libélulas amarelas perguntavam-se por quê em inglês chamavam-se Dragonfly.
Que diabos seria aquilo que lhe chamara a atenção?
Balançou a cabeça e sentou-se num nevermind acolchoado.
Uma daquelas lagartas listradas que esperam um dia virar borboletas e te queimam se você for burro - ou teimoso - o suficiente para tocá-las rastejou em sua direção.
Um estalo de compreensão ocasionou um terremoto tímido, e ela percebeu.
Fora exatamente aquilo que lhe chamara a atenção.
(Só lhe resta agora descobrir se aquela é mesmo uma lagarta listrada ou se é só mais uma vez a sua visão regida pela Lua fazendo tudo parecer mais psicodélico)
"I know I was born and I know that I'll die, the in between is mine"

sábado, 14 de junho de 2008

Diálogo

- Tô de saco cheio.
- Saco cheio de quê?
- Hum. Sabe que eu não sei? Espera que eu vou olhar.
- Vá pela sombra! Os Zepelins estão atarefados, hoje.

*Alguns minutos depois*

- E aí, descobriu?
- Sim, sim! Tô de saco cheinho de bolinhas de gude cor-de-laranja.
- Puxa, maneiro, né?
- Na verdade não.
- Imaginei. As verdes-limão são bem mais cheirosas.
- É.
- Vamos fazer alguma coisa pra passar o tempo?
- Pra quê? Ele vai passar, independente da gente fazer ounão alguma coisa.
- Ah, mas quando estamos fazendo alguma coisa ele parece que passa mais rápido.
- Você acha isso legal?
- Como assim?
- Que o tempo passe mais rápido?
- É...
- Você quer morrer mais rápido?
- Na verdade eu gostaria de não pensar sobre isso.
- Sabe, eu também. Vamos beber alguma coisa bem alcoólica?
- Ah, é claro! Os guarda-chuvas cintilantes estão muito convidativos, hoje.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Sobre aquilo que eu queria muito escrever mas não sei o que é


Ah, que horror.
Tem coisa pior do que querer escrever, mas não ter inspiração?
Bem, até tem; mas no momento...
As palavras estão ali; vejo-as dançando conga com macacos vestidos de bailarinas e voando nas costas de besouros verdes encapuzados.
Mas, por Zeus, não consigo escrevê-las!
Hum.
Eu estou escrevendo, agora; é verdade.
E isso são palavras, não são?
São; com certeza são.
Ah, que ótimo, estou escrevendo!
Bem.
Na verdade não são as palavras que eu queria escrever.
Não são aquelas, lá, que dançam e voam, sabe?
Não, são outras, completamente diferentes.
São mais... menos.
Entende?
Não?
Ah, que coisa.
Eu também não.

"Oh, Lord, won't you buy me a Mercedez-Benz?"