segunda-feira, 31 de março de 2008

Besteirol

Ó, céus!!
Por quê cargas d'água eu fico completamente sem inspiração nesta época do ano?
Estive lendo alguns textos meus dos últimos anos. Por algum motivo obscuro - mais ou menos parecido com aquele que explicaria o porquê do poste de luz que há ao lado da estação de metrô do Campo Limpo sempre apagar (ou acender, se antes da minha gloriosa passagem ele estivesse aceso) quando estou passando alegre e saltitante (bem, às vezes nem tão alegre e saltitante assim) por baixo dele, bem como fazia antigamente o poste de luz da rodoviária de São Pedro - fico em crise pelos meses de Março e Abril.
Sei lá, vai ver as energias astrais não me são criativamente favoráveis.
Energias astrais...
Vai ver são as minhas energias astrais que acendem ou apagam os postes de luz!
Isso, grande Karol!
Você deveria ganhar um prêmio Nobel por isso, e... hum.
Energias astrais não seriam aquelas vindas dos astros?
Hum, devem ser as minhas energias VITAIS, então.
Vital vem de Vida, não é?
Então pronto, são as minhas Energias Vitais que fazem os postes acenderem ou apagarem.
E por quê, então, não são todos os postes de luz os afetados?
Ah, vai ver que as minhas Energia Vitais são muito seletivas, preferindo influenciar somente aqueles postes que consideram Especiais.
Obviamente eu não sei seu critério de seleção; é algo por demais importante para que minhas Energias fiquem divulgando por aí.
Sabe como é, se tal informação vazasse todos os postes iriam se portar como os Especiais, aí nenhum seria mais verdadeiramente Especial; Especiais seriam aqueles que fossem exatamente o oposto do conceito de Especial.
Isso geraria um caos tão profundo, tão denso, que acabaria por criar um novo Universo, fazendo com que o nosso Universo se desintegrasse, uma vez que não é permitido, de acordo com a Lei Universal do Universo, que dois ou mais Universos coexistam em uma mesma dimensão.
Tendo nosso Universo se desintegrado nessa suposição, o novo Universo, criado a partir do Caos gerado pelo conceito de Especial-Não Especial dos postes de luz que haviam em NOSSO Universo, acabaria por desintegrar-se alguns segundos depois, visto que o impulso gerador de seu Universo não existiria mais.
É claro que poderia haver uma fusão entre o nosso e o novo Universo, mas isso acabaria por gerar um ciclo de criação-destruição que só poderia cessar com o sacrifício de um humano, e, como todo o mundo sabe, humanos não são muito favoráveis a esse tipo de coisa, apesar de gostarem de se matar uns aos outros de vez em quando.
É, pois é.
Hum.
Assumindo que são minhas Energias Vitais que acendem/apagam os postes de luz indefesos, devem ser elas as responsáveis pela minha falta de inspiração nesta época do ano.
Talvez esses meses sejam seu período de hibernação, para que recarreguem as baterias. Eu devo fazê-las trabalhar muito durante o ano.
Ou, então, estão ocupadas demais atualizando seu conceito de Postes Especiais e não podem me dar a devida atenção.
É.
Pode ser.
Ou não.
Ah...
Alguém quer alguns amendoins?

"Minha força não é bruta/ Não sou freira nem sou puta"

sábado, 15 de março de 2008

Sinos

St Piter's H2O.
Quase nove horas da noite.
Vontade de não-sei-o-quê.


Abriu a janela e sentiu os últimos raios de Sol tocarem-lhe a fronte.
O céu estava cor-de-rosa, dourado, vermelho, violeta, azul, anil.
Um caleidoscópio de imagens invadiu seus olhos, dissolvendo-se num maremoto de formas coloridas.
Ouvia sinos.


Já era noite.
A Lua, crescente e canceriana, observava o mundo com a nostalgia dos Loucos.
O latido longínqüo dos cachorros e o cricilar tímido de alguns grilos eram os únicos sons que se ouviam naquela pequena cidade do interior.
E os sinos.
Os irritantes e insistentes sinos.


A madrugada ia solta.
Ela corria sem rumo pela ruas desertas e esburacadas da cidade, sob o olhar alaranjadamente desaprovador das lâmpadas elétricas.
O som dos sinos ficava cada vez maior, as badaladas ecoavam assustadoramente altas em seus ouvidos.
E ela corria.


Começara a chover.
A imagem da grande igreja gótica iluminou seus olhos por alguns instantes, e ela parou.
A água escorria dos seus cabelos, seus sapatos estavam encharcados, ela tremia de frio.
Subiu a escadaria da igreja e abriu com estrondo a grande porta de entrada, quebrando a corrente que a mantinha fechada.
E os sinos, os desesperadores e insistentes sinos, continuavam a tocar.


No dia seguinte a policia local encontrou a garota no altar da pequena capela da cidade.
Uma poça de sangue a circundava, havia talhos em seus pulsos.
Sua expressão era serena.
E os sinos, os alegres e simpáticos sinos, finalmente pararam de tocar.


***

"I have become a confortably numb"

sábado, 8 de março de 2008

Olívia.

0000Três horas da manhã. Olívia revirava-se nos lençóis sem conseguir dormir. Pensamentos desconexos assaltavam-lhe a mente, um mais peculiar que o outro, um mais absurdo que o outro. Um mais doce que o outro.
0000- Maldita insônia! - pensou, levantando-se e dirigindo-se à varanda.
0000Acendeu um cigarro. Ridículo pseudo-refúgio da timidez e do nervosismo. Mas e daí?
0000Do seu esconderijo no milésimo andar podia espiar, sem ser notada, toda a vida noturna e secreta de uma cidade insone, incapaz de parar, incapaz de descansar, incapaz de...
0000- Assim como eu - pensou, dando uma longa tragada no cigarro.
0000O céu e a terra haviam invertido os papéis, ela pensava. As estrelas haviam caído e se alojado nas lâmpadas elétricas que se estendiam pelo horizonte, enquanto a Lua brilhava sozinha no firmamento, minguante e Capricorniana.
0000As frustrações todas de sua curta vida dançavam tango com os momentos de êxtase e felicidade num compasso dolorido e envolvente, paranóico, assustadoramente delicioso.
0000Passou a pensar em tudo o que poderia ter sido e não foi, em tudo o que não poderia ter sido e foi, em tudo o que poderia ser e foi.
0000Deu outro longo trago no cigarro e apagou-o no cinzeiro de cristal falso. Olhou para o céu e desejou viver uma grande aventura, digna de livro de ficção; algo pelo qual pudesse ser lembrada, algo que lhe permitisse ter boas histórias para contar.
0000Será que ela estava no lugar certo, na hora certa, fazendo a coisa certa? Ou será que foi justamente o contrário?
0000Ninguém nunca saberá.
0000O que se sabe é que Olívia nunca mais foi a mesma.

(Continua, um dia - não necessariamente no próximo post...)

"Here we are, now! Entertain us!"
xD

domingo, 2 de março de 2008

O Barquinho de Papel Vermelho da Banheira

(Ao som de Pink Floyd - The Wall 1 e 2)

Havia um barquinho de papel vermelho na banheira.
Ele navegava feliz, imaginando ser aquele o oceano.
Seus horizontes estendiam-se aos azulejos cirurgicamente brancos do banheiro e ao pequeno quadrado azul de céu que aparecia pela janela.
Seu único companheiro era um patinho de borracha amarelo e mudo.
Juntos, subiam e desciam pelas quase ondas e estavam certos de que aquilo era tudo o que se poderia existir.
Um dia, tiraram a tampa do ralo e o barquinho desceu pelo esgoto.
Em seu trajeto pelo submundo, descobriu que havia muito mais para se conhecer do que jamais pudera imaginar, e refletiu sobre como pôde ter passado tanto tempo acreditando que o mundo se reduzia a azulejos brancos e um pequeno quadrado de céu azul.
Quando deu por si, porém, já não era mais um barquinho de papel vermelho, era um composto amassado de sujeira marrom.
E isso não fez a menor diferença.

...

(Só pra constar, não sabia que lagartas listradas apareciam todas ao mesmo tempo.
Será que elas são listradas mesmo ou minha turva visão regida pela Lua é que projeta-lhes listras coloridas?
Fruto das frustrações com as pseudo-flores-coloridas-sem-cor, eu suponho.
De qualquer forma, espero não derramar o suco de beterraba no vestido outra vez; a mancha demora demais para sair.)


"Hey, you! Don't tell me there´s no hope at all/ Together we stand, divided we fall"

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Inspiração

*Batidas na porta*

- Inspiração? Você tá aí?
- Não tô, não.
- Ahh, Inspiração, vem cá falar comigo!
- Já disse que não tô.
- Mas você tá me respondendo!
- Não tô, não. Isso é uma gravação.

*Alguns minutos e uma xícara de café depois*

- Inspiraçã-ão?!!
Iu-hu?!!
Cadê você-êê!?
Vem cá com a titia, vem?
Hum, hum?

- Patético - diz a Inspiração, saindo de sua Toca.

- Inspiração?
Oi!
Resolveu sair pra conversar comigo?
Inspiração?
Foge não, Inspiração!
Volta aqui, eu preciso de você!
Inspiração!
INSPIRAÇÃÃÃÃÃÃO!!??

*Silêncio*

Droga.
Ela fugiu, de novo.

...

"Faz parte do meu show"

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

"Isso"

Não.
Não queria falar sobre isso.
Mas ia falar sobre o quê, se não sobre isso?
Hum, pensando bem, há muitas coisas sobre as quais eu poderia falar.
Sim, como, por exemplo, o porquê das joaninhas vermelhas com bolinhas pretas estarem sumindo ou a maneira pela qual os alienígenas pretendem invadir a Terra.
Mas o fato é que não sei ao certo o porquê das joaninhas vermelhas com bolinhas pretas estarem sumindo nem a maneira pela qual os alienígenas pretendem invadir a Terra.
Dizem as más línguas que as joaninhas vermelhas com bolinhas pretas estão sumindo porque estão em extinção e os alienígenas vão nos matar quando invadirem a Terra.
Dizem as boas línguas que as joaninhas vermelhas com bolinhas pretas estão sumindo porque estão em extinção e os alienígenas vão nos ajudar quando invadirem a Terra.
Diz a minha língua que ninguém sabe a verdade, na verdade, de verdade.
Então, de que adianta falar sobre alguma coisa sobre a qual ninguém sabe?
Bem... sendo assim, imagino que devo abster-me de escrever sobre qualquer assunto.
Inclusive sobre isso.
...

"An I forget jus why I taste/ Oh, yeah, I guess it makes me smile"...

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Os Gambás com Trouxas Coloridas III - Le Grand Finale

Gambás.
Trouxas coloridas.
Rum?


0000Acordei em um estabelecimento nauseantemente rosa, com plumas salmão, paetês prateados e sedas coloridas.
0000- Ah, bom dia, Bela Adormecida! - disse Dalton, o gambá gênio-incompreendido - Dormiu bem?
0000- Você tá falando sério? - perguntei, esfregando a cabeça - Que tipo de pessoa leva outra por livre e espontânea obrigação - com o auxílio de uma marreta, diga-se de passagem - para um lugar xis...
0000- Gambás.
0000- Ah.
0000Olhei em volta. Nunca antes havia imaginado que gambás pudessem viver em locais tão "simpatizantes" quanto aquele.
0000- Pois bem. Agora que faz parte de nossa tripulação - disse Dalton - creio que devo informar-lhe o motivo de encontrar-se aqui.
0000- Sim, eu... tripulação?
0000- Você tem a honra de ser a primeira humana a embarcar no glorioso Didelphis Ship, o mais terrível, mais veloz...
0000- E único - interrompeu um esquilo de moicano e tapa-olho rosa pink saindo de trás de um barril coberto com lantejoulas.
0000- ...navio pirata animal da atualidade - terminou Dalton e, virando-se para o esquilo, continuou - Ovídio! Não enche! Nem didelphídeo você é. Ponha-se no seu lugar e lembre-se de que só está aqui porque eu gostava da sua mãe.
0000- Bah, grande coisa. Odeio tudo isso.
0000Ah, sim, agora tudo começava a fazer sentido. Eu estava num navio animal gay com um gambá metido a intelectual e um esquilo rebelde que falava português. Sim, nada mais natural. Águas de São Pedro não é uma cidade perdida no meio do mato caipira, não, de jeito nenhum! É uma cidade praiana. E gambás têm navios. Navios gays. E, como eu não sabia disso?, todos eles falam português.
0000- Hã... desculpe a intromissão, mas... - comecei - é... achei que só o Dalton soubesse falar português.
0000- Pfffff! - riu-se o esquilo Ovídio - Ele é o único gambá que sabe. Gambás são burros. Não são como os esquilos. Esquilos são beeeeem mais inteligentes. E falam português fluentemente. Até gíria eu sei, tá ligada?
0000- Tô. Ligadérrima...
0000- Aaaara, chega de blá blá blá inútil. Ainda não contei para nossa convidada o porquê de sua presença - e, apanhando uma garrafa de rum de dentro de um armário florido, continuou - Aceita uma bebida?
0000- Nem precisa perguntar - respondi, agarrando a garrafa das garrinhas dele e virando uns três goles - E aí?
0000- No princípio, não havia nada. Então Deus disse: "Faça-se a luz!", e a luz se fez. Então...
0000- Francamente, Daltô! - interrompeu outra vez Ovídio - Vamos fazer uma versão compacta, aí, sim? Se não ela vai precisar do teu estoque inteiro de rum.
0000- Bah! Tá certo. Então, é o seguinte: Minha família, aqueles simpáticos gambás que você já conheceu...
0000- Simpaticíssimos!
0000- ...moraram a vida inteira no Grande Palácio Luminoso Do Capitão Do Didelphis Ship...
0000- O forro da casa da minha avó.
0000- ...e tinham uma vida saudável e feliz por lá, até que, numa noite terrível, o Malvado Ser De Óculos e Bengala...
0000- Meu avô?
0000- ...criou o Escabroso Ruído Fritador de Mentes Gambíticas...
0000- Aquele aparelhinho elétrico para espantar ratos?
0000- ...fazendo com que todos eles encafifassem que precisavam chegar até Paris e se tornarem mini-cheffs da cozinha francesa do Mestre Gusteau.
0000- !!!
0000- Por conta disso, armaram-se com as Trouxas Coloridas da Sabedoria - elemento indispensável para qualquer gambá que necessite de ajuda espiritual - e saíram mundo afora, totalmente perdidos e bitolados com a situação.
0000- Eu disse que gambás eram burros - comentou Ovídio.
0000- A sorte deles foi que, no momento em que estavam se preparando para tal empreitada, eu, enquanto bebia rum recostado no meu sofá de pelúcia pink, tive a estranha sensação de que precisava consultar minha Trouxa Colorida da Sabedoria. Ela, então, avisou-me o que eles pretendiam, e eu, como todo bom Irmão Que Sustenta a Família deveria fazer, vim em seu auxílio.
0000- Huuum, sei - eu disse, bebendo outros três goles de rum - E eu estou aqui porque...
0000- Bem, acontece que você nos viu indo em busca Daquilo Que Os Gambás Mais Querem...
0000- A parada do Mini Cheff na França? - perguntei - Mas isso não era por conta do aparelhinho contra ratos, digo, do Ruído Fazedor de Ovas-Fritas?
0000- Sim, sim. Mas independente disto, era o que Os Gambás Mais Queriam no momento, então o Código precisa ser aplicado - respondeu Dalton, pegando sua Trouxa Colorida - E é Escabroso Ruído Fritador de Mentes Gambíticas.
0000- Ok. E o código diz...?
0000- Que devemos... - começou ele, retirando uma faca gigantesca de dentro da trouxa.
0000Aimeudeusiagoraelevaimematarqueporraeufaçoprasairdessapelamordezeus?!
0000- ... lhe ofecer um pedaço de pizza de calabreza - terminou, puxando também uma pizza enorme de dentro da trouxa e fatiando os pedaços com a faca.
0000- Ah, sim, hê! hê! hê! - suspirei, virando o resto do rum que havia na minha garrafa - Obrigada, eu...
0000- Essa não! Vem comigo! - gritou o esquilo que chamava Ovídio, subindo por uma escada luminosa.
0000- Hã? Por quê? É só uma pizza de calabreza...
0000- VEM!!!!!
0000Diante de tão grande desespero, subi correndo a escada em seu encalço, deixando para trás um Dalton atônito e seus pedaços de pizza de calabreza cheios de muzzarela.
0000Ao chegar no patamar superior, percebi que o navio cor-de-rosa no qual eu estava encontrava-se ancorado na represa de Águas - para os que não estão familiarizados com aquele fim de mundo, uma pequena porção de água cercada de mato por todos os lados - e Ovídio lutava com cordas amarelas para baixar na água um pequeno bote pintado com as cores do arco-íris.
0000- É... Ovídio, o quê...
0000- Depois eu explico! Me ajuda aqui! Vai logo!
0000Juntos, baixamos o bote na água e remamos rapidamente até a borda, ouvindo ao longe os gritos desapontados de Dalton.
0000- Ahhh! Volta!!! São só pedaços de pizza!!! Volta!!! VOLTAAAAAAA!!!!
0000- E então? - perguntei, enquanto corríamos ladeira acima - Por quê... arre! Pára um pouco, minhas costelas estão doendo!
0000- Tudo bem - disse ele, parando e me encarando com uma expressão terrível- Você nunca, NUNCA deve aceitar um pedaço de pizza de calabreza de um gambá. NUNCA, entendeu? Principalmente se ele for pirata!!!
0000- Ah! Nossa, eu não sabia! Por quê?
0000- Eu não sei - continou ele, voltando a caminhar - ninguém nunca aceitou, não é mesmo?
0000- ...
0000- Vamos embora.
0000E então voltei para casa de vovó, em companhia de Ovídio, O Esquilo Rebelde. Nunca mais ouvi falar dos gambás, principalmente de Dalton, o Gambá Intelectual Capitão do Navio Gambá Gay. Quanto ao Ovídio, bem, o sonho dele sempre fora ser maestro de uma sinfonia húngara, então no dia seguinte ele se foi, em companhia de uma borboleta russa, buscar a fama nas estradas.
0000E eu, bem, eu voltei a dormir. Que mais poderia fazer?

FIM!
xD


"Yo-ho! Yo-ho! A pirate´s life for me!"

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Os Gambás com Trouxas Coloridas II

Gambá, segundo a Wikipédia, vem de "guámbá, o ventre aberto, a barriga oca por causa da bolsa onde cria os filhos (- in Silveira Bueno - Vocabulário Tupi-Guarani/Português). É o nome popular dos maiores marsupiais da família dos didelfídeos, pertencentes ao gênero Didelphis, que habitam do sul do Canadá à Argentina e são onívoros."
Sim, é claro.
Mas e as trouxas coloridas?


0000Lá estava eu, então, como aqueles que leram o post anterior devem saber, encarando nada menos do que sete gambás enormes, com focinhos finos e narizes cor-de-rosa.
0000Ligeiramente intrigada pelo fato de estarem aqueles peculiares gambás portando trouxinhas coloridas, decidi, após pensar intensamente no assunto por alguns instantes, que aquilo não me importava e que a coisa mais sensata a se fazer era entrar no quarto o mais rápido possível e me trancar lá dentro, deixando que os gambás fizessem em paz seja lá o que gambás com trouxas coloridas fazem na calada da noite.
0000Mas não fui rápida o bastante. No momento em que tomava minha sensata decisão e esticava a perna para adentrar o quarto uma daquelas (não tão) simpáticas criaturinhas saltou à minha frente, empinou-se nas patas traseiras e falou:
0000- Crrrr gggrrrmm huhh shh gggggggwhmrrrrrrrrr!!!
0000Ah, ótimo. Maldita hora em que resolvi cabular as aulas de gambês para beber cerveja.
0000- Eu – disse, apontando para mim mesma – não – falei, abanando a cabeça – entendo você – apontei finalmente para o bicho de pé à minha frente.
0000- Gworrrc chrrrrzp gmrrrrrrrhk! – disse outro gambá, que possuía marcas escuras parecidas com o aro de um óculos redondo ao redor dos olhos, rosnando para o primeiro – Desculpe meu irmão. Você deve falar português, certo? – continuou o marsupial, olhando para mim.
0000- É... é. – balbuciei, sem saber o que mais dizer.
0000Obviamente existem gambás que falam português. Completamente normal, totalmente natural, não é mesmo; não entre em pânico, Karol, NÃO ENTRE EM PÂNICO, PORRA!!!
0000- Sim, é claro. Bem, como você deve saber, gambás geralmente não falam língua humana nenhuma, mas eu, como você também deve ter percebido, sou um caso excepcional de inteligência gambística. Possuo um poder de assimilação raríssimo na espécie, o que deveria propiciar-me o devido respeito e admiração, porque, modéstia à parte, sou único, não é mesmo?, mas, infelizmente, meu dom não é reconhecido no meio devido à falta de comunicação entre humanos e animais, visto que os primeiros não se importam com ninguém além deles mesmos, não é verdade?
0000- Ah... é...
0000- Enfim, sem mais enrolação, preciso dizer-lhe que você deve vir conosco.
0000- Quê?!
0000Puta-que-o-pariu!!! Não entre em pânico o caralho!!! E agora?
0000- Então, senhor gambá...
0000- Meu nome é Dalton.
0000Dalton?!?
0000- Então, senhor Dalton, receio que não vou poder acompanhá-los, uma vez que...
0000- Não, não foi um convite. Foi uma intimação. – Dalton virou-se para os outros e continuou – Gwrrrrshzzz gwoogczczcz ksksksksks!
0000Vi sete gambás nada amigáveis aproximando-se rapidamente de mim e, antes que pudesse esboçar qualquer reação, não vi mais nada.

(Continua!!)

"Todo o dia a isônia me convence que o céu faz tudo ficar infinito"

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Os Gambás com Trouxas Coloridas I

É, gambás podem ser simpáticos, quando querem.
E violentos também.

ooo Semana passada estive em casa de vovó, em St Piter's H2O.
ooo Era madrugada, a linda Lua cheia brilhava no céu, os alegres grilos cricilavam nas folhagens, os tediosos sapos coachavam nos brejos e os restos de uma fogueira improvisada queimava no jardim.
ooo Tudo perfeitamente normal, exceto, é claro, pela fogueira no jardim em pleno mês de Janeiro. Mas isso não vêm ao caso, a história não é sobre fogueiras rebeldes que insisem em arder nos jardins alheios em pleno verão, é sobre gambás. Sobre gambás e trouxas coloridas. E sobre mim, é claro.
ooo Pois bem. Situada neste cenário bucólico e quase perfeitamente normal estava esta que aqui vos escreve, preparando-se, em seu quarto no quintal - e neste ponto é imprescindível frisar que, ao estar superlotada a casa da minha avó com nossa "pequena" família, eu durmo num quarto que há nos fundos do quintal - para o que deveria ser uma reparadora noite de sono.
ooo Eis que, no exato momento em que mergulho na chamativa cama e ajeito-me sob os lençóis, um peculiar ruído de passos e rasgos ecoa pelo quarto.
ooo Tudo escuro à minha volta.
ooo O interruptor de luz distante.
ooo O som se aproximando.
ooo Prendendo a respiração, pessoa contida e racional que sou, pulei afobadamente da cama e acendi a luz, derrubando uma mesinha no trajeto.
ooo Nada.
ooo Olhei em volta, tudo exatamente igual eu havia deixado, inclusive a embalagem amassada do chocolate de menta que eu havia comido escondida para não dividir com ninguém.
ooo Mas o barulho continuava, e vinha do teto. Eram passos apressados, rasgos, gritinhos estridentes, bufos, unhas cavocando.
ooo - Ahh, devem ser gatos - pensei, um pouco aliviada, voltando a sentar-me na cama.
Inocentes gatinhos, ah, que coisa mais fofa, gatos brincando no telhado, à luz do luar; não é sempre que eu posso ouvir isso morando em São Paulo; como o interior é bom, pra passar uns tempos, porque morar aqui é definitivamente maçante; é claro, apesar de terem sido bons os anos em que eu...
ooo - Porra, esses gatos não se cansam? - pensei comigo mesma um tempo depois, tendo o barulho continuado - Tão pensando que meu telhado é motel, é? - armei-me com minha toalha de florzinha, estrategicamente pendurada atrás da porta para o caso de imprevistos como esse, abri-a estrondosamente (a porta, não a toalha. Toalhas não abrem estrondosamente. Pelo menos não as de florzinha. Elas abrem cantarolando cantigas populares armênias. Todo o mundo com um mínimo de inteligência sabe disso.) e gritei:
ooo - Xôôô! Saiam daí! Xispa! Xispa! Xis...
ooo Mas não eram gatos.
ooo Eram gambás.
ooo Sete gambás, para ser mais exata.
ooo Sete gambás enormes.
ooo Três na beira telhado e quatro no chão.
ooo Todos eles peludos, com focinhos finos e narizes cor-de-rosa.
ooo Todos eles segurando trouxas de pano colorido.
ooo E todos eles olhando para mim.

(Continua!)

***

"...eu tenho uma porção de coisas grandes pra conquistar e não posso ficar aí parado"

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Baleiês

Mmmmmwoooooooooooooooh... mmmmwuuuuuuuuoh... uoh-uoooh... mwuoooooooooooooooooooooooooooooooooooh...


Muito orquês...


Uooooooooooooooooooooooooh uooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooh mmmmmmmmmuouououououoooooooooooooooooooooooooooooooooooooohhhhhhhhhhhh...


Dordebarriguês?


UOOOOOOOOOOOOOOOOOOOHHHHH MMMWOOOOOOOOOH MUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOHHHHHHHHHHH...


!!!