quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Considerações sobre o futuro de Caranguejo Excêntrico

Era por volta das três horas da madrugada e lá estava Caranguejo Excêntrico no alto de sua agora não tão inatingível – pelo menos para uma certa pessoa em particular – Torre de Marfim, sentada em sua poltrona verde favorita e observando despreocupadamente o Mundo Real com seu telescópio mágico tecido de sonho.

Tentava imaginar, apesar do aperto que aquilo lhe causava, o quê diabos estaria fazendo naquele exato momento dali a uns quatro ou cinco anos.

Ela sempre se arrependia quando começava a voltar seus pensamentos para esse tipo de coisa, era como se um balde de gelo fosse virado em seu estômago e um pelicano gigante fizesse ninho na sua cabeça. Mas agora não havia como voltar atrás, observar o distante Mundo Real empurrara suas já irrefreadas idéias para este caminho e elas sempre foram muito teimosas para que ela conseguisse reconduzi-las rápido o suficiente para um terreno seguro. Só lhe restava, então, pensar no que quer que suas idéias quisessem pensar, até que numa hora ou outra o pensamento se cansasse desse tema em específico e voltasse a atenção para coisas mais agradáveis.

Pois bem, o que seria de Caranguejo Excêntrico dali a uns cinco anos? Teria a Síndrome de Peter Pan ido embora? Poderia ela vestir-se com seus panos sóbrios e adultos sem precisar despir-se dos leves e coloridos véus da inocente fantasia infantil que tanto idolatrava? Conseguiria ela por fim estabilizar-se sem contudo cair na armadilha terrível e hedionda da estagnação? Estaria ela, pois, simplesmente feliz?

Caranguejo Excêntrico balançou a cabeça e serviu-se de uma xícara quadriculada de Berguelotes fresquinhos, apontando seu telescópio para suas psicodélicas e verdejantes terras de Manskaoosin.

Aquele, sim, era o lugar ideal para se viver. Em seu maravilhoso e surreal reino particular de Manskaoosin Caranguejo Excêntrico poderia ser exatamente quem gostaria de ser. Poderia conviver apenas com aquelas pessoas das quais ela apreciava a companhia, poderia ouvir apenas o tipo de música que lhe apetecia, poderia estudar precisamente o que lhe agradava. Ali ela era a Imperatriz. Ali, era única.

Mas ela sabia que seu lindo e confortável mundo paralelo não lhe era acessível senão nas poucas horas durante as quais o poderoso Sol deixava-se cair irresistivelmente hipnotizado pelos mistérios obscuros da sedutora Lua. E, mesmo que pudesse permanecer ali para sempre, será que seria realmente bom? Será que toda aquela sua fantasia maravilhosa não era perfeita demais justamente porque não passava, porque não poderia passar de fantasia?

Manskaoosin havia sido criada para que nela Caranguejo Excêntrico pudesse recarregar suas baterias, arejar seus pensamentos, enlouquecer sem de fato ficar louca. Era seu refúgio. E não havia como ser mais do que isso.

Caranguejo Excêntrico fechou os olhos, já irritantemente cheios d’água, e respirou profundamente algumas vezes.

Precisava tomar coragem para mergulhar de cabeça naquele tal Mundo Real, entretanto o último concentrado desse tipo parecia ter sido entregue ao Leão Covarde pelo Mágico de Oz há algum tempo e andava em falta nos mercados-vermelhos dos mundos paralelos.

— Bem, quem sabe um genérico funcione, não é? — disse para si mesma, espreguiçando-se preguiçosamente enquanto seus pensamentos começavam a entoar um sonolento mantra manskaoosinista e perdiam-se completamente daquele assunto desconfortável do início — Acho que vou tentar fazer bolhas quadradas de sabão, então.

...


“I'm gonna love you ‘till the stars fall from the sky for you and I”.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Insonho

Sonhos!
Sono?
Insone.
Sony!
Sono.
Sonhos?
Insônia...
Sônia...
Sonha.
Sono!
Sem som?
Sem sono?
Sem sonho.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Devaneios no Metrô

Metrô de São Paulo, linha que leva nada a lugar nenhum, sete horas da noite.

Estava eu praticando meu esporte predileto nesse tipo de situação – esporte este que consiste em observar e analisar descaradamente as pessoas à minha volta – quando notei, bem à minha frente, sentado em um dos bancos reservado para idosos e deficientes, um homem barrigudo de cabelos grisalhos que lia um livrinho fino de aparência comum.

Gutembergomaníaca que sou, pus-me então a tentar decifrar qual livro aquele tal seria.

Um livro de auto-ajuda, talvez? Do tipo “Como perder 10 kg em uma semana”? Sua pequena barriga certamente acharia um desses muito útil.

Poderia também ser um daqueles livros melosos e românticos de banca-de-jornal, tipo Sabrina, Stéphanie, Paola... não, não; quem costuma ler esses livros são garotinhas fúteis e velhinhas frustradas. (!)

Ah! E se fosse um livro erótico daqueles “Kama-Sutra para iniciantes” ou “Livros para se ler com uma mão só”? Hohoho, isso seria interessante; poderia aquele distinto senhor barrigudo ser um tiozão pervertido que—
Hum. Deixa pra lá.

Finalmente o homem pousou o livro em seu protuberante abdome, de capa virada, permitindo-me então que lesse o título: “O porquê do himem – Este é um livro que deve ser lido! Todos os homens e mulheres que foram adolescentes na década de 1960 devem ler este livro para aprender como ter de volta tudo aquilo que o Diabo roubou. O amor livre foi o pior erro dessa geração, as conseqüências disso são o grande numero de divórcios—

Fiquei alguns instantes em choque. Precisei virar-me de costas e me esconder entre alguns pares de braços e mãos para não rir abertamente e correr o risco de ouvir um sermão inflamado do homem barrigudo dono do livro sobre o “porquê do himem”.

Voltei a observar o tal senhor. Cabelos grisalhos, rugas de expressão, olhos escuros e fundos. Quantos anos teria? Uns sessenta? Teria ele sido jovem durante a liberação sexual do meio do século XX? Teria ele ouvido Beatles, usado LSD e sido hippie naquela época? Estaria ele passando por dificuldades no casamento e, não sabendo mais em quê se apoiar, voltando-se para a religião, resolveu colocar a culpa em coisas que aconteceram há quase cinqüenta anos atrás, com o agravante de ter sido levado pelo diabo?

É, não sei como ainda me surpreendo com certos exemplares da minha espécie. Muito mais fácil pôr a culpa no demônio do que arcar com as conseqüências dos próprios atos.

Sim, é claro, porque foi justamente isso. O Diabo que roubou a moral e a decência dos adolescentes dos anos 60, por isso tem tanta gente se divorciando hoje em dia.

Obviamente; nada mais natural. E foi nisso que fiquei pensando enquanto voltava para casa e colocava-me a escrever sobre o ocorrido.

Deveríamos ainda casar todas virgens, os garotos sendo iniciados por prostitutas, uma vez que precisavam chegar ao casamento sabendo desse tipo de coisa.

Deveríamos continuar com um casamento, por mais infeliz e perturbado que fosse, apenas para manter as aparências, porque a igreja e a sociedade diziam ser o casamento uma união única e indissolúvel.

É, deveríamos mesmo voltar a viver como famílias do século XIX; naquela época não havia tanto divórcio, não é? Mas isso significa necessariamente que as pessoas eram mais felizes?

Nada contra o casamento ou a virgindade, desde que a pessoa tenha optado por isso por livre e espontânea vontade em busca da própria felicidade. Acontece que foi justamente só depois das revoluções culturais da década de sessenta que foi possível ao indivíduo escolher. E se Deus é amor e quer o bem à Sua criação, privilegiando-a até mesmo com o próprio Livre-Arbítrio, não entendo qual o problema em se ter a possibilidade de escolher, não entre o pecado e a pureza, mas sim entre a felicidade e a frustração.

E não me venham com discursos prontos de felicidade da matéria X felicidade do espírito, não acredito que se possa ser verdadeiramente feliz sem que haja equilíbrio entre as duas.

E... e chega, que cansei de escrever.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Tutorial de Como Matar Uma Mariposa Gigante

Estávamos nós, eu e Thiago, calmamente sentados no sofá da casa da minha avó em Águas de São Pedro, altas horas da madrugada, assistindo ao Novo Tele Curso – que, aliás, é realmente muito novo, diga-se de passagem; as placas dos carros que passavam na gravação ainda eram amarelas, os ônibus eram brancos com uma linha vermelha no meio e as pessoas usavam aqueles penteados cheios lindos do começo dos anos 90 e aquelas calças de cintura alta coloridas – quando, de repente, eis que essa que aqui vos escreve nota alguma coisa muito preta e muito nojenta delicadamente (?!) pousada no vidro da janela.

— Thi... Aquilo ali é uma barata ou uma borboleta? — perguntei, temendo a resposta.

Como todos bem sabem, eu tenho um certo, hum, como poderia dizer?, receio de borboletas.
Na verdade, não é bem um receio.
É medo, mesmo.
Pavor.
E não tem explicação nenhuma pra isso, exceto que minha avó também tem.
Já me disseram que, de acordo com a psicanálise, pode ser que esse meu pé atrás em relação às borboletas (escrever aqui “meu pavor de” seria mais correto, mas faria com que me sentisse idiota, então, deixa pra lá) e qualquer coisa que voe de maneira geral seja porque eu tenho inveja da liberdade que esses animais têm por poderem voar.
Talvez.
Mas se voar for mesmo só uma questão de errar o chão, então...
Ah, deixa pra lá.
Voltando ao que aconteceu.

— Thi... Aquilo ali é uma barata ou uma borboleta?

— Acho que é uma borboleta... ai, não, acho que é uma mariposa!

Foi o tempo de processar a palavra “mariposa” e ligar o nome ao bicho que os dois corajosos urbaninhos puseram-se de pé num pulo e foram refugiar-se no extremo oposto da sala, quase que atrás da mesa.

— E agora? Você vai matar? — perguntei, em meu desespero crescente.

— Matar isso aí? Ai. Tem SBP? Ai.

Bom ter um namorado que tem tanto medo de mariposa quanto eu.
Lá foi a garota do cabelo roxo desbotado em busca da salvação e do alívio que se materializavam em um vidro de SBP.

— Olha, tá aqui. E o pano. — eu disse, entregando-lhe as armas, assumindo uma expressão de “eu confio que você vai voltar vivo” digna de esposa de soldado em véspera de batalha e tratando de sair rapidinho dali.

Pobre Thiago. Foi-se chegando de mansinho ali perto da janela, entrincheirando-se atrás do sofá, as armas em punho, uma expressão de determinação no rosto. Engatilhou o vidro de SBP e disparou uma, duas, três vezes, dando um passo para trás a cada vez que a mariposa esboçava qualquer sinal de tentar se mexer.

— Ô Thi... acho que você tem que espirrar mais em cima dela, não? — balbuciei do meu esconderijo na cozinha.

— Tô tentando!! — disse ele, e espirrou uma quarta vez. Oh, céus. Para quê. E não foi que a mariposa maldita resolveu levantar vôo?

Não deu nem uns três segundos e eu já estava escondida atrás da porta da lavanderia, com um cachorro poddle preto com cara de sono a me observar desaprovadoramente e um sentimento nada propício de que não deveria ter deixado meu pobre namorado lutando sozinho com aquele monstro.
Cadê sua coragem, Carolina!
Juntei minhas forças, ou o que sobrara delas, e voltei para o campo de batalha.

— Thi?

— É melhor você ficar aí. Ela tava voando; agora tá pendurada no sofá.

— Ai. Vou tentar abrir a porta pra ela sair!

Brilhante idéia, Carolina. Brilhante. Como você pretendia fazer aquilo sem passar por aquele monstro mutante?
Mas lá fui eu, exemplo da coragem feminina, pulando a qualquer tremida de asas da mariposa, abrir a porta. E consegui sair ilesa da missão, vivas para mim! Entretanto, quem não quis entrar na brincadeira foi a mariposa. Lá ela continuou, pousada no sofá, parece que zombando das nossas tentativas frustradas de fazê-la ir embora.

— Taca mais SBP! — eu disse.

Acabamos com o vidro de SBP; nada. Busquei outro. No que o Thiago abriu o frasco aquele demônio alado, talvez prevendo outra tentativa homicida da nossa parte, abriu suas enormes asas negras e amareladas e partiu para cima do coitado.

— AH! AHHH! ELA TÁ ME ATACANDO!!!

— AAAAHHHHH!!!!

Corremos para a cozinha. De lá, observávamos a astúcia da mariposa, voando calmamente pela sala. Depois de algum tempo, ela se escondeu em baixo da mesa.

— É agora! — eu disse — Mais SBP!

Espirramos mais SBP naquela mutação genética, que começou a se debater freneticamente. Esboçou mais algumas tentativas de vôo, frustradas pelo veneno, e pôs-se a cambalear pelo chão da sala.

— Ah, agora fica mais fácil, né? — eu disse.

— É, né... — respondeu o Thiago, e ficou me olhando — Mas ela ainda tá fugindo.

Depois de algumas tentativas frustradas de tiro ao alvo com meus chinelos, eis que Thiago teve a brilhante idéia de jogar o pano em cima da mariposa.

— Você joga — falei.

E ele jogou. Acertou em cheio as asonas pretas e nojentas da mariposa.
E lá ficou, aquele monstro diabólico e perverso, debatendo-se debaixo do pano de chão sujo.

— Você vai pegar a bichinha? — perguntei, suplicante, mas já sabendo a resposta.

— Há. De jeito nenhum. Deixa ela aí!

Mas eu não podia deixá-la ali.
Ela se debatia, o pano mexia, começava a me dar uma agonia danada de ver a agonia da pobrezinha.
Sim, ela era um monstro vindo direto do inferno, mas, ainda assim, a hora da morte de qualquer ser vivo deve ser respeitada.
E foi por isso, por piedade, que eu não tive dúvidas e pisei em cima do pano. Uma, duas, três vezes. Dancei um sapateado romeno em cima da bicha, até ter certeza de que ela não iria se mexer mais.

— Pronto. Agora você pega? — perguntei.

— Eu, heim!! — respondeu Thiago se afastando.

Então, como não havia mais jeito, fiz eu o trabalho sujo de me livrar do corpo. Deitei-o no jardim, com pano e tudo, da maneira mais rápida e limpa que pude encontrar.

E foi assim que se deu a batalha épica de dois urbaninhos guerreiros e extremamente corajosos com um terrível monstro alado saído direto dos últimos círculos do inferno.
Por favor, crianças, não tentem isso em casa. Um negócio desses pode causar danos psicológicos irreversíveis...

E fim.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Sobre a tal Federação da Luz

Uma australiana chamada Blosson Goodchild afirma veementemente que desde algum tempo anda se comunicando com entidades extraterrenas que se autodenominam Federação da Luz.

Segundo a moça, dia 14 de outubro de 2008 essa tal Federação da Luz tornará visível no céu do Hemisfério Sul do nosso querido planeta azul praticamente inofensivo uma ou algumas de suas naves gigantescas, e assim permanecerão, descaradamente visíveis a qualquer criatura que se digne a levantar a cabeça e olhar para cima, por três dias e três noites.

A mensagem desses extraterrestres luminosos, segundo a tal Blossom, é de amor, paz, iluminação e aquilo tudo que gente de sucesso escreve em livros de auto-ajuda para ganhar mais dinheiro às custas daqueles pobres coitados que têm uma auto-estima tão grande quanto um grãozinho de poeira jogado no vento.

Só.

O mais legal é que eu deveria agora estar fazendo o fichamento de um livro sobre o Estado Novo e, ao invés disso, aqui estou, gastando latim pra escrever sobre alienígenas.

Um fichamento de um livro de cento e sessenta páginas, para terça-feira.

E adivinha quanto vale esse trabalho?

Um absurdo de 15% da nota.

Estou me matando aqui por míseros um ponto e meio.

Um ponto e meio estes que, se bobear, não valerão mais nada ao final desta semana, uma vez que a tal Federação da Luz está para sobrevoar nosso lindo planeta justamente nesta terça-feira e alterar completamente a noção de prioridade de qualquer um.

Ô, beleza.

Hum.

Dia 14 de outubro cai numa terça-feira.

O dia em que os tais da Federação da Luz irão mostrar-se visíveis é uma terça-feira.

É, justamente, essa terça-feira.

Segundo o mais importante livro até hoje nunca escrito - obviamente o Guia do Mochileiro das Galáxias - foi justamente numa terça-feira que os Vogons - os seres mais burocráticos do Universo e os últimos que você chamaria para tomar uma xícara de chá - vieram destruir a Terra para a construção de uma via inter-espacial no lugar.

É...
É melhor eu ir separar a minha toalha.
E três canecas de chope.
E um pacote de amendoins.

...

Se as naves da tal Federação da Luz forem amarelas e você não possuir um sinalizador eletrônico subeta, pode começar a se desesperar.


(Se alguém se interessar, o blog da tal Blossom: http://www.blossomgoodchild.com/index.html?page=BGoct14.html )

domingo, 5 de outubro de 2008

A Criação

No início, era a Água.
Não havia sensação alguma, apenas Água.
Aos poucos, formou-se no horizonte um pequeno ponto brilhante.
Não que aquele fosse, realmente, o Horizonte, ou que o pequeno ponto brilhante fosse, exatamente, um pequeno ponto brilhante.
Mas era alguma coisa; alguma coisa que abalava a estaticidade da Água.
E aumentava.
Cada vez maior, cada vez mais brilhante.
Cada vez mais perto.
Um som surdo, absurdamente alto e quase que completamente imperceptível, começou a tomar forma.
Era o Som do Silêncio.
O Som do Silêncio Vivo.
A Água agitava-se.
Tons de azul e violeta tomavam lugar na transparência das bolhas que se formavam.
Um frio metálico foi sentido.
A Água, então, passou a sentir.
O que antes era um pequeno ponto brilhante agora já se tornara uma imensa e ofuscante bola de luz branca.
E foi então que aconteceu.
A imensa e ofuscante bola de luz branca chocou-se estrondosamente com a Água.
E foi então que, da explosão de cores e sons jamais imaginados e nunca mais vistos que tal impacto causou, surgiu o Tudo-O-Que-Conhecemos-E-Ou-Não-Temos-A-Mínima-Idéia-Do-Que-Seja-Hoje-Em-Dia.

...

"Amanheceu um lindo dia, cheirando alegria"...

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

...

Bah.
Ia dormir faz tempo, mas estou sem sono.
Ia fazer um vídeo de presente de aniversário para meu avô, mas o Movie Maker travou.
Ia assistir a outro episódio do House, mas já está muito tarde (ou talvez cedo?) para começar.
Ia escrever alguma coisa mais útil, mas a idéia escorreu pelo ralo junto com os últimos M&Ms amarelos.

...

Alguém viu a Inspiração por aí?
A última vez que a vi, estava jogando buraco com a Rotina, enchendo a cara de conhaque. Deve ter ficado bêbada e esquecido o caminho de casa...
Por favor, se a virem, entrem em contato.

Au revoir!

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Pen Samen Tosjo Gado SP Oraí

Fujam, fujam para os promontórios!
As cascas dos ovos das gansas albinas dos Alpes estão nevando de novo!
Cuidado com o que desejam aos três-quartos dos ventos, às vezes moinhos são só dragões ao relento.

Um duende de barba branca me disse que eu deveria dizer que não dizia nada que dissesse alguma coisa dita. Mas, de qualquer forma, não consigo me lembrar direito do que foi que ele falou.

Alguém quer morangos?
Ambrósio era um bom rapaz, até que começou a comer morangos. Sua vida nunca mais foi a mesma...

Só.
E uma vida aos brindes simples das coisas.

...

"Mandei plantar folhas de sonho no jardim do solar"

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

08.08.08 IV - Finalmente Final

- Hum, pelo jeito ela sabe mais do que a gente imaginava – disse Tod enquanto dava uma longa tragada no cigarro – Sente-se, Carol – continuou, encarando-me – E pegue mais uma Heineken. Acho que temos muito que conversar.

Sentei-me num pufe colorido, retirando uma revista da Turma da Mônica que ali estava e apossando-me de mais uma garrafa da Heineken.
Tentei colocar meus pensamentos em ordem, o que era tarefa difícil, uma vez que três seres bastante peculiares ainda me observavam com seus grandes olhos coloridos.

Bebi alguns goles da cerveja.

Certo. Aqueles eram os famosos (ou não tão famosos assim) Sacanas Que Controlam O Destino Da Humanidade. Chamavam-se Tod, Bob e Zod. Bebiam Heinkens, jogavan Play Station, liam histórias em quadrinhos e não deviam ser muito chegados numa faxina.
Sim, aquilo explicava muita coisa sobre o destino da humanidade.

- Então, Carol - começou Tod - Nós somos Aqueles Que Foram Criados Antes Mesmo Da Criação, entende?

- Há quem diga que nós mesmos nos criamos - disse Bob - Mas eu não tenho tanta certeza disso, visto que não nos lembramos de como fizemos isso.

- Sim, o que é uma pena - falou Zod - Você pode imaginar o que é passar uma eternidade só com esses dois marmanjos aí?

- Hum... deve ser... - tentei dizer.

- Um saco - completou o ser com moicano - Por isso as Heinekens, as revistas, o vídeo-game...

Aquilo começava a me soar extremamente interessante. Explicava muitas coisas, aliás.
Bebi mais cerveja.

- Pois é - disse Tod - Foi então que, durante um dia frio e cinzento, daqueles em que nada se tem e nada se pensa pra fazer...

- E que resolvemos chamar de Domingo - complementou Zod.

- ...decidimos que continuar a viver daquele jeito não ia dar. Precisávamos urgentemente de alguma coisa que nos entretesse, sabe, que nos tirasse daquela monotonia...

- ...e então eu resolvi ir até a janela tomar um pouco de ar - disse Bob - porque o Zod acendia um cigarro atrás do outro - continuou, virando para o amigo e fazendo fazendo uma careta - e meu pulmão não é cinzeiro, saca...

- ...aí - disse Tod acendendo outro cigarro e soltando a fumaça na cara de Bob - essa bicha aí virou, empolgadíssimo, para mim e para o Zod e disse...

- Humanidade!

- Eu perguntei, obviamente - disse Zod - que porra era aquela que ele estava gritando...

- E eu respondi que não sabia, também, mas que tinha jeito de chamar "humanidade".

Eu precisava urgentemente de mais uma garrafa de Heineken.

- O que o Bob, aí, chamou de "Humanidade" - disse Tod - Eram serezinhos muito peculiares, bem parecidos com você, aliás...

- Só que beeeem mais peludos - interviu Zod.

- ... e que vieram, como soubemos depois de analisar um deles atenciosamente, da mistura das cinzas dos meus cigarros e da terra do nosso vaso de petúnias com um pouco da nossa saliva e da cerveja que o Bob desperdiçou porque estava bêbado e jogou a garrafa pela janela.

- Por quê cargas d'água essa mistura bizarra resultou em serezinhos tão divertidos eu não tenho a mínima idéia - falou Bob - Mas vocês tinham uma cara de "Humanidade" a primeira vez que os vi... eu sabia que esse nome ia pegar.

Eu estava embasbacada com aquilo que havia acabado de ouvir. Tentei pronunciar alguma coisa, mas minha voz entrara em greve por melhores condições de trabalho e encontrava-se no momento acampada em minha laringe segurando um cartazinho em branco e comendo pipocas.
Abri mais uma garrafa de Heineken.

- Aí acho que você já sacou o que aconteceu depois - começou Zod - O Bob teve a brilhante idéia da gente influenciar a vida da "humanidade" e ver o que acontecia com eles. Isso nos propiciou séculos e mais séculos de diversão...

- É bem verdade que algumas vezes eles fugiam do nosso controle - disse Tod - E se matavam uns aos outros sem que nós mandássemos...

- Mas temos que admitir que isso dava um sabor a mais para a diversão - completou Zod piscando o olho.

- Agora eu só queria saber o quê diabos você está fazendo aqui - disse Bob arqueando as sobrancelhas.

Ah, como se eu soubesse!

- É, então - comecei a dizer - Eu também gostaria de saber. A última coisa da qual me lembro é estar debaixo de uma samambaia com meu Guru Espiritual, o Profeta Zé Apocalipse...

- Ah, sim, seu amigo barbudo! - exclamou Zod - Gente boa, ele. As vezes dá um pulo aqui em cima pra gente beber uma breja, ou um café.

- Devíamos ter imaginado que era coisa dele - comentou Tod - Ainda está se escondendo d'ELES?

- Sim, sim - eu disse - o Zé está sempre se escondendo d'ELES...

- E é a melhor coisa que ele faz - disse Bob.

Nesse momento uma nuvem de fumaça púrpura tomou o aposento e surgiu, de dentro dela, meu queridíssimo Guru Espiritual Zé Apocalipse e sua inseparável toalha cor-de-laranja.

- Saudações, rapazes - disse ele - Espero que não tenha causado contrangimento o fato de ter deixado minha protegida aqui com os senhores sem tê-los avisado previamente.

- Ah, relaxa, Zé - disse Bob - Ficamos com receio no começo, mas cê tá ligado que adoramos conversar com alguém, né?

- Principalmente se for um daqueles lá - completou Zod.

- Muito que bem - disse o Zé - Eu precisei resolver alguns assuntos com a abertura do Portal de Órion e era extremamente necessário que ela ficasse em segurança. Bom, acho que é hora de irmos, não acha, Carolina?

- É, acho que sim... - respondi, meio aérea.

- Bem, até a próxima Zé! Foi um prazer conhecê-la, Carol. Sempre que quiser beber uma breja com a gente esteja a vontade, viu?

- Obrigada...

- Até mais - disse Zé, pegando alguma coisa dentro de sua bolsa - e obrigado pelos peixes!

Mais uma vez aquela sensação de estar sendo sugada por um cano bem menor do que meu corpo acometeu meus sentidos e, no instante seguinte, estava eu em casa novamente, totalmente sozinha - e ligeiramente bêbada.


(FIM - finalmente xD)

terça-feira, 19 de agosto de 2008

08.08.08 III - Os Sacanas Que Ficam Brincando Com O Destino Da Humanidade

- Meu - disse um deles - Acho que ela é um daqueles lá.

Fiquei a observar, completamente sem reação, aqueles peculiares seres de olhos grandes e rostos compridos, sem ter a mínima idéia do que diabos aquilo queria dizer.

Por que cargas d’água o Zé sempre some nessas horas?

- Sóóóó... – falou o do moicano verde, cujo nome, pelo que estava escrito em sua camiseta, devia ser Zod – E agora? – continuou, bebendo um longo gole do líquido da garrafa azul.

- Hum... ah... – comecei – Er... Oi, eu... é... sou a Carol, e... hã...

- Tá vendo! – exclamou Bob, o que usava um boné de beisebol – É aquela lá!!

- Sabemos quem você é – disse Tod, o dos óculos de aro preto.

- Ah! – falei – Vocês sabem quem eu sou... – repeti, tentando compreender alguma coisa além do fato de que eu estava mais perdida do que um historiador fefelechento na Daslu. Talvez se me oferecessem uma Heineken, ou um gole daquela garrafa azul...

- Opa, pegue uma Heineken, Carol – disse Tod, entregando-me uma lata – Talvez ela ajude a pôr os pensamentos em ordem.

Ai, caramba! Eles lêem os meus pensamentos?! O Zé bem que me avisou dos chapéus de alumínio; quem mandou ser tão esquecida, Carolina!?!

- Ih, relaxa, moça; só lemos os pensamentos que você nos permite ler – disse Tod acendendo um cigarro preto – E o chapéu de alumínio do seu amigo Zé de nada iria adiantar, de qualquer forma.

Abri a latinha e tomei um longo gole.

Utilizando um método antigo e prático de Oclumancia, método este passado de geração para geração na Antiga Civilização de Bähbd e que o Zé, sabe Zeus como, aprendeu e me ensinou há algum tempo para que meus pensamentos não fossem ouvidos por cabeças alheias, pus-me a conjecturar:

Quem seriam esses caras?
Quem seriam os “aqueles lá” dos quais eu fazia parte?
Que maldito lugar era aquele?
Aonde o Zé teria se enfiado?
O que haveria naquela garrafa azul?
Que horas seriam agora?
Por que as joaninhas vermelhas com bolinhas pretas estão desaparecendo?
Quem seriam os sacanas que ficam brincando com o destino da humanidade?

*Clique!*

- Os Sacanas que ficam brincando com o destino da Humanidade! – exclamei de repente, virando o resto da cerveja goela a baixo e encarando-os.

- Quem? – disse Zod.

- Vocês! – eu disse, pegando outra Heineken e bebendo quase tudo em um gole só – Vocês são os caras que daqui de cima controlam a humanidade toda lá em baixo e ficam se divertindo às nossas custas!!

- Humanidade! – disse Bob, empolgado – Eu sabia que esse nome ia pegar!

- Hum, pelo jeito ela sabe mais do que a gente imaginava – disse Tod enquanto dava uma longa tragada no cigarro – Sente-se, Carol – continuou, encarando-me – E pegue mais uma Heineken. Acho que temos muito que conversar.


(Continua, de novo... juro que a próxima é o final xD)